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Projeto “Caminhos da Semente” promove expedição em São Paulo

Usinas do setor bioenergético promovem parceria com o projeto visando ao reflorestamento das APPs

A Usina São João, em Araras, no estado de São Paulo, foi um dos roteiros da expedição 2023 do programa Caminhos da Semente, iniciativa que reúne um conjunto de instituições com o objetivo de dar escala à restauração da vegetação nativa no Brasil, com foco no método de semeadura direta.

Entre os benefícios do método, estão menores custos e maior facilidade de implantação, com resultados efetivos para a restauração da vegetação nativa em processo similar ao natural. A semeadura direta promove, ainda, desenvolvimento social e econômico, uma vez que envolve comunidades locais na coleta e venda de sementes, base de sua cadeia produtiva.

A Iniciativa nasceu a partir de um Plano de Ação Estratégico, elaborado em 2019, com contribuições de mais de 250 atores de 160 organizações, dos setores privado e público, relacionados com a restauração ecológica. Com horizonte de 5 anos, esse Plano ambiciona superar os gargalos atuais, de diferentes naturezas, e alavancar a restauração ecológica com semeadura direta.

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Coordenada pela Agroicone em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e Embrapa, a Iniciativa Caminhos da Semente conta com o apoio técnico e financeiro do programa Partnerships For Forests (P4F), do Reino Unido, além do apoio de diversas organizações parceiras.

Também conta com um Comitê de Especialistas formado por representantes de governo, empresas, pesquisa e terceiro setor para guiar estrategicamente as atividades.

Segundo Edézio Miranda, engenheiro florestal que atua no projeto, desde 2019 mais de 60 áreas já receberam acompanhamento. “Já foram mais de 60 áreas que acompanhamos diretamente e várias outras, indiretamente, através do projeto, com assistência técnica e capacitação. E, nesse meio tempo, surgiu uma outra iniciativa, que é o Redário, que vem com esse papel de fortalecer as redes sementes, que são base para fazer essa semeadura direta”, informa Miranda.

“O método consiste, basicamente, em plantar as sementes nativas diretamente no solo preparado com algum tipo de cultivo, para poder receber as sementes. Com essa metodologia, conseguimos adaptar muitas coisas, como os maquinários agrícolas para poder fazer a restauração mecanizada para o preparo do solo até as manutenções, usando o que há na propriedade do agricultor”, explicou.

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Desde sua implantação, de 2019 até 2022, a evolução dos resultados de assistência técnica (AT) e apoio a plantios de semeadura direta já conta com mais de 1.355 hectares de áreas alcançadas, com mais de 14,5 toneladas de sementes.

Reflorestamento das APPs

O projeto vai ao encontro da necessidade das usinas de cana, de promoverem a preservação das APPs em suas áreas de atuação. Essa primeira expedição do programa São Paulo, segundo Miranda, tem como objetivo mostrar as experiências de semeaduras diretas que já existem no estado.

“Não só as experiências com restauração, mas também as redes que já estão trabalhando e fornecendo sementes. Em São Paulo, já temos várias áreas, então mapeamos essas áreas onde já havia as experiências, sendo que a Usina São João é uma das pioneiras, com um experimento feito em 2007, iniciado pelo pesquisador Ingo Isernhagen. Já são 16 anos e a área é uma referência para essa restauração utilizando sementes. Além disso, a usina tem também um trabalho de restauração, que visitamos”, ressaltou.

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Na Usina São João, a expedição foi recepcionada por André Correia, engenheiro agrimensor e topógrafo, e por Josemario Santana, encarregado do viveiro, que demonstraram o trabalho de recuperação de áreas verdes, com o Projeto Margem Verde, desenvolvido pela usina com ajuda da empresa Implantar Soluções Ambientais.

“No nosso viveiro, produzimos cerca de 30 mil mudas nativas e adquirimos outras para um plantio de 60 hectares, em média, anualmente. Estamos nos estruturando para ter de 15 a 20 espécies para atender essa demanda de reflorestamento. Temos áreas mais úmidas, então focamos em espécies que aguentam mais esse clima, para distribuir no campo”, informou Correia.

Segundo ele, 800 hectares da usina já foram reflorestados. A usina tem algumas ações como o fornecimento de mudas no Dia da Árvore, comemorado no dia 21 de setembro.

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O engenheiro comentou, ainda, que, fora as APPs, também reflorestam reserva legal, área do imóvel rural dedicada à proteção da cobertura vegetal, conforme estabelecido no Código Florestal, e que algumas áreas precisaram ser restauradas novamente após incêndios provocado por ações humanas, fato que encarece o valor gasto com o reflorestamento, que chega a R$ 30 mil o hectare, em média.

A São João é uma das usinas signatária do Protocolo Etanol Mais Verde. Estabelecido em 2007, o programa incentivou a eliminação da queima de canaviais, proteção e restauração de matas ciliares, conservação do solo, proteção à fauna, conservação e reuso da água, aproveitamento dos subprodutos da cana, responsabilidade socioambiental, boas práticas no uso de agrotóxicos, prevenção e combate aos incêndios florestais, além de adequação à Lei Federal nº 12.651/2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa.

De acordo com dados levantados pelo programa, na safra 2010/11, foram plantadas 4,5 milhões de mudas, abrangendo uma área total de 5,8 mil hectares de mata ciliar. Já na safra atual, a área atingiu a marca atual de 31,2 mil hectares, com um plantio médio de 2,6 milhões de mudas. Esse número total representa a preservação de 8.172 nascentes e cerca de 139 mil hectares de mata ciliar em áreas das 127 usinas e associações participantes do projeto.

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Expedição Caminhos da Semente

A Expedição Caminhos da Semente 2023 está ocorrendo em três regiões do estado: Vale do Paraíba, Noroeste Paulista e Vale do Ribeira.

Na rota Vale do Paraíba, os participantes visitaram, além da Usina São João, áreas restauradas com a aplicação do método semeadura direta na Fazenda Água Limpa, em Cruzeiro (8 hectares);

Sítio Benvinda Conatti, no Tremembé (1 ha);

Sítio dos Ipês, em Cruzeiro (1 ha).

Na rota Noroeste Paulista, a visita aconteceu na Fazenda Cruz Alta (Tereos), em Olímpia, que tem 32 hectares plantados com o método, com mais de 81 espécies semeadas e 10.548 árvores estabelecidas; na Usina Santa Isabel, em Adolfo, com 7 hectares de área de plantio, com 41 kg de sementes nativa e 42 kg de adubo verde; na Fazenda Santa Helena e Santa Bárbara, em Espírito Santo do Turbo (35 ha); no Sítio Botelho, em Promissão (3 ha), e na Fazenda São João, em Borborema (5 ha).

Na rota Vale do Ribeira, conheceram o Sítio São Francisco, em Boituva (2 ha), o Parque Estadual do Rio do Turvo, em Cajati (2 ha), e a Fazenda Santa Maria do Monjolinho, em São Carlos (9), que possui área arrendada para produção de cana-de-açúcar.

Josemario Santana e André Correia
Participantes visitaram várias áreas com canavial na reigão de Araras, São Carlos e Oímpia

 

 

 

 

 

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