fbpx
JornalCana

Usina Ferrari aposta em plataforma de monitoramento que otimiza transporte de vinhaça e reduz custos

Diante dos resultados alcançados com a vinhaça, companhia pretende estender o uso da ferramenta em outros segmentos logísticos como a calda pronta

O aumento da aplicação da vinhaça gerou uma nova demanda logística nos canaviais. Otimizar essa demanda e reduzir seus custos, consiste em mais um dos diversos desafios enfrentados pelas usinas.

Na Ferrari Agroindústria a solução se deu através da combinação de um software de logística, e um de monitoramento desenvolvido pela AxiAgro.

“Na usina Ferrari, temos duas operações logísticas que são bem grandes: a maior é a cana, com 60 caminhões transportando cana, 24 horas por dia durante oito meses no ano. Mas com a chegada da vinhaça localizada, ela também tomou uma proporção significativa”, informou Sérgio de Paulo Eduardo, gerente Agrícola da Ferrari Agroindústria.

LEIA MAIS > Drul conquista prêmio de fornecedor mais indicado no MasterCana Brasil

Sérgio de Paulo Eduardo,

“Temos 14 mil hectares de vinhaça localizada, e mais 4 mil de vinhaça aspersão. Dos 25 mil hectares que a gente trata, 18 recebem vinhaça. Sem uma gestão adequada para lidar com essa vinhaça, seria necessário utilizar mais caminhões, o que resultaria em custos mais elevados. Imagina que a gente faz 120 viagens por dia, sendo cada viagem com 2 carretas de 30 metros cúbicos, estaríamos falando de 7 milhões e 200 mil litros de vinhaça por dia”, explicou o gerente.

Diante dessa realidade, surge a seguinte pergunta: ‘Então, por que não aplicar à vinhaça o mesmo princípio utilizado na cana, utilizando um software de logística, com tempo de deslocamento, quanto que precisa entregar em cada frente por vez, despachando os caminhões de forma automática, a fim de otimizar a distribuição dessa vinhaça. Então buscamos um parceiro que pudesse fazer isso, no caso a AxiAgro”, informou.

“O software de logística é da GAtec, e toda a parte de monitoramento do processo, incluindo se o caminhão está vazio, carregando, tempo de descarregamento, e o status do caminhão aplicador de vinhaça, monitorado pela AxiAgro, propôs a solução para monitorar tudo isso. Ou seja, faz o monitoramento da operação e a telemetria dos equipamentos. Então, construímos essa integração da AxiAgro e a GAtec, e ficamos com a logística automatizada da vinhaça”, disse.

LEIA MAIS > Usina Lins conquista selo de excelente empresa para se trabalhar

Sistema evita que os equipamentos fiquem parados

O coordenador do COA e Controle Agrícola da usina, Rafael Murarolli, explica sobre o descarregamento da vinhaça. “Ao sair da usina, o caminhão automaticamente se aloca no quadro GAtec e se desloca carregado até o ponto de aplicação da vinhaça.

Ao chegar, identifica imediatamente o aplicador e informa ao motorista que está iniciando o processo de descarregamento. Após descarregar, o aplicador vai para campo e assim que termina a vinhaça do caminhão, já entra no modo deslocamento vazio. Posteriormente, retorna à usina, onde, ao chegar, tem os pontos georreferenciados. Ao passar por esses pontos, reconhece a baixa no quadro GAtec. A partir desse momento, fica disponível no quadro para receber a locação de uma próxima viagem, podendo ser direcionado para qualquer uma das fazendas, conforme a logística da GAtec determinou o envio”, explicou Murarolli.

LEIA MAIS > Tecnologia brasileira de otimização em tempo real avança nas usinas

Franciel Pinheiro e Rafael Murarolli

Franciel dos Santos Pinheiro, coordenador de transportes da área de logística e balança, também falou sobre a automação do processo. “Quando o caminhão chega no ponto de início do processo de integração da GAtec com a AxiAgro, por meio dos modos georreferenciados que possui no trajeto, reconhece o status operacional (vazio ou carregado) e estaciona nos pontos de carregamento. Aí no celular dele já sai o ponto de alocação. Assim que ele sai daqui, já chega no ponto geo, e reconhece o status dele como carregado. Solicita a rota, o trajeto a ser feito na frente. Por meio do rádio, o motorista confirma com o operador de logística. Confirmada a frente de alocação, ele prossegue com o processo para aplicação, aspersão ou vinhaça localizada”, explica Pinheiro.

Segundo Sérgio, a implantação da plataforma começou no ano passado e rodaram nesta safra, utilizando 15 a 16 caminhões, ante 17 a 18, na fase pré uso da AxiAgro. “Cada caminhão chega a dar de 7 a 9 viagens por dia. A próxima etapa é automatizar o abastecimento, para que antes do caminhão abastecer, ele já tenha determinado o lugar para onde ele vai. Porque a gente quer incluir junto com a vinhaça, fertilizante e inseticida”, comenta.

LEIA MAIS > Usina Ester aprova plano de recuperação judicial

Para o gerente, os resultados apresentados têm sido satisfatórios. “Fazíamos uma média de 12 a 13 mil hectares de vinhaça por ano, agora estamos fazendo de 14 a 15 mil com a mesma estrutura. Otimizamos o processo e reduzimos custos. Eu não preciso esperar o caminhão esvaziar, para o motorista pedir via rádio outro caminhão, porque o sistema já identifica a demanda e envia outro caminhão. Vale lembrar que toda vez que tem um equipamento parado, você aumenta o custo”, elucidou.

Sérgio ressalta ainda que a automação dos processos vem ganhando cada vez mais espaço nas ações da Usina Ferrari. “Nosso foco é o melhor desempenho na aplicação de vinhaça. A nossa cultura é depender cada vez menos, da pessoa informar o que está fazendo, e cada vez isso ser mais automático, o que a máquina entrega, porque aí a pessoa se concentra naquilo que ela tem que fazer, ou seja, operar bem”, destacou.

O maior controle das operações também foi uma das vantagens elencadas pelo gerente após a adesão ao sistema de monitoramento. “Hoje em nossa logística, temos o rastro de cada uma das viagens. Então se um prestador de serviço falar que o motorista apontou diferente, nós temos aqui um rastro eletrônico de GPS, de um arquivo criptografado, que não tem como alterar. Em média um operador costuma ter 30 operações apontadas indevidamente, lembrando que o transporte de vinhaça é 100% terceirizado. Na automação, além de melhorar o desempenho no campo, também melhora o desempenho da pessoa, pois ela está mais focada na sua função”, enfatizou.

Devido ao sucesso com a plataforma, usina vai ampliar o seu uso

Com uma produção na safra passada de 3,2 milhões de toneladas, a expectativa da Ferrari é que nesta safra alcance 3,4 milhões de toneladas, um aumento de 6%. Segundo Sérgio, para que seja uma boa temporada, a usina preconiza a ampliação desse conceito logístico nos demais segmentos. “Pretendemos evoluir esse conceito logístico nos demais setores. Começamos com a vinhaça, depois vamos para a calda pronta. Temos 11 caminhões que levam calda de aplicação para o campo”, informou.

Investir em tecnologia tem sido um dos fatores que tem contribuído para que a Ferrari siga galgando posições de destaque no setor bioenergético, conquistando importantes premiações como o prêmio de produtividade do Programa de Cana IAC de Produtividade com Modernidade (IIPM), do Grupo IDEA e o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), e também o troféu MasterCana, uma das mais cobiçadas premiações do setor.

“Estamos trabalhando uma abordagem técnica muito legal, terminamos de mapear os nossos solos, definindo práticas distintas de manejo para cada tipo de solo, análises estatísticas varietal, controle de aplicação área, contamos com o programa de operador mantenedor, telemetria em 100% da frota, e sempre atentos para o que está surgindo de novo”, conclui o gerente.

LEIA MAIS > Maior termelétrica do Brasil em geração a partir de múltiplas biomassas, começa a ser construída

Case é apresentado no 6º Seminário UDOP de Inovações

O case de otimização do transporte e aplicação da vinhaça na Usina Ferrari também foi destaque no 6º Seminário UDOP de Inovações, realizado nos dias 22 e 23 de novembro, em Araçatuba – SP.

Com a participação de Menero Denardi, supervisor corporativo COA/PCA, e também de Rafael Murarolli, os dois destacaram as estratégias adotadas e as facilidades proporcionadas pelas ferramentas de controle e monitoramento, como a da AxiAgro.

“Nosso ponto de carregamento marca o princípio de toda nossa operação na logística da vinhaça. Nele, criamos um ponto de georreferenciamento, e quando o caminhão passa, o sistema já identifica automaticamente que ele está no ponto de carregamento, e o motorista recebe uma mensagem: você está carregando? A partir do momento que ele coloca que sim, inicia-se o carregamento dele, e quando ele finaliza, já recebe um aviso perguntando se finalizou, e a partir do sim, o aplicativo já começa a pesquisar a nova frente de trabalho, para onde ele será encaminhado. O sistema de monitoramento faz um rastreamento completo de todo deslocamento dos caminhões”, explicaram durante o seminário.

 

Inscreva-se e receba notificações de novas notícias!

você pode gostar também
X
Visit Us On FacebookVisit Us On YoutubeVisit Us On LinkedinVisit Us On Instagram