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Visita de Lula leva pouco avanço ao comércio

Índia e Brasil participam de forma coordenada, pela primeira vez, nesta semana, da reunião do grupo dos países mais poderosos do mundo, o G-8, com cinco países em desenvolvimento, na Alemanha. A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Índia, encerrada ontem, serviu para que o governante brasileiro e o primeiro-ministro indiano acertassem os pontos de vista em relação a temas como o combate ao aquecimento global sem ameaçar o desenvolvimento dos países emergentes e com incentivo ao uso de biocombustível.

Ontem, ao avaliar os resultados da visita à Índia, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que Lula defenderá, se tiver oportunidade, que G-8 apóie a doação de recursos dos países ricos aos países em desenvolvimento capazes de deter o desmatamento de suas florestas. No caso do Brasil e de alguns países maiores, o ideal é que esse recursos sejam concedidos na forma de projetos de desenvolvimento sustentável, para geração de empregos e renda nas populações das regiões de floresta, defendeu Amorim.

“Para países mais pobres, o simples pagamento da compensação, como se fosse uma taxa, poderia ajudar”, comentou o ministro. “Nossa idéia básica é que (ao se manter a floresta em pé) se está prestando um serviço, e ele deve ser remunerado”, disse. “Se se pedir aos produtores de petróleo para se manter o óleo no fundo do poço, tem de haver compensação”, comparou.

Amorim, porém, disse não ver necessidade de um pedido de governos como o do Brasil para participar formalmente de todas as reuniões do G-8. “Não temos de mendigar para fazer parte da mesa dos poderosos”, desdenhou.

Os governos discutem a organização formal dos contatos entre o G-8 e os cinco países em desenvolvimento que estarão na reunião desta semana, informou o ministro. “Há uma proposta da Alemanha para um diálogo estruturado entre o G-8 e o G-5, até com apoio de algum secretariado internacional”, comentou

Nos próximos dias, o Brasil tentará consolidar a visão de que a disseminação do uso do etanol como combustível é uma das maneiras mais eficientes de combate as danosas emissões de carbono na atmosfera e ao aquecimento global. A extensão do cultivo e produção de biocombustíveis nos países pobres da África pode trazer prosperidade econômica a essas nações, defenderão Lula e Amorim.

Embora o encontro entre Lula e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh não tenha sido suficiente para firmar uma posição de consenso entre Brasil e Índia a respeito dos passos a tomar na negociação da OMC, para abertura comercial e fim de distorções no comércio agrícola, Amorim garante que há forte coordenação entre Brasil e Índia na tentativa de extrair concessões dos países ricos, na redução de subsídios e barreiras que distorcem o comércio. “Foi isso que trouxe a rodada (de negociações da OMC) até aqui”, comentou, dizendo-se ainda otimista com a possibilidade de conclusão de um acordo de liberalização de comércio ainda neste ano.

Amorim encerrou a visita à Índia satisfeito com a aliança entre os dois países, mas reconheceu o incômodo do governo brasileiro com o atraso na aproximação comercial e econômica bilateral, como noticiou ontem o Valor.

Quase não houve demandas por parte dos empresários brasileiros, devido à pequena importância do mercado indiano para os planos de negócio da maioria das companhias, admitiu o ministro. “A aproximação política está mais forte, a econômica é que tem de chegar lá”, comentou. Ele minimizou o impacto que o estreitamento político e comercial entre Brasil e índia poderá trazer para as relações brasileiras com um grande parceiro de ambos os países, a China, praticamente ignorada nos discursos de Lula em Nova Déli, apesar da vizinhança do país com a Índia.

“Do nosso ponto de vista, nossa relação com a China está bem colocada, o comércio está em quase US$ 20 bilhões, não há necessidade de esforço extraordinário do governo”, avaliou Amorim, ao lembrar que a China é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, só atrás dos Estados Unidos e da Argentina. “Com relação à Índia, é o contrário: percebe-se que é um parceiro com enorme potencial e as coisas não estão caminhando ainda na medida do que poderiam”, lamentou.

O maior interesse indiano pelas relações com o Brasil foi evidente, como se pôde constatar na formação do fórum de altos executivos dos dois países, criado para verificar os obstáculos à aproximação comercial e econômica entre os mercados brasileiro e indiano. A lista dos dezessete executivos da parte indiana contém ocupantes do mais alto posto nas companhias e alguns dos maiores milionários do país, como o dirigente do grupo Tata, Ratan Tata, que preside o fórum pelo lado da Índia. A relação dos brasileiros é presidida pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

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