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Vice de Marina é deputado do PSB ligado a agronegócio

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O PSB indicou nesta terça-feira (19) o deputado federal gaúcho Beto Albuquerque, 51, líder do partido na Câmara, para a vaga de vice na chapa de Marina Silva, que nesta quarta assumirá oficialmente a candidatura à Presidência pelo partido, após a trágica morte de Eduardo Campos em um acidente de avião.

O escolhido tem afinidade com o agronegócio –empresas do ramo estiveram entre as principais doadoras de suas últimas duas campanhas– e trabalhou, na gestão Lula, pela edição de medida provisória que liberaria o plantio de soja transgênica.

Naquela época, Marina era ministra do Meio Ambiente e criticava a iniciativa.

O presidente do PSB, Roberto Amaral, que anunciou a indicação do vice, disse que a viúva Renata Campos era a candidata “dos sonhos”, mas recusou a indicação para se dedicar aos filhos.

Integrantes do PSB de Pernambuco queriam uma liderança estadual como vice. Próximo à família do ex-governador e com apreço de Renata, o ex-secretário do governo de Campos Danilo Cabral chegou a ser considerado.

A cúpula do PSB, porém, optou por Albuquerque por acreditar que ele terá melhores condições de representar os interesses da sigla no debate com o grupo de Marina, a Rede Sustentabilidade.

Com base eleitoral no noroeste gaúcho, onde a agricultura sustenta a economia, ele defendeu interesses de cerealistas e empresas de celulose no Congresso.

Na eleição de 2010, companhias de sementes, beneficiadoras de grãos e empresas como a Celulose Riograndense e a Klabin compuseram metade das receitas do deputado gaúcho na campanha.

Suas últimas campanhas para deputado também receberam contribuições de uma empresa de defensivos agrícolas, de uma indústria de armas e de uma cervejaria.

O estatuto da Rede, de Marina, veda a arrecadação de doadores desses três ramos.

O deputado, ao mesmo tempo, também mantém vínculos com agricultores familiares do Estado. Albuquerque já foi duas vezes secretário de governos petistas no Rio Grande do Sul. Na última passagem, de 2011 a 2012, comandou a pasta da Infraestrutura e ajudou a criar a estatal de pedágios idealizada pelo governador Tarso Genro.

Deixou o cargo, se afastou do PT e ajudou Campos a ensaiar em 2013 uma aproximação com a senadora Ana Amélia Lemos, candidata do PP e ligada ao agronegócio.

Marina pressionou contra o acordo e o pernambucano acabou fechando coligação no Estado com o PMDB, do senador Pedro Simon. Ainda assim, Albuquerque e a ex-senadora tem boa relação.

Filiado desde os anos 80 e um dos principais articuladores da pré-campanha de Campos, é visto por correligionários como nome com forte vínculo com a história do PSB e com o ex-governador morto.

O primeiro ato de campanha dele com Marina deve ser uma caminhada no Recife, no fim de semana.

O economista Eduardo Giannetti, conselheiro da candidata, defendeu nesta terça ajuste rápido dos preços das tarifas públicas no ano que vem. “Quando o carimbam como tarifaço´ soa como maldade, uma maldade contra a população. Maldade será quando faltar energia ou quando o setor de etanol quebrar e despedir centenas de milhares de pessoas.”

*Texto escrito por Bernardo Mello Franco, Daniel Carvalho, Felipe Bachtold, Gabriela Guerreiro, Mariana Carneiro, Mariana Haubert, Marina Dias, Natuza Nery, Paulo Gama e Ranier Bragon.

Fonte: Folha de S. Paulo

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