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Cresce projeção de vendas para o varejo

A contínua valorização do câmbio, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os efeitos das desonerações tributárias sobre alguns setores fizeram com que analistas revisassem para cima as projeções de crescimento das vendas do varejo neste ano.

A Gouvêa de Souza & MD subiu de 4% para algo entre 4,5% e 5% sua estimativa de expansão no faturamento desse setor. A Tendências Consultoria Integrada é ainda mais otimista e elevou a projeção de 4,5% para 5,4%. Mesmo que atinja esses números, o comércio não superará o incremento de 6,4%, registrado em 2006.

Alguns economistas, porém, acreditam que esse desempenho pode ser repetido. “Não vejo motivo para as vendas do varejo não crescerem tanto quanto no ano passado”, afirma Fernando Montero, economista-chefe da Convenção Corretora. Ele diz que a demanda tanto por itens que dependem de crédito como aqueles mais atrelados à renda continua bastante forte. Além disso, lembra que a melhora da atividade agrícola brasileira contribuirá muito para a expansão do varejo. Como os Estados do Sul vinham contribuindo negativamente para o desempenho do comércio, ainda que as vendas nesses locais não cresçam tanto, “vão deixar de derrubar a média do país”, diz.

Por conta do real ainda valorizado e do aprofundamento dessa valorização em relação ao dólar no início de ano, Maurício Moura, economista da Gouvêa, projeta agora aumento de 4% nas vendas do vestuário. Antes, a projeção estava em 3%. “As lojas estão aumentando a parcela de importados em seu mix de vendas e eles chegam com preços mais acessíveis.”

Mas não virá das roupas e dos calçados o principal impulso para o varejo. Por conta do ambiente favorável, as lojas de material de construção e as vendas de produtos de informática serão o destaque deste ano. Moura comenta que nos dois primeiros meses deste ano móveis e eletrodomésticos mostraram os melhores resultados em termos de crescimento em relação ao mesmo mês do ano passado: 24% em janeiro e 19% em fevereiro. Porém, o economista não acredita que esse movimento se sustentará, uma vez que boa parte da demanda por esses produtos foi suprida nos últimos anos.

Já o caso dos materiais de construção e dos itens de informática é diferente. Esses dois setores foram beneficiados por isenções e desonerações tributárias ao longo do ano passado. “Os efeitos dos impostos menores levam algum tempo para chegar aos preços praticados ao consumidor”, explica o economista.

Há ainda outros incentivos para esses ramos. No caso dos materiais de construção, o forte crescimento do crédito imobiliário ao longo do ano passado e a perspectiva de novos investimentos em infra-estrutura com o PAC trazem boas perspectivas. Moura ressalta que “em 2006, a carteira de crédito imobiliário dos seis maiores bancos do país avançou, em média 30%.”

Os computadores e outros itens de informática ficaram mais baratos devido à menor carga de impostos e também por contarem com itens importados em sua montagem, que, com a valorização do câmbio, passaram a custar menos. Há também o efeito da extensão dos prazos de pagamento nas lojas que oferecem esses produtos.

A revisão da previsão da Tendências ocorreu justamente pelo fato de os principais condicionantes do varejo estarem bastante favoráveis. “Crédito e renda continuam com desempenhos muito positivos e vão sustentar boas vendas no varejo”, avalia Alexandre Andrade, economista da consultoria. Segundo ele, as primeiras divulgações do IBGE sobre as vendas do setor surpreenderam positivamente. Em fevereiro, o volume de vendas do comércio cresceu 9,6% em relação a igual mês do ano passado, e 0,4% sobre janeiro de 2007.

No entanto, essa expansão ancorada em prazos mais longos para pagamento e adiamento da primeira prestação pode trazer dor de cabeça aos lojistas. Moura espera que as vendas de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos fiquem 6% maiores em 2007. É um número bom, mas bem menor do que o do ano passado, quando o aumento foi de 10,2%.

O crescimento dos chamados bens duráveis será menor, porque a base de comparação é fraca e porque a demanda por esses bens tem aumentado em ritmo mais lento. Além disso, o economista se preocupa com a elevação das taxas de inadimplência, que deverá ocorrer a partir do segundo semestre deste ano. “Como no Natal passado ocorreu um fenômeno novo, os lojistas deixaram os consumidores pagarem a primeira parcela de suas compras somente a partir de março, o avanço da inadimplência se dará com algum atraso, deve começar a aparecer a partir de julho”, estima Moura.

Um setor que também tende a andar em direção contrária a verificada em 2006 é o de combustíveis. No entanto, a mudança será positiva. Após amargar uma queda de 8% nas vendas de combustíveis e lubrificantes, as lojas desse ramo devem vender 2,5% a mais neste ano. Desde 2005, esse setor sofreu com a troca do uso da gasolina como combustível pelo álcool e pelo gás natural veicular (GNV). E, como a gasolina é mais cara que esses dois combustíveis alternativos, o setor teve queda no faturamento. “Boa parte da substituição já ocorreu e o setor está se adaptando a essa nova realidade”, comenta Moura.

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