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Você tem experiência?

Recentemente ao ler a publicação de Airton Carlini, “Gestão de Pessoas deve ser reinventada”, chamou-me a atenção sobre a problemática da gestão e em particular as gestões de RH. Em uma atualização no Linkedin postei Ariano Suassuna, onde o mesmo criticava as exigências atuais das qualidades de um candidato a uma vaga, colocando em dúvida até a capacidade do dono da empresa ter sucesso a mesma.

Realmente, devemos repensar o caminho a ser trilhado por modismo, pois estamos criando geração de “especialistas” e deixando de ter o “generalista”, ficando a empresa com uma maior concentração de pessoas impactando em maiores custos e menores salários. Isto sem falar na enxurrada de cursos ofertados e criando um mercado paralelo ao qual temos que acompanhá-los para ficar competitivo no mercado formal de emprego.

Em um processo recente da Wolkswagem com o tema da redação: Você tem experiência? Surgiu um candidato com uma excelente redação que em minha opinião está dando “certo” puxão de orelha no RH. Transcrevo abaixo a mesma e peço sua leitura e reflexão.

Você tem experiência?

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar,
Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos. Já peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas, Já escrevi no muro da escola,
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas, sentindo falta de uma só.
Já vi o por do sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro,
Já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua.
Já gritei de felicidade. Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um ‘para sempre’ pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: ‘Qual sua experiência?’. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência… experiência… Será que ser ‘plantador de sorrisos’ é uma boa experiência? Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? ‘Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?’.

Desnecessário dizer que foi contratado.

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