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Produtores agora querem receber por energia gerada da palha da cana

Em meio a uma tímida retomada do setor sucroenergético, produtores canavieiros rurais agora querem receber das usinas uma remuneração pela geração de energia elétrica obtida por meio da queima do bagaço da cana-de-açúcar.

O tema já era discutido internamente por produtores nos últimos anos, mas a crise do setor impedia o avanço das conversas. Agora, no entanto, será levado a público num seminário nesta quinta-feira (26) em Sertãozinho —cidade do interior paulista que tem economia totalmente voltada à indústria canavieira.

O objetivo é discutir a viabilidade de incluir essa remuneração no pagamento aos produtores e, também, saber quanto vale o bagaço de cana.
Embora tenha vivida um momento melhor, graças ao aumento da Cide cobrada na gasolina, que deixou o etanol mais competitivo, o setor ainda tem dificuldades em vista. Tem dívida acumulada de R$ 80 bilhões, mais que uma safra global inteira (estimada em R$ 65 bilhões) e viu 60 usinas paralisarem as atividades e 300 mil empregos serem perdidos desde 2008.

Houve ainda outras mudanças tributárias que favoreceram o etanol. Em Minas, por exemplo, o governo reduziu o ICMS do álcool, o que fez o setor ganhar novo fôlego neste ano. Graças a isso, fala-se inclusive de uma possível retomada dos investimentos na área.

Para Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste (associação dos plantadores de cana do Oeste de SP) e da Orplana (organização dos plantadores do centro-sul), os produtores decidiram lutar pela remuneração da biomassa por entenderem que “já há um grande número de unidades de cogeração e outras que não cogeram, mas vendem o bagaço para outras empresas”.

“Queremos entender melhor as questões relativas à biomassa e o evento [seminário] é um começo para isso. Daí a cogitar de valores vai um longo caminho a ser percorrido”, afirmou.

A ideia é que a energia entre nos cálculos do Consecana (Conselho dos Produtores de Cana de São Paulo). No conselho, os preços pagos pela cana levam em conta custos dos produtores e das indústrias e o resultado final das vendas de açúcar e etanol nos mercados interno e externo. Após análise desse conjunto de fatores, é definido o valor a ser pago pela tonelada de cana –hoje em R$ 53.

De acordo com Ortolan, os produtores querem saber se as usinas têm condições de pagar algum valor neste momento, em que ainda enfrentam crise. Hoje, cerca de 170 usinas geram energia elétrica a partir do bagaço da cana no país. A primeira foi a São Francisco, na própria Sertãozinho, em maio de 1987.

 

Fonte: (Folha de S. Paulo)

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