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Produção de cana precisa subir 150% para atender demanda

Com o intuito de alertar sobre o desabastecimento iminente de etanol nos próximos anos, levantamento da consultoria Datagro indicou que todo o setor sucroalcooleiro deve criar ações imediatas para recuperar a produção agrícola, expandir a capacidade de moagem, e preservar a frota de carros flex do País. Na década de 90, a falta de planejamento e estratégia a longo prazo provocou a decadência do setor.

Segundo a projeção realizada pelo presidente da empresa, Plínio Nastari, se 20% da frota brasileira usar etanol em 2020, o País necessitaria de uma produção de cana-de-açúcar superior a 960 milhões de toneladas.

“Caso o cenário seja esse, o Brasil precisaria ampliar sua produção de cana em mais de 70% nos próximos oito anos, passando dos 560 milhões de toneladas que temos hoje, para os 960 milhões de toneladas necessárias”, afirmou Nastari em seminário realizado em São Paulo.

Em uma projeção mais realista, caso 50% da frota nacional usasse etanol a produção necessária saltaria para 1,2 bilhão de toneladas, e com 80% dos carros usando o combustível verde, a produção teria de alcançar 1,43 bilhão de toneladas, aumento de 150% sobre a safra atual. “Caso a produção de cana não se amplie o suficiente, ou a capacidade de moagem não acompanhe a evolução da produção, a tendência nesse caso é que o Brasil caminhe para um cenário parecido com que vivenciamos nos anos 1990, logo após o plano Pró Álcool desabar, e a sua frota de veículos a álcool ser esmagada por carros a gasolina”, lembrou Nastari.

Para ele outro desafio é planejar e viabilizar a expansão da capacidade de moagem brasileira, que atualmente é de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, ou seja, apenas 125 milhões de vantagem para a atual produção do produto no País. “Uma usina leva em média até 3 anos para concluir a sua expansão. É claro que esse planejamento precisa ser feito agora, exatamente porque as demandas internas e externas por açúcar e álcool continuam crescendo” disse Nastari. “Essa expansão é fundamental nesse processo de planejamento para que seja viabilizada e mantida viva a demanda de hidratado para a frota flex, pois essa foi a grande conquista da ultima década”, emendou.

Nastari também lembrou a necessidade de incentivar o consumidor a continuar usando o etanol, criando inclusive alguns mecanismos como na nota fiscal paulista, que geraria um crédito adicional pelo uso do álcool. “Para incentivar o consumidor de etanol sem ferir a meta de inflação, a primeira maneira seria criar um mecanismo que pudesse reconhecer as vantagens econômicas e sociais desse produto. Alguma coisa como a nota fiscal paulista que pudesse gerar um crédito cada vez que um consumidor consumisse álcool, e isso poderia ser facilmente adaptado. Mas para isso precisaríamos de políticas publicas que reconhecessem o etanol como motor de desenvolvimento”, afirmou ele.

Um outro ponto levantado pelo analista é a redução de custos das usinas, não com corte de pessoal como aconteceu no passado, mas diminuindo os gargalos dentro das próprias indústrias. Pensando nisso, Nastari anunciou durante o seminário “Desafios até 2020 na Indústria de Açúcar e Etanol”, a parceria entre a Datagro e a consultoria PwC, para auxiliar empresas na gestão de custos industriais, agrícolas, tributários e administrativos, atuando no diagnóstico, desenvolvimento, implementação de melhorias e apoio à operação para empresas do setor sucroenergético.

Confiança

O Índice de Confiança dos Fornecedores do Setor sucroalcooleiro (ICFFS) ficou em 0,52 em agosto, ante 0,62 de junho, na quarta baixa consecutiva desde que o indicador começou a ser apurado, em fevereiro. O levantamento é do Núcleo de Pesquisas em Agronegócios da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (AgroFEA- USP/RP). O índice, apurado em pesquisa com 106 empresários ou gestores das indústrias de base da cadeia de açúcar e álcool, ainda é positivo, já que indicador acima de 0,50 mostra confiança do setor. Mas a confiança das indústrias fornecedoras foi inferior à geral, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com 0,56. Segundo o professor da FEA-USP Maurício Jorge Pinto, um dos coordenadores do estudo, além da incerteza econômica e da crise de oferta do setor sucroalcooleiro, com o impacto da quebra na safra na produção de açúcar e etanol, o fato de a indústria de base estar no piso da produção também influencia na redução do índice de confiança.

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