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Tonon emite bônus apesar de crise no setor

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A sucroalcooleira Tonon Bioenergia captou US$ 230 milhões na sexta-feira por meio de uma emissão de bônus, a primeira feita por uma companhia do setor desde maio do ano passado.

Os títulos, com vencimento em 2024, têm como garantia os ativos da Paraíso Bioenergia, usina com sede em Brotas (SP) que a Tonon adquiriu em março do ano passado. O Valor apurou que esses ativos garantiam empréstimos bancários que, agora, serão quitados com o dinheiro captados na operação.

O presidente da Tonon, Rodrigo Aguiar, afirmou que os recursos captados serão usados para alongar as dívidas da companhia, que totalizam R$ 1,3 bilhão, dos quais R$ 180 milhões são de curto prazo. O restante do endividamento vence até 2018.

Os novos bônus pagarão cupom semestral equivalente a 10,5% ao no e foram colocados com retorno anual de 10,75%.

A demanda ficou em cerca de US$ 500 milhões. Investidores institucionais da Europa e, principalmente, dos Estados Unidos, ficaram com os títulos. O Morgan Stanley coordenou a operação com o auxílio do HSBC.

O fato de os papéis terem garantia real foi crucial para a Tonon colocá-los no mercado em um momento de crise no setor sucroalcooleiro. Outro ponto importante é que a empresa tem a opção de recompra (“call”) dos títulos a partir do terceiro ano após a emissão e os investidores têm a opção de venda (“put”) a partir do quinto ano.

Essas características ajudaram a Tonon a fazer a primeira emissão de bônus do setor sucroalcooleiro desde maio do ano passado, quando a Aralco captou US$ 250 milhões em títulos de sete anos e cupom de 10,125%. Em recuperação judicial, a Aralco tinha seus bônus negociados no mercado secundário a 14% de seu valor de face no fim da tarde de sexta-feira.

Em janeiro do ano passado, a Tonon emitiu US$ 300 milhões em bônus que expiram em 2020 e pagam cupom de 9,25% ao ano.

Chamou a atenção de alguns gestores de recursos o fato de que os novos papéis saíram com retorno (yield) inferior à taxa atual dos papéis lançados pela companhia em janeiro no ano passado. Na quarta-feira, dia em que a nova captação foi anunciada, os bônus de 2020 da Tonon eram negociados no mercado secundário com yield de 11,75% ao ano.

“A diferença é que a nova operação tem garantia real e a do ano passado, não”, diz fonte do mercado. “Se fosse fazer, hoje, uma emissão sem garantia, a empresa certamente pagaria muito mais caro.”

Humberto Casagrande, presidente do FIP Terra Viva, gerido pela DGF Investimentos, explicou que as duas emissões têm perfis um pouco diferentes, a começar pelo fato de que os novos papéis têm garantias reais.

“Mas a tendência é de o yield dos dois papéis convergirem com o passar do tempo”, afirmou Casagrande. O FIP Terra Viva tem cerca de 30% do capital da Tonon.

Nesta safra 2014/15, as três usinas do grupo, localizadas no Centro-Sul do país, devem processar 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A Tonon tem um plano para expandir sua capacidade de produção para 10 milhões de toneladas em 2016/17.

Fonte: Valor Econômico

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