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Vale vai operar megatrem de 330 vagões

Já opera experimentalmente, para treinamento dos maquinistas, a composição ferroviária listada entre as maiores do mundo, dotada de 330 vagões e quatro locomotivas. Com 3,5 quilômetros de comprimento, o megatrem, que leva 34 mil toneladas de minério, a partir de maio entrará em ritmo normal de operação na linha de bitola larga da Estrada de Ferro Carajás (EFC), pertencente à Cia. Vale do Rio Doce (CVRD).

A informação foi antecipada à Gazeta Mercantil pelo diretor de Planejamento e Desenvolvimento Logístico da Vale, Mauro Neves, para quem o salto de produtividade da ferrovia se insere no contexto de um sólido programa de crescimento orgânico da companhia, que prevê, para as reservas de Carajás, uma produção de 225 milhões de toneladas em 2012, mais do dobro em relação ao previsto para 2008, de 100 milhões de toneladas.

Um lote de mil vagões está sendo incorporado à frota da EFC, comprado junto à Maxion. “Com essa aquisição – e outra, anterior, de 800 unidades – a frota de Carajás sobe para 11 mil vagões e ajuda a viabilizar a formação de trens de 330 vagões previstos em nosso plano de logística para dobrar o volume de ferrovia”, disse o executivo. O megatrem, que fica perto do recorde mundial – que teria sido obtido por composição da BHP Billiton, da Austrália, com 336 vagões – vai superar dois recordes anteriores da Vale, o trem de 240 vagões da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM), outra ferrovia da empresa, e a atual composição da EFC, de 220 vagões.

Segundo Mauro Neves, o importante em linhas de grande capacidade como a EFC é se operar trens maiores com menos freqüências – o que ajuda a descongestionar a via e a aumentar a produtividade. “Estamos empenhados igualmente em reduzir o consumo de combustível e de poluentes”, ressaltou, para exemplificar. “Nossas locomotivas, embora no momento operem com 2% de biodiesel, já estão preparadas para receber 20% do biocombustível, o que, aliás, já fizemos na prática com sucesso.”

Maquinistas treinados

Os preparativos para operar a megacomposição de 330 vagões, puxada por quatro locomotivas (com motorização de 4 mil hp cada máquina) envolvem a capacitação dos operadores. “Estamos no processo de treinamento de 300 maquinistas. Para isso, temos operado experimentalmente”, disse Mauro Neves. “Em paralelo, estamos empenhados em duplicar, até 2011, o leito da EFC”.

O impulso integra um projeto de apoio logístico ao programa de expansão programada na produção de minério de ferro da Vale. Nesse sentido, além do investimento para dotar a EFC de capacidade para transportar 225 milhões de toneladas, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) está sendo preparada para movimentar 135 milhões de toneladas por ano.

Simultaneamente, a Vale expande seus terminais marítimos, de Ponta da Madeira (MA), para embarcar 215 milhões de toneladas por ano (trazidas pela EFC), e de Tubarão (ES), para embarcar 120 milhões de toneladas do minério (pelos trilhos da Vitória Minas). A Vale também opera e embarca minério de ferro nos terminais marítimos da Ilha de Guaíba e Itaguaí, localizados no Rio.

Para fazer frente à expansão, a Vale programou para 2008 investimentos em logística de US$ 1,87 bilhão em 2008, valor que representa 17% de todo o orçamento da empresa, de US$ 11 bilhões.

Certamente o maior investidor em logística do País, a Vale, com a adição de US$ 1,87 bilhão, completa inversões de US$ 5,15 bilhões no período compreendido entre 2003 a 2008. Ano passado, dos investimentos públicos e privados em portos e ferrovias no Brasil, a empresa informa ter respondido por 65% do total.

Renascimento da indústria

No período de 2003 a 2007, outro exemplo do dinamismo da logística da empresa, seu investimento em vagões, de US$ 722 milhões, representou a compra de 16 mil unidades (92% fabricadas no Brasil). Isso representou mais da metade dos negócios com vagões. “Nossa atuação tem contribuído para o renascimento da indústria nacional de equipamentos ferroviários”, enfatizou o diretor Mauro Neves.

Além das ferrovias Carajás e Vitoria Minas, a Vale programou outros investimentos em trilhos. Na Ferrovia Norte-Sul (FNS), por exemplo, da qual obteve em outubro último sub-concessão de 720 quilômetros, adicionará 361 quilômetros à malha. A ferrovia tem como objetivo escoamento de carga geral para exportação, principalmente grãos. O total de investimento programado (concessão mais investimentos) ao longo de 30 anos é de US$ 2 bilhões.

No trecho chamado de Litorânea Sul, a Vale prevê construção de 165 quilômetros de extensão para conexão da Vitoria Minas ao porto capixaba de Porto de Ubu. Trata-se de empreendimento descrito como alternativa de escoamento de produtos siderúrgicos e carga geral. O investimento programado é de US$ 500 milhões ao longo de 30 meses

Receita de US$ 1,5 bilhão

A Vale, embora não contabilize separadamente o transporte dos minérios como receita, considera a carga para terceiros, a chamada carga geral, como receita de logística. Essa carga, formada, entre outras, por produtos siderúrgicos, gusa, calcário, produtos agrícolas, cimento, celulose, produtos químicos, responderam em 2007 por uma receita bruta superior a US$ 1,5 bilhão – equivalente a 4,6% da receita bruta total da companhia, de US$ 33,115 bilhões.

As ferrovias da Vale – que inclui ainda a FCA, privatizada no final da década de 90 – estão entre as mais bem operadas do mundo. O fato de transportar minério, produto historicamente de baixo valor, contribuiu sobremaneria para a afinação operacional, até porque, como gostava de repetir Eliezer Batista, um dos ex-presidentes da Vale, “minério sem logística é pedra”.

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