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PIB do agro cresce no segundo trimestre e acumula alta de 0,5% em 2023

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apresentou avanço modesto de 0,27% no segundo trimestre de 2023 e, com isso, o crescimento acumulado no primeiro semestre de 2023 chegou a 0,50%.

O desempenho dos insumos (agrícolas e pecuários) foi impactado pela queda do valor bruto da produção de indústrias do segmento, pressionado sobretudo pelas desvalorizações de preços dos fertilizantes, defensivos e rações ao longo do segundo trimestre do ano.

No caso da cana-de-açúcar, a projeção de estabilidade do valor bruto de produção (0,05%) para 2023 reflete a maior produção esperada para o ano (6,90%) e os menores preços reais (-6,41%), na comparação entre janeiro a junho de 2023 frente ao mesmo período de 2022.

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De acordo com a Conab, a maior produção decorre das boas perspectivas sobre a produtividade na maior parte das regiões produtoras, uma vez que houve redução da área destinada à cultura. Segundo a Estatal, as condições climáticas para a safra atual têm se mostrado ainda mais favoráveis em comparação com a safra anterior.

Já o PIB da agroindústria brasileira teve aumento modesto de 0,38% no segundo trimestre; acumulando avanço de 0,53% no primeiro semestre do ano (Tabelas 1 e 2). Para a indústria de base agrícola, o crescimento de 0,23% do PIB no segundo trimestre resultou em alta acumulada de 0,70% nos seis primeiros meses de 2023.

Na indústria agrícola, o PIB cresceu sobretudo devido à redução de custos com insumos, tendo em vista que a produção industrial registrou crescimento apenas modesto e os preços dos produtos caíram. Especificamente, quanto ao valor bruto da produção, espera-se queda de 4,37% no ano, com preços médios 4,76% menores e expectativa de aumento da produção em 0,40% – em média, para o segmento.

No caso do açúcar, a expansão esperada de 21,80% no valor bruto da produção anual é resultado tanto da produção esperada 10,41% maior quanto dos preços 10,31% maiores na comparação entre semestres iguais.

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De acordo com a Conab, tem havido maior direcionamento de Açúcar Total Recuperável (ATR) para a produção de açúcar, tanto pelo fato de os fabricantes terem que cumprir os contratos comercializados antecipadamente, quanto pela queda de competitividade do etanol em relação à gasolina na maioria dos estados brasileiros.

Além disso, a demanda externa tem se mantido aquecida, pois os principais países concorrentes (Índia, Tailândia e Austrália) não têm conseguido aumentar suas ofertas. Todos estes fatores tornam a produção do adoçante mais atrativa.

Segundo a equipe Açúcar/Cepea, no primeiro trimestre do ano, os preços caíram devido à baixa demanda – muitos compradores estavam abastecidos para o período, por meio de estoques ou recebendo o açúcar contratado anteriormente –, enquanto a oferta de açúcar disponível para vendas adicionais foi limitada, especialmente para os tipos de melhor qualidade.

No mercado internacional, os valores do demerara mantiveram-se fortalecidos no período, com perspectiva de baixa oferta mundial no curto prazo. A Índia e a União Europeia devem produzir menos açúcar que o indicado nas projeções iniciais, enquanto a demanda por açúcar da China deve se recuperar. Já no segundo trimestre, as cotações foram impulsionadas pela baixa disponibilidade do açúcar no mercado spot – mesmo que a demanda não tenha sido aquecida –, e o ritmo lento das negociações.

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Com relação à produção de biocombustíveis, o menor valor bruto da produção esperado (-14,75%) decorre dos preços reais menores na comparação entre janeiro a junho de 2022 e 2023 (-21,03%), contrapondo-se ao aumento esperado na produção anual (7,94%), mesmo com a predileção das usinas pelo açúcar. Destaca-se que o grande responsável pela maior produção é o etanol de milho – que deverá ter a produção acrescida em 42%.

Para os preços, de acordo com a equipe Etanol/Cepea, embora tenham subido na última semana de janeiro – após o anúncio da Petrobras de reajuste da gasolina nas refinarias, o que levou algumas distribuidoras a participarem mais ativamente das compras –, não foi suficiente para reverter as fortes quedas registradas nas três semanas anteriores.

Assim, mesmo janeiro sendo caracterizado pela entressafra, o mês fechou com os valores acumulando queda. Já em fevereiro e em março, houve baixa liquidez dada a pequena diferença absoluta de preços entre a gasolina C e o etanol hidratado, que deixou o biocombustível em desvantagem nas bombas. O segundo trimestre foi marcado por flutuações nos volumes negociados e nos preços devido às variações na demanda e nas condições climáticas e mudanças tributárias.

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Em abril, os preços foram impulsionados pela combinação de demanda aquecida e da oferta limitada, que se deveu aos baixos estoques e impactos das chuvas nas usinas. No mês de maio, a vantagem comparativa de preços da gasolina C frente ao de etanol hidratado nas bombas das principais cidades consumidoras de combustíveis contribuiu para o aumento da demanda pelo anidro no elo produtor.

Houve ainda aumento significativo das negociações devido à proximidade da mudança tributária no regime monofásico. Por fim, em junho, os preços foram pressionados pelo menor volume negociado – reflexo da expectativa de aumento nos impostos, mudanças nas alíquotas de ICMS e redução do preço da gasolina nas refinarias.

 

 

 

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