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Usinas defendem mudanças na lei do transporte

Grande parte das usinas do setor sucroalcooleiro se pergunta: Qual o melhor sistema de transporte de cana de açúcar nas suas condições de trabalho? O que sinaliza o mercado de implementos rodoviários dentro da legislação? A legislação que rege as CVC — Combinações de Veículos de Carga pode ate ser contestada, mas não deveria ser desobedecida.

No atual cenário do transporte canavieiro o treminhão não consegue atender os limites de pesos por eixo, além do fato de algumas empresas não conseguirem dimensionar esta CVC num comprimento adequado para romeu/julieta (19m80). “A legislação precisa ser mudada”, reivindica Marcelo Bassi, gerente de motomecanização da Usina São José da Estiva, de Novo Horizonte (SP). O problema são as enormes dificuldades em se obter Autorização Especial de Trânsito, tanto nos DERs, quanto nas concessões.

Critérios diferentes de interpretação pelos DERs

As regionais dos DERs adotam critérios diferenciados de interpretação da legislação, além de não reconhecerem trabalhos elaborados de viabilidade de várias CVC.

Um dos pontos da legislação determina que área com aclive superior a 3%, os veículos de transporte de carga não podem desenvolver velocidade inferior à máxima da rodovia. Ou seja, se o limite de velocidade estabelecido é de 80 km/h, a velocidade mínima tem que ser superior a 40 km/h. “Isso é praticamente impossível, independente de ser rodotrem, treminhão ou romeu e Julieta”, explica Marcelo Bassi. A alternativa, segundo ele, tem sido buscar rotas alternativas (principalmente estradas rurais) que aumentam o custo do transporte na planilha geral da usina.

Outra dificuldade criada pela legislação determina que as CVC chamadas romeu/julieta maiores que 19,80m não circulam à noite. Além disso, as empresas que trafegam em rampas superiores a 5%, têm problemas em conseguir AET; algumas regiões estão exigindo lona na carga de cana; as licenças dependem de laudo de avaliação do trajeto e das obras de arte. No caso do Rodotrem de 19,80m de comprimento, o DER alega que agride o pavimento e obras de arte. E a forte atuação das balanças móveis nas fiscalizações.

O mercado de implementos rodoviários canavieiros sinaliza maiores vendas para o sistema rodotrem. Estabilidade, melhor distribuição de carga e possibilidade de desengate para trabalho individual, são algumas vantagens encontradas neste equipamento. Já a fiscalização com balanças móveis está exigindo dos fabricantes taras menores.

Segundo Paulo Burjaili, gerente comercial da Rodoribe, empresa de Ribeirão Preto (SP) especializada em sistema de transporte, “a única opção para enfrentar problemas como a balança móvel é o rodotrem, por ter maior capacidade de tara e no caso do desempenho do caminhão nas estradas, ou seja, nas áreas de elevado declive, vai depender também da potência do motor”.

Burjaili revela que a maioria das usinas está implantando frotas com rodotrem, “mesmo porque o investimento acaba sendo mais viável porque a troca por outros modelos para o transporte de cana requer maior quantidade de unidades que, naturalmente, transportam menor quantidade individualmente”. Ele não acredita que num curto prazo haja mudança na legislação da balança, e que “estão pegando pesado no transporte de carga porque se criou uma tradição de transporte acima do peso permitido”. Paulo Burjaili também admite que em muitos casos os trajetos alternativos para fugir da balança acabam ficando mais caro do que investimentos na renovação da frota.

Na Cia. Energética Santa Elisa (Sertãozinho, SP), o diretor agrícola Paulo Zancaner Castilho, constata que o DER “sempre foi muito rígido quanto à concessão de licenças e fiscalização dos pesos transportados”, e que existe a tendência de padronização de transporte, sim, pois “conforme se aprimoram os sistemas de transporte, estes tendem a se igualar, ou seja, onde for possível um transporte pesado, o rodotrem e onde houver limitações, o romeu e julieta de 19,80 m”. No caso da Santa Elisa, desde 1994 opera com o sistema de rodotrem, “pois é o mais adequado, na nossa visão, ao transporte de cana, e acho natural que outras empresas sigam esse caminho já que ele é o mais eficiente operacionalmente e mais correto legalmente”.

O diretor agrícola acrescenta que comparado ao sistema de romeu e julieta , o rodotrem, quando corretamente operado, chega a ter um custo 25 % menor e, mesmo quando comparado ao treminhão, chega a ter um custo 15% inferior, com a vantagem de operar dentro da lei e ser mais seguro. O gerente comercial da Rodoribe, acrescenta que muitas usinas já se convenceram sobre o que alega Paulo Zancaner Castilho, e que “tem gente que já opera com toda frota rodotrem, alguns que estudam essa mudança e outros que aos poucos vão implantando essa tecnologia de transporte”.

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