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Usinas estão levando seu ritmo de moagem ao máximo

O Centro-Sul produziu, até agora, mais de 19 milhões de toneladas de açúcar

“A safra 2023/24 do Centro-Sul do Brasil está 50% concluída, com produção de 19,2 milhões de toneladas de açúcar. É a segunda maior produção acumulada já registrada”, afirma Ana Zancaner, analista da Czarnikow, trading britânica de alimentos e serviços.

De acordo com a analista, uma razão para isso é que o açúcar está pagando muito mais do que o etanol nesta safra, com um prêmio médio de 940 pontos.

No início de 2011, a diferença entre o alimento e o biocombustivel era ainda maior em 12,88c/ lb (quase 1300pts). No entanto, a paridade açúcar e etanol nunca esteve tão aberta por tanto tempo.

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“Antes do início desta safra, as usinas buscavam maneiras de ajustar suas fábricas para poder alocar o máximo de cana possível para a produção de açúcar. O resultado vem surpreendendo a cada quinzena, com a produção diária de açúcar superando em muito o último recorde de 224kmt/dia, registrado há mais de uma década”, explica.

Segundo a trading, o ritmo em que as usinas estão operando parece ainda mais impressionante quando consideramos a baixa eficiência de tempo até agora nesta safra – ou seja, mais dias foram perdidos devido às chuvas do que nas 6 safras anteriores.

“Considerando esses fatores, ritmo e mix de açúcar, revisamos nossas expectativas para esta safra, resultando em uma produção de açúcar de 39,2 milhões de toneladas para 2023/24. Devemos ressaltar que outra revisão não está descartada … se o tempo estiver mais seco do que o esperado no final da safra, as usinas poderão continuar moendo, já que a disponibilidade de cana não é um problema – isso dependerá muito de como o El Niño se comportará no Centro-Sul, como a região é de transição e o padrão é menos claro do que no Sul do país”, ressalta a analista.

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A maior produção de açúcar do Centro-Sul torna o S&D superavitário. Mas pode ser momentâneo. O Hemisfério Norte começará a safra em 2 meses, e parece que há mais riscos de baixa do que alta para a produção na região.

Ainda assim, mais açúcar do Centro-Sul do Brasil não significa necessariamente disponibilidade imediata. “Este ano, a logística alocada para o açúcar está em torno de 2,7 milhões de toneladas por mês, enquanto a produção de açúcar bruto esperada para agosto é de cerca de 4,8 milhões de toneladas. Essa logística limitada resulta no acúmulo de estoques nas usinas. O pico dos estoques deve ser registrado em outubro, com as usinas buscando alternativas para armazenar o açúcar. Quando os armazéns das usinas lotam, o açúcar deve ser colocado em outro lugar, ou a produção pode ser interrompida”, conclui.

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