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Utilização de insumos biológicos faz usinas reforçarem estratégias de manejo

O conhecimento do solo passa a ser determinante para assegurar a produtividade

A crise de fertilizantes agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, intensificou a utilização de insumos biológicos para o canavial. Em paralelo a isso, na medida em que mais insumos biológicos surgem no mercado, também é preciso estar atento às melhores e mais recentes práticas de manejo sustentável. Esse foi o tema abordado durante o webinar “CANABIO’22 – Estratégias de Manejo Sustentável”, promovido pelo JornalCana, no dia 26 de julho.

O evento contou com a participação de Alexandre de Sene Pinto, professor e doutor em entomologia, Carlos Daniel Berro Filho, diretor de desenvolvimento agronômico da Raízen e do produtor de cana Renato Delarco. Com mediação do jornalista Alessandro Reis, o webinar foi patrocinado pelas empresas AxiAgro, S-PAA Soteica e Spraying Systems AutoJet.

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Alexandre Sene

O professor Alexandre de Sene Pinto rememorou o histórico da técnica do controle biológico, que chegou à cana-de-açúcar, considerada um exemplo nessa prática de manejo, há cerca de 100 anos, com a utilização de moscas no controle da broca. Em 2010 a utilização de macroorganismos sofreu grande avanço e em 2017 com a lei dos drones passou por uma revolução.

“Hoje nós temos à disposição para cultura da cana-de-açúcar uma série de macroorganismos e microrganismos. Alguns tem a função de ser utilizado no solo, mas também podem ser usados no foliar e outros, que são foliares, podem ser usados nos solos. Então eles têm funções mistas e alguns microrganismos especialmente aí para controle da broca da cana”, explicou.

De acordo com o professor Alexandre, hoje talvez o assunto mais discutido no setor bioenergético é o uso de bioinsumos no solo com diversas funções. “Desde controle de doenças nematóides até a disponibilização de nutrientes.  E aí nós temos bactérias, fungos e a famosa bactéria Azospirillum Brasiliense que tem sido muito discutida, além de extrato de algas para melhorar resistência da planta a seco”, explicou.

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Ele comentou que atualmente se vê bionematicidas com resultados muito expressivos, sempre com ganho de produtividade e com custo normalmente menor do que um nematicida químico. “Já começamos a substituir nitrogênio, fósforo e potássio por microbiológico. Hoje já tiramos com segurança 25% do nitrogênio usando o Azospirillum na dose certa, pois se usar uma dose exagerada anulamos a ação do Azospirillum. Estamos esperando tirar até 100% da cana planta e 50% pelo menos da cana soca. E hoje, quem usa principalmente Trichoderma, mais alguns bacilos, já tira 10% de fósforo e potássio da nossa adubação, e a ideia é chegar a tirar 60% desses nutrientes”, explicou o professor.

Carlos Daniel Berro Filho

O diretor agronômico da Raízen, Carlos Daniel Berro Filho, ponderou que a base de todo manejo vai depender do conhecimento do solo. “A base de todo o manejo para buscar estratégias sustentáveis é realmente conhecer o solo que está inserido. É necessário todo um trabalho de mapeamento, detalhamento, entendimento dos manejos potenciais que cada solo entrega, para não incorrer numa atitude que não é sustentável ou direcionar algum tipo de manejo para um determinado tipo de solo que não faça sentido”, disse.

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Carlos também enfatizou a importância de regionalizar os manejos, a fim de otimizar a logística de acordo com cada região, em busca de uma produtividade mais sustentável. “Com uma base construída de solos, regionalizar os manejos por similaridade, principalmente em usinas, grandes fornecedores. Nessa distribuição de áreas grandes é preciso fazer as regiões com as características de terminalidade para definir os blocos, as frentes de colheita para construir uma logística, que gere uma estabilidade operacional”, explicou.

O diretor também chamou a atenção para a definição das variedades de cana. “A gente sabe que cada variedade tem as suas características, manejo e época. Quando não se tem um bom conhecimento de solo da região, invariavelmente vai se errar na adoção variedade”, elucidou, explicando que é preciso ter uma base bem construída, ter trabalhos de multiplicação das novas variedades, definindo a indicação para cada ambiente, cada época, cada manejo, fazendo assim, a escolha assertiva para cada região.

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“É preciso lembrar ainda que cana é uma escolha para sete, oito cortes”, disse enfatizando a necessidade de se saber fazer um manejo de terceiro eixo, a fim de não expor uma determinada variedade precoce no final da safra.

Carlos também falou sobre a utilização da vinhaça e da torta de filtro, produtos existentes nas unidades do grupo, que é como se tivessem uma fábrica de fertilizante dentro de casa. “Então fazer a compostagem dessa torta de filtro e devidos enriquecimentos, fazer adubação da nossa soqueira, através de vinhaça, seja por aspersão, seja localizada, praticamente 100% das áreas de adubação tornam-se um canal muito interessante para adicionar biológicos e microrganismos”, argumentou.

Para o produtor de cana Renato Delarco, quando se fala em sustentabilidade agrícola, “a gente fala no químico, no físico e no biológico. Em 2020 começamos um trabalho de como juntar esse tripé e trazer a sustentabilidade. Hoje nós estamos integrando os três campos em nossas áreas e estamos conseguindo entregar resultados significativos, com um trabalho de estruturação do solo, que recebeu o apelido de “berço esplendido””, contou.

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Renato Delarco

Segundo ele, depois que a cana foi plantada em 2021 tiveram apenas 23 mm de chuva posterior ao plantio, com as chuvas voltando somente em outubro de 2021.

“Nós não temos recurso de irrigação de vinhaça, tem que ser com ajuda de São Pedro. O ATR médio é de 3kg, e o TAH mostrou 3 kg a mais de açúcar por hectare. Isso sem fazer nenhum tratamento químico adicional. Só trabalhando o equilíbrio físico/químico e o biológico amarrando os dois”, informou.

O produtor afirmou que os demais números ainda estão sendo consolidados, mas assegurou que “dá para se fazer um tratamento sustentável em cana-de-açúcar, sem gastar muito mais ou gastar igual o que vem sendo gasto. Basta pensar em sair da caixinha para ver que é possível aumentar a produtividade, buscar e uma resistência à seca. Equipamento nós temos no mercado, produtos biológicos nós temos no mercado.  É apenas uma questão de colocar tudo em prática”, finalizou Delarco.

 

 

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