Controle biológico se enquadra na ESG e aumenta demanda na utilização de microorganismos

O mercado de biotecnologia está aquecido e deve movimentar mais de 11 bilhões de dólares em 2025

As métricas da ESG também se estendem ao controle biológico e manejo integrado de pragas, devido ao seu forte apelo ambiental. A área de biológicos vem crescendo de forma exponencial. Em 2018, o mercado global movimentou cerca de U $4 bilhões de dólares e estima-se um crescimento de 16% ao ano, devendo movimentar em 2025 cerca de US$ 11 bilhões

O Brasil também vem acompanhando essa tendência, graças, entre outros fatores, à profissionalização da indústria de biológicos que vem apresentando resultados satisfatórios no controle de pragas e doenças.

O assunto foi tema da 3ª MARATONA CANABIO – 2ª SESSÃO – Controle Biológico & Manejo Integrado de Pragas, realizada em 04 de agosto, promovida pelo JornalCana.

Participaram deste webinar Elton Martins, gerente de cana na Agrobiológica Sustentabilidade; Guilherme Mantovani, especialista Corporativo em Manejo de Pragas e Doenças da Raízen; Lars Shcobinger, sócio diretor da Blink Strategies e Paulo Gutierrez, especialista em desenvolvimento técnico e experimentação agrícola da Tereos.

Elton Martins, gerente de cana na Agrobiológica Sustentabilidade

Com mediação do jornalista Alessandro Reis, do JornalCana, o evento teve patrocínio das empresas Agrobiológica Sustentabilidade, AxiAgro, Microgeo, HRC e Wiser.

Elton Martins, gerente de cana na Agrobiológica Sustentabilidade, uma das indústrias do setor, falou sobre a missão da empresa em oferecer soluções biológicas para um manejo mais seguro, eficiente e rentável.  “Nossos pilares foram selecionados para inovação, sustentabilidade com garantia de qualidade de todos os nossos processos e produtos e cada vez mais aumentar a segurança dentro dos empreendimentos agrícolas”, disse.

Com base nas metas ESG, Elton elencou alguns pontos importantes: Fixação de CO2 e fotossíntese; redução de emissões e qualidade do solo; ambiente regenerativo e longevidade dos canaviais; eficiências de fertilizantes e redução de custo; redução de emissões de óxido nitroso (N2O); longevidade de moléculas químicas e racionalização; menores riscos ambientais e para os colaboradores.

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Multibacter

Entre as soluções apresentadas pela empresa, no quesito cana-de-açúcar o carro chefe é o Multibacter.  Trata-se de uma tecnologia de produção própria chamada de “on farm”. Nós temos basicamente um biorreator e o meio de cultura e utilizamos diversos inóculos, espécies de bactérias para finalidades diferentes dentro do sistema de produção.

Guilherme Mantovani, ele é especialista Corporativo em Manejo de Pragas e Doenças da Raízen

Guilherme Mantovani, da Raízen, destaca que a empresa, além da questão ambiental, social e de governança vem trabalhando com a sustentabilidade no manejo integrado de pragas e doenças.

De acordo com Mantovani, na área de fitossanidades, a vinhaça vem ganhando cada vez mais um protagonismo na companhia em razão da sua multiutilidade dentro da lavoura, numa economia muitas vezes de adubo mineral. Servindo também como veículo para manejo de pragas e doenças. “Esse sistema conjugado que hoje a gente vem trabalhando, permite a aplicação de diferentes produtos sejam químicos ou biológicos de maneira segura, garantindo uma eficácia e eficiência agronômica muito maior do que os métodos convencionais no sentido do manejo”, disse.

Outro projeto que o especialista destacou nos tratos culturais é o sistema de corte de soqueira conjugado. “O sistema de aplicação está preparado para diversificar o uso de táticas e vazão no manejo de sphenophorus levis, com sistema individualizado 70/30. Isso nos dá uma flexibilidade muito grande e uma maior oportunidade de ganhos agronômicos no controle de pragas de modo geral”, explicou. Segundo ele, esses dois sistemas asseguram uma redução na reentrada na área, maximização da eficiência agronômica e uma redução de custos.

“Um terceiro projeto que a companhia vem conduzindo é a produção dos biodefensivos. Uma ala trata de microorganismos com um alvo específico e outra ala para aqueles mais generalistas. Ele tem o objetivo de complementar e potencializar os resultados agronômicos pretendidos no manejo de fitossanidades, fisiologia ou nutricional”, explica.

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Lars Shcobinger, diretor da Blink Strategies

Segmento em expansão

Lars Shcobinger, diretor da Blink Strategies, falou sobre o crescimento do mercado de controle biológico. De acordo com Lars, trata-se de um fenômeno de proporções globais. Em 2018, esse mercado movimentou cerca de U$3,8 bilhões e estima-se que em 2025 estas cifras estejam na casa dos US$ 11 bilhões.

“Existe uma grande pressão de consumidores cada vez mais preocupados com o consumo de alimentos produzidos basicamente com produtos orgânicos. Tem inclusive movimentos políticos importantes na França, Suíça e em alguns outros países da Europa, sinalizando a data limite para o uso de soluções químicas. Isso tudo abre uma fronteira muito favorável para produtos biológicos. E obviamente também, cada vez mais existem conhecimento e domínio técnico desses produtos. E tudo isso vai criando um momento favorável para o crescimento da adoção dessas soluções”, explicou.

Paulo Gutierrez, especialista em desenvolvimento técnico e experimentação agrícola da Tereos

Segundo Lars, o mercado on farm brasileiro está em plena expansão, puxado por grandes agricultores de soja, milho, algodão e também da cana. Entre os fatores que contribuem para esse crescimento estão o baixo investimento inicial, a baixa complexidade de produção, lembrando que o processo de fermentação é simples e entre grandes produtores a troca de informações é grande e em muitos casos com apenas um profissional dedicado na propriedade rural, já é possível promover a produção on farm. Ele elencou ainda a grande diferença de custo entre produtos industrializados e on farm, que variam de 400 a 1.000% e também a percepção de que os produtos on farm garantem a mesma qualidade dos produtos industriais.

Paulo Gutierrez, da Tereos, destacou a utilização dos drones no controle biológico e manejo integrado de pragas. “A liberação realizada pelo drone é automatizada, e georreferenciada, garantindo homogeneidade e rastreabilidade na aplicação, resultando em maior eficácia no controle. A mão de obra dentro de uma usina tem diversas demandas como levantamento populacional, acompanhamento de massa verde, uma capina manual, composição de uma rua, enfim, o drone libera essa mão de obra e a deixa disponível para outras atividades, além de proporcionar um maior rendimento operacional”, explicou.

 

 

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