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Termelétricas de usinas esperam sinal verde do Governo para vender cota adicional

Medida adiciona 1 GW de geração no setor, destaca a Cogen

Unidade da Barralcool: produção de eletricidade a partir do bagaço (Foto: JornalCana/Arquivo)

As termelétricas de usinas de cana-de-açúcar poderão ampliar em 1 gigawatt (GW) a geração e venda pelo mercado livre.

Esse volume a ser adicionado ao mercado é estimado pela Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).

O destaque é que esse volume adicional pode ser comercializado no mercado livre, sem estar atrelado ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

Duarte, da Cogen: cota extra de eletricidade da biomassa só depende de aval do MME (Foto: Divulgação)

“Essa nova regra permitirá que as usinas ganhem previsibilidade, uma vez que poderão vender esse excedente pelo mercado livre, em vez de liquidar pelo PLD”, afirma Newton Duarte, presidente executivo da Cogen.

“Por conta do alto grau de judicialização, as usinas não vêm recebendo os valores devidos [ao liquidar pelo PLD]”, afirma Newton Duarte, presidente executivo da Cogen.

“Isso desestimula o aumento de eficiência ou a compra de adicional de bagaço de cana”, emenda ele.

Duarte destacou o tema em evento sobre bioenergia durante a 27ª FENASUCRO & AGROCANA, em Sertãozinho (SP).

 

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Depende do MME

Entretanto, para que o volume adicional seja autorizado é preciso uma medida infralegal do Ministério de Minas Energia (MME).

Para isso, de acordo com o presidente executivo da Cogen, basta uma alteração na Portaria MME nº 564/2014.

O objetivo é ampliar os montantes de garantia física das usinas que geram  energia com biomassa de cana-de-açúcar.

A garantia física de uma usina de cana é publicada pelo MME e representa o montante de bioeletricidade que pode ser comercializado, na forma de contratos nos ambientes livre ou regulado.

Essa revisão, conforme a proposta, levaria em conta o aumento da disponibilidade do bagaço de cana e/ou ganho em eficiência energética.

E isso sem que seja necessário comprovar um aumento de capacidade instalada.

Além da Cogen, subscrevem a proposta a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Perspectivas

Em sua apresentação no evento da FENASUCRO, Duarte mostrou outras perspectivas para impulsionar o setor de cogeração.

O setor hoje conta com 18,56 GW instalados — 11,5GW com bagaço de cana.

Há também 3,1GW com gás natural, 2,6GW com licor negro, 0,7GW com cavaco de madeira, 0,4GW com biogás e 0,2GW com outras fontes.

Uma das alternativas, segundo Newton, são as plantas de biogás.

“O aproveitamento da vinhaça, outro subproduto da cana, é mais uma biomassa que pode ser utilizada pelo setor sucroenergético”, disse.

O investimento da Raízen na Usina Bonfim, em Guariba (SP), com início da operação estimado para 2021, vem sendo acompanhado com interesse por outras usinas.

“Na nossa visão, há um imenso potencial para a expansão do mercado de biogás na próxima década.”

Outra aposta é o RenovaBio.

Com início efetivo em 2020, o programa prevê um crescimento de produção de etanol — de 30 para 50 bilhões de litros.

Esse incremento irá demandar, de acordo com o presidente executivo da Cogen, a moagem adicional de 200 milhões de toneladas de cana.

Por fim, essa moagem extra poderá alavancar a geração de energia.

E, também, produzir biogás para injeção nos gasodutos e substituição do diesel na frota de veículos usados no plantio e colheita.

O RenovaBio propicia ainda a possibilidade de ganhos de eficiência com retrofit das usinas.

 

 

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