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“Vender as usinas de cana não é prioridade agora”, afirma diretor da Abengoa

Em entrevista para o Portal JornalCana, o diretor e porta-voz da Abengoa Bioenergia S.A, Rogério Ribeiro Abreu dos Santos, revela que as ofertas pela compra das usinas de cana-de-açúcar controladas pelo grupo são diárias. “Mas vender [as unidades] não é prioridade agora”, afirma. 

abengoaControladora das usinas de cana-de-açúcar São Luiz, em Pirassununga (SP), e São João, em São João da Boa Vista, a Abengoa Bioenergia S.A, braço do grupo espanhol Abengola, convive com os problemas financeiros agravados no ano passado com a matriz.

Leia mais: Crise da Abengoa na Espanha é ameaça à energia no Brasil 

 

 

 

Mas as usinas sucroenergéticas paulistas vão bem e, apesar das ofertas por compradores, o objetivo, agora, é viabilizar as operações das unidades para o futuro.

Quem garante é Rogério Ribeiro Abreu dos Santos, diretor das duas usinas paulistas. Na entrevista a seguir, ele comenta sobre a safra 2016/17 das unidades sucroenergéticas, como está a relação com os fornecedores de cana e de serviços e explica como está o projeto de etanol celulósico da Usina São Luiz.

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Venda das usinas

Portal JornalCana – A imprensa internacional divulga que a Abengoa colocou a Abengoa Bioenergia à venda por 1 milhão de euros. E que esse dinheiro ajudaria a companhia espanhola a enfrentar os problemas financeiros. As usinas São Luiz e São João estão mesmo à venda?

Rogério Abreu dos Santos – A venda não existe. Este tipo de atitude [divulgar a venda pela mídia] não faz sentido. Evidente que as ofertas [pela compra das usinas] estão chegando. A ideia é conferir essas ofertas, mas vamos deixar as coisas se acertarem. A venda não é assunto prioritário. Queremos viabilizar as usinas para o futuro.

As ofertas de compra são estudadas?

Rogério Abreu dos Santos – Sim. Elas são estudadas. Mas [vender] não é assunto prioritário.

 

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Andamento da safra

Qual é a prioridade atual para as usinas de cana São Luiz e São João?

Rogério Abreu dos Santos – Hoje em dia o trabalho mais importante é preparar as usinas para a safra 2016/17. Foi feito planejamento para as duas unidades. Por conta das chuvas do fim do ano, a Usina São Luiz, em Pirassununga, continuou a moagem de cana-de-açúcar neste mês de janeiro e seguirá moendo em fevereiro.

Processa cana bisada?

Rogério Abreu dos Santos – É cana que sobrou, porque não foi possível fazer a colheita e a moagem, e também matéria-prima já entregue por fornecedores. Devido ao ATR muito baixo, e porque o mercado oferece liquidez mais rápida, e oferece preços favoráveis, estamos produzindo só etanol nestes dois primeiros meses do ano na São Luiz.

Qual tipo de etanol?

Rogério Abreu dos Santos – Fazemos o anidro e o hidratado, mas mais o hidratado, pela melhor condição de liquidez.

Qual a moagem de cana prevista para janeiro e fevereiro na Usina São Luiz?

Rogério Abreu dos Santos – A perspetiva é moer 300 mil toneladas de cana.

 

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Manutenção

No planejamento da Abengoa, como está a Usina São João?

Rogério Abreu dos Santos – Paramos a safra na unidade. Ela entrou em manutenção no fim de dezembro e isso vai até o fim de fevereiro. Daí ela entra em safra em março, enquanto a São Luiz irá parar para manutenção. A São Luiz deverá iniciar a safra 16/17 em maio próximo.

 

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Balanço da safra 15/16

Como foi o resultado da safra 15/16?

Rogério Abreu dos Santos – As duas usinas de cana moeram 5,826 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A produção foi de 460 mil toneladas de açúcar, 195 milhões de litros de etanol e uma geração de 425 mil megawatts (MW) para exportação. No total, geramos 640 mil, incluindo energia para consumo próprio. Operamos 85% da venda de eletricidade por contratos e 15% vão para o mercado spot.

 

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Previsão para a safra 16/17

Rogério Abreu dos Santos – Para a safra 16/17, decidimos trabalhar o mesmo volume de cana processado na 15/16. Não queremos criar muita expectativa. O que conseguirmos mais de forma positiva será ótimo. Como as duas usinas são açucareiras por tradição, deveremos operar o mix com 60% para açúcar e 40% para etanol.

 

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Safra 17/18

Rogério Abreu dos Santos – A meta é ampliar a oferta de cana-de-açúcar para a safra 17/18, para chegar a uma moagem de 6 milhões de toneladas. Esse avanço será por renovação e ampliação de canaviais.

 

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Relação com fornecedores

Rogério Abreu dos Santos – Da cana processada pelas usinas da Abengoa Bioenergia, entre 70% e 75% são de parceiros de arrendamento e os 25% restantes são de fornecedores. Os acertos e acordos com eles estão sendo colocados. Todo plano de negociação está sendo apresentado, com retorno positivo. Grande parte deles nos ajuda. Sabemos que neste negócio a cana é fundamental. Sem cana, não se sobrevive. Dentro do nosso plano estratégico, o cuidado não é só acertar o passado, mas também o futuro. Trabalhamos com um plano de 10 anos para os fornecedores de cana e de serviços. As operações das usinas vão continuar.

Leia mais: Abengoa anuncia ações para sanar problemas com fornecedores

 

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Etanol celulósico

Rogério Abreu dos Santos – Desde 2013 trabalhamos com a palha da cana-de-açúcar, com o principal objetivo do nosso projeto de etanol de segunda geração. Há a intenção de montar uma usina 2G junto a usina de cana São Luiz. A meta é fazer 65 milhões de litros de etanol apenas com a biomassa da palha. Estamos prontos em termos de engenharia, as licenças estão todas fornecidas. Por isso já colhemos 60% da palha da cana e deixamos 40% no campo em função das impurezas. A palha recolhida hoje é queimada para também gerar energia.

Leia mais: Em crise, Abengoa tem R$ 309 milhões do BNDES para etanol celulósico

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