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Planejamento e eficiência contribuem para reduzir custos e perdas

Webinar indicou caminhos de gestão para otimização da produção agroindustrial

Tópicos relacionados à gestão de custos, com exemplos de controles e referências de perdas agroindustriais foram alguns dos assuntos debatidos durante o 2º Webinar Usinas de Alta Performance: Custos, Perdas e Gestão Agroindustrial. Com patrocínio da Pró-Usinas e S-PAA Soteica, o evento online foi realizado nesta quarta-feira (4).

Para Marcelo Annes, superintendente do Polo SP da Atvos, é fundamental medir adequadamente três pilares de gestão de custo para atuar corretamente. O primeiro se refere aos processos, que englobam procedimentos, ciclos de fechamento, orçamento, acompanhamento e PDCA. O segundo, são os sistemas que se referem às ERP’s, sistemas de orçamento e planilhas e o terceiro pilar trata das métricas pelas quais se identificam os CPC, os IFRS, as referências técnicas e os BMK.

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Um ponto importante destacado pelo superintendente se refere a como se organiza os processos em relação ao custeio. “Tem que ter uma clareza dos ciclos de fechamentos e do orçamento, o que vai garantir uma capacidade de aderência ao que a empresa se propôs a fazer”, afirma. Segundo ele, é difícil falar de gestão sem ter uma linha de base. “É preciso acompanhar o avançar do planejamento e fazer uma avaliação da aderência como fruto desse acompanhamento, rodar seu PCDA, ou seja, você começa a identificar desvios e como atuar para reverter algum cenário”, diz.

Ao citar indicadores que podem contribuir com a otimização de processos, Annes afirmou que o custo agroindustrial se compõe da seguinte maneira: 35% no CTT, 21% na lavoura, 19% em tratos, 13% com parcerias e 12% na área industrial e deu exemplos de como a gestão pode ajudar a mitigar os custos.

Marcelo Annes

A perda tem efeito maior quanto mais próximo da geração de valor, por isso, que, por exemplo, uma perda de RTC acaba tendo efeito até maior que uma perda de CTC, pois estamos falando de uma condição que a cana está pronta e dentro da usina”, explicou, afirmando que na hora de se tomar uma decisão para reduzir custo, tem que tomar cuidado e verificar se isso não terá impacto de receitas. “Às vezes, o molho sai mais caro que o peixe. Existe sempre uma pressão por ações de curto prazo, mas é preciso saber como isso pode afetar o longo prazo”, alertou.

 Importância do planejamento

Para Éder Paz, Controle de Qualidade da Usina São Domingos, o planejamento é muito importante para mitigar os custos e ser mais competitivo no mercado. “Em momentos de margens econômicas reduzidas. O papel fundamental do gestor é reduzir despesas, pois os custos sempre existirão, já que fazem parte da composição da cadeia de valor de um produto”, afirma.

Um dos exemplos dados pelo profissional é sobre o custo depreciação acelerada da colhedora, que chega a R$ 50,00 por hora. “O grande foco é manter este ativo o mais disponível possível e conseguir a sua capacidade máxima, com aproveitamento acima de 70%”, disse. Para medir esse processo, pode se usar as horas do elevador operando, que indicam se a colhedora está produzindo e quanto, ou se está somente funcionando e não colhendo. “Muitas vezes, este custo com depreciação não entra no planejamento e acaba não sendo apurado, aparecendo como custo indireto”, afirmou.

Eder Paz

Outro indicador apontado por Paz é o consumo de diesel litros/hora. “A ociosidade do equipamento está atrelada ao consumo de diesel, ou seja, se você tiver com o motor ligado, mas o equipamento não está produzindo, o número tende a aumentar, já que algumas usinas usam este número amarrado à produtividade. É preciso atentar para este ativo, que tem custo elevado, em torno de R$ 1,2 milhão e deprecia em um período muito curto”, analisou.

Paz citou ainda que o quanto maior o teor de ATR processado pela planta, menos vai ser o custo de processamento. “Com o mesmo custo, se eu utilizar somente a métrica “reais por tonelada de cana”, eu corro um risco grande de analisar e trocar alho por bugalho, principalmente dentro do benchmarking”, disse.

No caso do contrato Spot, o gerente alertou para a necessidade de se verificar se os custos empregados e os benefícios dessa negociação são atrativos para a empresa. “Tem que avaliar os custos por tonelada e produtividade”, afirmou.

 Cana Spot

De acordo com João Botão Rosa, professor e gestor de Novos Projetos do Pecege, a negociação spot é um ponto de atenção para as usinas. “Há dois grandes destruidores de valor no setor sucroenergético, que é a cana spot e o arrendamento. Servem para cumprir contratos comerciais só que é uma irrealidade, pois geram valor em um curto prazo, mas destroem a sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo. A meu ver, é melhor evitar e procurar ter bons contratos visando previsibilidade de ambos os lados”, alertou.

João Botão Rosa

Na ocasião, o especialista apresentou indicadores levando em consideração um levantamento de acompanhamento da safra 2019/2020 com informações de 50 grupos econômicos, representando 88 unidades agroindustriais, distribuídas em sete Estados do Centro-Sul brasileiro. Estas unidades foram responsáveis pelo processamento de, aproximadamente, 169 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, e  equivale a cerca de 31% da moagem do Centro-Sul na safra em questão. Os valores relacionados a entressafra não foram contabilizados, pois ainda não acabaram de coletar as informações, visto que a safra terminou em março, explicou.

Um dos indicadores mostrados foi o de perda na colheita em uma linha, que está na casa de 3%, variando a partir de 1,9%, conforme a eficiência da usina, diferentes cenários e possibilidades. “Para uma produtividade agrícola de 80 t/ha, a cada 1% de perda que se adiciona no processo de colheita, é deixado “no campo” 71 R$/há”, disse.

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Segundo ele, à medida que o percentual de perda na colheita aumenta até índices inaceitáveis e conforme a produtividade aumenta, o valor deixado no campo é maior. “Esse é o desafio: como fazer uma colheita e conseguir trazer a maior quantidade de cana possível. Ter uma perda zero é praticamente impossível, mas você pode minimizar isso e trabalhar em uma casa de eficiência que agregue ao seu processo”, explicou.

Na questão industrial, o especialista destacou dados sobre a performance das usinas que mostram dispersão maior, com unidades com índices altos e outras muito baixos, e neste caso, ele disse haver um potencial de ganho a se agregar ao processo. A eficiência das usinas, em média, hoje, é de 18,52% e o que mais impacta no dowtntime eficiência é a questão das chuvas. Como tem uma variação regional climática grande, a amplitude de valores acabou impactando diretamente. “Chuva é difícil de controlar, mas na parte industrial e agrícola, há potencial de melhoria”, disse, comentando ainda sobre a perda na extração, que pode chegar a 3,89%.

Inteligência artificial

Gilmar Galon

Gilmar Galon, gestor executivo Industrial da Bevap Bioenergia, ressaltou que é preciso levar em consideração que cada unidade tem suas premissas e é importante medir e saber quanto custa cada indicador, fazendo assim a gestão desses dados.

Destacou também o uso da inteligência artificial como ferramenta para auxiliar neste sentido. “O 4.0 veio para ficar e se torna cada vez mais necessário”, comentou. Segundo ele, a usina faz uso do S-PAA Soteica, uma plataforma de gestão industrial avançada, que auxilia nas tomadas de decisão de chão de fábrica, que são tomadas a partir dos dados disponibilizados online. “O sistema mostra os desvios e as soluções e isso ajuda muito a atingir as metas”, explicou.

Ao encerrar o webinar, Josias Messias, diretor do ProCana Brasil salientou que as apresentações deixaram claro que o custo é altamente suscetível à produtividade e à colheitabilidade, portanto, melhorar estes indicadores impactam diretamente no custo. Ele comentou que há usinas em situação difícil e outras em situação mais confortável porque conseguiram “hedgear” (contrato de proteção) bem o açúcar e podem passar mais tranquilamente a safra. “Quando se consegue “hedgear” preço e planejar melhor a produção é possível trabalhar com premissas mais seguras e não ter que fazer muitas adaptações de última hora”, disse.

Josias Messias

O diretor ressaltou também que, na área da indústria, é preciso pensar na capacidade instalada, na sua disponibilidade e na instabilidade de processo para evitar perdas e novos custos. “Às vezes, se investe uma fortuna na fermentação; a usina tem um processo de açúcar excelente, mas não tem estabilidade ou disponibilidade, então não adianta nada”, alegou.

Sobre o uso de inteligência artificial Josias destacou que a solução “desdobra a estratégia para a gestão e pode ajudar na correta identificação e tratamento das perdas, mas é preciso ter treinamento, capacitação e engajamento das pessoas para o processo ter resultados positivos”.

Para ele, as apresentações mostraram também que é preciso fazer o transbordo do que é operação agrícola e operação industrial para o efeito contábil. “Normalmente a gente trabalha focado na operação e esquecemos do impacto disso na última linha, que é lucro líquido. É preciso trazer esses indicadores para a gestão e operação para que isso fique mais claro”, concluiu.

Se perdeu o webinar ao vivo, clique para assistir no Youtube

 

O próximo webinar será realizado na próxima quarta-feira (10 de junho), às 18h30.

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