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Doutores da Cana

Túlio Maurício Acioly Tenório preside o Conselho de Administração da Cooperativa Agrícola do Vale do Satuba (Copervales). Nascida com a participação de 110 produtores de Alagoas, a cooperativa possui cana em 18 mil hectares, 10 mil próprios e 8 mil da Usina Uruba, que em 2015 foi arrendada pela Copervales.

Qual o desafio atual da Copervales?

Buscar uma produção verticalizada. Para tanto, precisamos investir pesadamente nas práticas culturais adequadas para obter níveis de produtividade para cobrir os nossos custos de produção. Eles cresceram bastante ao longo dos anos, bem acima dos preços dos produtos.

Como tem sido a gestão da Usina Uruba?

Quando assumimos a Usina Uruba em 2015, hoje Copervales, o desafio maior foi recuperar a área agrícola da empresa, improdutivo e abandonado. Distribuímos as áreas com os nossos cooperados para que os mesmos os tornassem produtivos e um dos primeiros atos foi fazer um convênio com a Ridesa para encontrar as cultivares adequadas a nossa região, com características de resistência a seca, às pragas e doenças e com alta produtividade e alto teor de açúcar. Entendemos que por mais que se forneça o que a planta precisa, de nada adianta se mesma não tiver as características acima citadas. Hoje temos a nossa disposição a Torta de Filtro, que é distribuída aos nossos cooperados para que tenham condições de recuperar o teor de matéria orgânica de seus solos e proporcionar uma redução de custos com adubação química.

A Copervales possui também projetos de infraestrutura. Como são eles?

Aliado a isso tudo vamos agora trabalhar nos projetos de infraestrutura (barragens, eletrificação e irrigação) e com isso poderemos manter uma estabilidade de produção, que é o grande problema do Nordeste. Sem água na hora certa todo esse trabalho nosso não terá sucesso.

Qual a importância da nutrição via fundo de sulco e foliar?

A nutrição via fundo de sulco e foliar é uma ferramenta importante, porém para nossa condição climática a tomada de decisão do uso da nutrição complementar, principalmente via foliar, nem sempre nos proporciona o resultado satisfatório. Imagine aplicarmos via foliar numa cana estressada com doenças foliares, com certeza a nutrição via foliar não dará resultados esperados. Por isso vem a nossa preocupação em buscar as cultivares que, além das características acima citadas, sejam resistentes às principais doenças. E proporcionar as mesmas práticas e tratos culturais adequados fornecendo correção de solo, matéria orgânica, água e outros. Ou seja; precisamos oferecer as condições ideais para que a resposta ao uso da nutrição foliar seja assimilada pela planta de forma eficaz e satisfatória.

Quais suas considerações finais?

Nas minhas considerações finais, diria que o agricultor, e em especial os que produzem na Copervales, são altamente tecnificados e está no DNA de cada um a paixão e a persistência em produzir cana da melhor forma possível com tecnologia. Infelizmente nem sempre é possível implementarmos tudo aquilo que desejamos por conta da baixa remuneração dos últimos anos. Porém deixo aqui um alerta aos leitores do JornalCana, e em especial aos que produzem cana de açúcar no Nordeste, vamos fazer ver aos senhores governantes que este setor é de suma importância na geração de emprego e renda na zona da mata canavieira do Nordeste. O que falta são os governantes enxergarem esse setor com mais responsabilidade e que deem condições para continuar gerando riqueza e renda para nossos Estados e o nosso País.

Edição 299 – Dezembro

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