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Unicamp: Pesquisa busca melhoramento genético do café e da cana-de-açúcar

O melhoramento genético de variedades de café mais resistentes à praga do bicho-mineiro e de cana-de-açúcar com maior teor de sacarose motivou parceria entre o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp, Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado (Copersucar). A pesquisa vai custar R$ 600 mil e tem prazo de três anos para ser concluída, com apoio da Fapesp, Funcafé, Capes e CNPq.

Na parceria, as instituições têm papéis específicos. O IAC deverá identificar os genes de resistência ao bicho-mineiro que ataca as folhas do café, considerado a maior praga em lavouras das regiões do cerrado mineiro, oeste da Bahia e Alta Paulista (Garça e Marília).

Copersucar

A Copersucar detectará os genes que atuam na acumulação de açúcar para viabilizar a criação de uma variedade transgênica de cana, com maior teor de sacarose. As pesquisas acadêmicas são coordenadas por Marcelo Menossi, professor especialista em genética do Instituto de Biologia da Unicamp.

O desafio é encontrar nos vegetais a seqüência de trechos de DNA, que controlam as características desejadas. Ele utiliza o método do marcador celular, que reduz pela metade o tempo de pesquisa. O processo tradicional de melhoramento genético exige no mínimo dez anos. Requer inúmeros cruzamentos e descartes de plantas produzidas em seus ciclos naturais.

O Brasil tem 5,5 bilhões de pés de café em produção e em cada safra produz de 28 milhões a 40 milhões de sacas de 60 kg. A praga do bicho-mineiro afeta as duas principais variedades plantadas no País: a Coffea arabica (arábica), destinada ao mercado do grão moído e torrado e que representa 70% da lavoura e a Coffea canephora (robusta), usada pela indústria do solúvel, e que responde por 30% da área plantada.

Ciclo de infestação do bicho-mineiro

A infestação na planta começa com a mariposa, que põe ovos sobre as folhas do café. Depois de nascer, o inseto vive entre 16 e 36 dias, tempo suficiente para a lagarta se alimentar das folhas do cafeeiro e causar prejuízos de até 50% na colheita.

“Um pé de café tem 25 mil genes diferentes. A Unicamp analisou perto de dois mil para identificar quais eram ativados somente pelos vegetais mais resistentes à praga. Chegou-se a 35 genes mais ativos só na planta resistente. Para produzir a variedade desejada é preciso detectar quais dos 35 dão proteção contra o inseto”, explica Menossi.

O papel do IAC

Oliveiro Guerreiro Filho, coordenador do projeto do bicho-mineiro no IAC, explica que a seleção de variedades resistentes à praga recebe várias abordagens, mas considera que os métodos de melhoramento aplicados são os ideais.

A expectativa é obter no prazo de sete anos a variedade resistente pelo método tradicional. A técnica de marcadores moleculares é importante aliada para acelerar o processo. Temos uma população com características agronômicas promissoras, próximas do modelo desejado e sabe-se que a resistência é devido a apenas dois genes. Na metodologia molecular, buscam-se outros genes envolvidos, também, em resistência.

Guerreiro acrescenta que esses marcadores podem acelerar o trabalho de melhoramento genético, como antecipar diagnóstico nas plantinhas em estufas, pois daí não é preciso esperar que cresçam; com essa reprodução assistida se descartam as suscetíveis.

Destaca que, além dos ganhos econômicos proporcionados por uma variedade resistente, existe também o impacto social. “Ao reduzir o uso de agrotóxicos, os trabalhadores da lavoura e o meio ambiente são beneficiados. Reduz-se, também, a contaminação do lençol freático por defensivos nas áreas em que a cultura de café é irrigada, como no oeste da Bahia”, explica.

Em busca da cana transgênica

Na cana-de-açúcar, a Unicamp aproveitou os resultados do Projeto Genoma, realizado com dezenas de laboratórios do Estado, durante quase três anos e, ao final, identificou 43 mil genes. A partir desse banco de dados, os pesquisadores cruzaram informações entre os que pareciam ou estavam envolvidos de alguma forma com o metabolismo da sacarose. Identificaram-se, então, sete genes que transportam açúcares e que são mais ativos nos gomos mais próximos à raiz, nos quais se acumulam mais açúcar.

O próximo passo é criar plantas transgênicas com alguns desses genes. Menossi avalia que deve demorar aproximadamente um ano para se chegar a esse gene que mais acumula açúcar e que poderá ser transferido para se criar uma variedade com essa característica. Ela deverá, ainda, ter avaliação cuidadosa sobre composição nutricional, possíveis toxinas e compostos causadores de alergia antes de se tornar comercial.

“A variedade transgênica será produzida nos campos de experimentos da Copersucar, enquanto as análises da composição poderão ser feitas por empresa especializada na área”, acrescenta.

Produção sucroalcooleira nacional

Na safra 2000/2001, o Brasil produziu 257,6 milhões de toneladas de cana, transformadas em 10,6 bilhões de litros de álcool e 16,2 milhões de toneladas de açúcar, faturamento de R$ 13,7 bilhões para o setor sucroalcooleiro. Aumento da ordem de apenas 5%. Com a cana mais rica em sacarose, representaria acréscimo de R$ 685 milhões por safra.

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