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Paralisações e bloqueios em rodovias continuam e devem se intensificar nesta quarta-feira

Manifestação está sendo organizada para o feriado de Finados

(Divulgação Reuters – Agência Brasil)

As paralisações e bloqueios em rodovias de todo o país, em repúdio à vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continuam nesta terça-feira (1º), e devem se intensificar nesta quarta-feira (2), com uma nova manifestação, mesmo com a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as polícias militares “tomem todas as medidas necessárias e suficientes” para a “imediata desobstrução de todas as vias públicas que, ilicitamente, estejam com seu trânsito interrompido”.

Em nota, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) disse estar monitorando o movimento dos caminhoneiros e está atenta às manifestações, acompanhando os possíveis prejuízos à cadeia produtiva da agropecuária e ao abastecimento de alimentos a toda a sociedade, que depende do transporte e logística.

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“O acesso dificultado em vias essenciais pode prejudicar a entrega de produtos perecíveis, colocando em risco à distribuição de gêneros alimentícios e as atividades econômicas. A FAESP respeita o direito constitucional de manifestação, mas entende que as ações devem ser pacíficas, de modo a não prejudicar o direito de ir e vir da população e o agronegócio brasileiro e paulista, essenciais para o desenvolvimento do país”, afirma Fábio de Salles Meirelles, presidente da FAESP no comunicado.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística, entidade nacional que congrega as empresas de transporte rodoviário de cargas ressaltou que não apoia o movimento.

“Espera-se que prevaleça o bom senso e o interesse maior de todo o povo brasileiro e de todos os agentes econômicos e produtivos, a imediata normalidade das atividades econômicas, a livre circulação de pessoas e bens fundamentais ao desenvolvimento do país”, disse Francisco Pelucio, presidente da NTC&Logística.

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou e alerta para o iminente risco de desabastecimento e falta de combustíveis, caso as rodovias não sejam rapidamente desbloqueadas. As indústrias já sentem impactos no escoamento da produção e relatam casos de impossibilidade do deslocamento de trabalhadores.

Dados da CNI mostram que 99% das empresas brasileiras usam as rodovias para transporte de sua produção.

“O setor industrial se posiciona contrariamente a qualquer movimento que comprometa a livre circulação de trabalhadores e o transporte de cargas, e que provoque prejuízos diretos no processo produtivo e na vida dos cidadãos – os mais impactados com essa situação. O direito constitucional de ir e vir dos brasileiros precisa ser respeitado. A CNI é veementemente contrária a qualquer manifestação antidemocrática que prejudique o país e sua população”, ressaltou.

Paralisação mais longa dos caminhoneiros foi em 2018 e durou 10 dias

A maior greve dos caminhoneiros da história ocorreu em 2018 e durou 10 dias. Na ocasião, a categoria pleiteava o aumento do valor do frete para compensar a alta do diesel. A greve dos caminhoneiros gerou impacto direto do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho. Antes do movimento, a projeção de inflação era de 0,22%. Porém, o resultado final foi de 1,26%. O resultado de julho também ficou acima do esperado, alcançando 0,33% ante os 0,22% projetados.

Outro reflexo negativo foi o desabastecimento dos postos de combustíveis, formando enormes filas de carros. A crise foi tão intensa que apenas 15% dos postos estavam sendo reabastecidos no Rio de Janeiro e 12% na Grande São Paulo. Também foi registrado aumento no valor dos combustíveis em todo o país.

Em coletiva de imprensa, o diretor de Inteligência da PRF, Luís Carlos Reischak Júnior disse que, dessa vez, a crise se escalou muito rápido. Ele afirmou que vários cenários foram projetados, independente de quem vencesse as eleições “mas não tínhamos nenhum elemento que indicasse uma crise desta envergadura”.

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Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de vários ministros, fala com a imprensa no Palácio da Alvorada (Agência Brasil) 

Fábio Pizzamiglio, diretor da Efficienza, empresa especializada no comércio exterior, afirma que os bloqueios também geram impacto no comércio exterior do país. O executivo afirma que o Brasil é muito dependente da sua malha rodoviária, sendo que cerca de 65% do transporte de cargas do país passa por essas estradas e, por este motivo, o problema é ainda mais grave.

“Com os bloqueios, o fluxo normal de caminhões é interrompido. As cargas que deveriam chegar aos seus destinos deixam de ser entregues. É um problema em cadeia, que impacta diretamente o consumidor final. Com o desabastecimento dos produtos no mercado, a tendência é de que os preços comecem a subir”, explica o executivo.

Em seu primeiro pronunciamento após as eleições, realizado na tarde desta terça-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro agradeceu pela votação recebida, sem citar o presidente eleito. Ele também comentou sobre as paralisações.

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“Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição do patrimônio e direito de ir e vir”, afirmou.

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