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Mercado de Açúcar: a barba ou a vida

O mercado de açúcar continua bastante técnico com enorme influência dos fundos. A semana fechou com alta entre 2,40 e 10,60 dólares por tonelada e paradoxalmente com um derretimento do spread maio/julho. Foram mais de 5 dólares por tonelada de alargamento. O que significa isso? Que ninguém quer receber açúcar.

A falta de demanda, o excesso de açúcar nos dutos do sistema e o alto estoque de passagem dão o tom largado do mercado físico. Mas, o futuro é outra coisa. O dólar fraco, a alta do petróleo quebrando sucessivos recordes e o milho idem, atraem os fundos para o açúcar como uma excelente oportunidade de se alavancar. Se alguém acha, no entanto, que esse mercado altista tem alguma coisa a ver com os fundamentos, é melhor procurar aconselhamento psicológico.

Em um mês o prêmio da 2009/2010 em relação à 2008/2009 subiu em média 15 dólares por tonelada. Bom para aqueles que ainda não pensaram em fazer o hedge de venda da outra safra que vem. As usinas devem, no entanto, se não fizeram o hedge ainda, pelo menos travar o risco de base, ou seja, a diferença entre o preço negociado no mercado físico e aquele negociado no mercado futuro.

Descontos razoáveis (5 a 10 abaixo, por exemplo) para 2009/2010 não nos parece uma má escolha. O perigo é ficar a descoberto e quando chegar o período de fixar o desconto deparar-se com os níveis de hoje, por exemplo. Lembre-se: usina também corre risco de base.

Chamou a atenção o volume de straddles negociados na semana. Straddle é a compra de uma put (opção de venda) e uma call (opção de compra) do mesmo preço de exercício, feita normalmente quando se estima que a volatilidade irá explodir e que os preços vão oscilar fortemente para uma das direções. Como a volatilidade está alta, assumir que ela pode subir mais é uma aposta arriscada principalmente porque quando se compra opções têm-se o tempo em contraposição.

Londres agoniza. Apesar da entrega de 135.000 toneladas no vencimento de Maio, a posição em aberto no contrato futuro de refinado em Londres está em irrisórios 56.650 lotes [menos de 3 milhões de toneladas]. Claramente houve uma forte migração dos hedges de açúcares cristais ensacados para NY.

As tradings tomaram alguns tombos no passado quando compraram cristais contra Londres quando o premio de branco estava bem estreito e quando ele começou a alargar descobriram que estavam pagando pelos cristais muito mais do que o custo do processo. Tombos levam as pessoas a andarem com mais cuidado e o efeito disso foi que Londres foi defenestrado.

Por outro lado, o incrível volume de NY, com seus mais de 25 milhões de contratos negociados em bases anuais, refletem não apenas os negócios de açúcar no mercado internacional, mas um enorme volume de hedge referente ao mercado interno de açúcar e também operações que mitigam o risco do etanol.

A Unica divulgou uma estimativa para a safra 2008/2009 no Centro-Sul de 498 milhões de toneladas de cana, um acréscimo de quase 16% em relação ao ano anterior. A produção de açúcar ficaria em 28,6 milhões de toneladas e a de etanol pularia para 24,3 bilhões de litros.

Os derivativos fizeram mais uma vitima. Segundo comentários no mercado, uma empresa de sementes de soja teria sofrido significativas perdas – mais de US$ 100 milhões – em operações de balcão de venda de volatilidade [leia-se, a venda de calls (opções de compra) e puts (opções de venda) do mesmo preço de exercício] referenciadas na Bolsa de Chicago.

Para operar volatilidade é preciso conhecer muito bem os conceitos e riscos envolvidos. É a velha máxima que sempre procuro passar nos Cursos da Archer Consulting, um derivativo é como uma lâmina, você pode se barbear ou se matar com ela.

Tenham todos uma ótima semana

* Arnaldo Luiz Corrêa é consultor da Archer Consulting – Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda. (Comentário Semanal – de 14 a 18 de abril de 2008)

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