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Produtor quer mais biodiesel no diesel

As indústrias produtoras de biodiesel trabalham com ociosidade superior a 60% e têm condições de ampliar a oferta do produto rapidamente, caso o governo decida aumentar o percentual da mistura ao óleo diesel.

O cálculo é do presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella, que defende uma mistura imediata de 7% de biodiesel ao diesel.

A Aprobio pede uma revisão das políticas públicas para o setor. “A cadeia produtiva do biodiesel fez sua parte, investindo na produção. E neste momento estamos reivindicando um novo marco regulatório, que possa nortear o futuro dos investimentos em nosso setor”.

A Aprobio defende que a mistura do biodiesel ao diesel chegue a 20% em 10 anos. “Nossa proposta é que o governo promova o aumento para 7% já, passando para 10% no próximo ano e chegue a 20% dentro de 10 anos”, afirma Battistella.

“Já temos capacidade instalada para os 10% hoje e podemos elevar a mistura de forma gradual até 2020”, analisa Batistella.

A obrigatoriedade da mistura de biodiesel ao óleo diesel no Brasil existe desde 2008, quando foi estabelecido o percentual de 2%. Mas, em 2010, o governo decidiu antecipar a mistura para 5%, prevista inicialmente para entrar em vigor em 2013. “Crescemos rapidamente no biodiesel. a previsão era chegar à mistura de 5% somente este ano, mas já a temos há 3 anos”, lembra Battistella.

“E podemos avançar ainda mais, pois existe disponibilidade de matéria-prima, estamos prestes a colher uma safra recorde de soja. E mesmo assim, importamos muito combustível. Somente em 2012 foram quase US$ 20 bilhões de diesel comprados no exterior”, lamenta. Atualmente a soja responde por mais de 80% da matéria-prima para a produção do biodiesel.

Os números, disponibilizados no site da Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP), mostram que realmente a produção de biodiesel estagnou no Brasil. Enquanto o setor apresentava crescimento anual acelerado até 2010, quando houve um aumento de 50% na produção em relação a 2009, o volume de biodiesel permaneceu praticamente o mesmo entre 2010 e 2012.

Sem exportação

Apesar de haver demanda crescente no exterior, Battistella não vê as exportações como uma saída para o setor. “O custo Brasil é elevado o que tira nossa competitividade, embora exista um mercado em ascensão lá fora”, afirma.

Para ele, a saída é gerar demanda interna. E alerta para a possibilidade de empresas fecharem se nada for feito. “Se o percentual da mistura não for revisto, já neste ano poderemos ver indústrias fechando suas portas como tem acontecido com o etanol”.

Emissão

O biodiesel brasileiro produzido com soja reduz as emissões em 70%, no mínimo, em relação ao diesel fóssil, quando consumido dentro do País. Se entregue para consumo na Europa, emite entre 65% e 68% menos gases de efeito estufa (GEE).

A conclusão é de um estudo inédito encomendado pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja/MT) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). A pesquisa foi realizada pela Delta CO2, empresa incubada pela EsalqTec, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Apresentado à Casa Civil da Presidência da República, órgão coordenador do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), o estudo é mais um passo dos produtores de biodiesel para reforçar pontos positivos do biocombustível e apresentar ao governo vantagens da ampliação dos atuais 5% na mistura.

Entre os benefícios do uso do biocombustível incluem-se: redução dos impactos da poluição sobre a expectativa de vida da população, redução da dependência brasileira do diesel importado e geração de emprego e renda. Tudo isso com impacto pouco expressivo na inflação.

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