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Setor sucroalcooleiro deve se beneficiar com investment grade

O “investment grade” obtido na quarta-feira (30) pelo Brasil deverá beneficiar o setor sucroalcooleiro à medida que reduz os custos de captação das empresas no exterior, de acordo com o economista Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria. Segundo Nastari, o setor já vem recebendo um grande fluxo de investimentos externos, o que deve se acentuar a partir de agora.

“Fundos de pensão que não aplicam em países sem ´investment grade´ devem passar a colocar o Brasil em sua lista de destinos de recursos”, disse. Para ele, mais projetos para produção de biocombustíveis e energia deverão se beneficiar deste aumento de grau do Brasil.

Por outro lado, um maior fluxo de investimentos para o Brasil significa, segundo o economista, que o real deverá continuar seu ritmo de apreciação em relação ao dólar, o que tem um impacto negativo importante no setor, bastante dependente das exportações de açúcar e álcool. “Mais dólares irão entrar no país e o real permanecerá valorizado”, explica.

A opinião encontra eco, mas relativo. “Foi uma surpresa. Realmente eu não esperava que essa elevação ocorresse no primeiro trimestre”. Foi desta forma que o presidente da Agrishow e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, se referiu à elevação da classificação de risco do Brasil para investment grade.

De acordo com Rodrigues, esse fato pode ter aspectos positivos e negativos para o agronegócio. “Além de ser um reconhecimento para a nação, pode proporcionar um vigoroso incentivo à presença de capital estrangeiro no Brasil. Por outro lado, o aumento do volume da entrada de dólares no país será mais um fator que deverá valorizar o real frente à moeda americana, podendo levar a uma perda de renda dos produtores rurais”, afirmou o presidente da Agrishow.

Para o vice-presidente de uma das organizadoras da Agrishow, a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, essa elevação será prejudicial ao setor no curtíssimo prazo ao permitir uma maior valorização do real frente ao dólar, diminuindo ainda mais a competitividade da indústria de produtos de alto valor agregado. Segundo ele, esse cenário se agrava com a política do Copom de aumento de juros.

“Essa elevação do grau de risco do Brasil para investimentos atrairá grandes investimentos ao Brasil, especialmente de fundos de pensão que normalmente não investem em países de alto risco. Isso gerará uma super valorização artificial da nossa moeda”, acredita.

Para Veloso, é necessário que o Banco Central reveja sua política monetária para inibir a atração de investimento especulativo de curto prazo no mercado de capitais. “O Copom precisa se reunir emergencialmente para rever o aumento dos juros, que foi feito para conter um repique de inflação causado não em função de uma demanda interna e sim de um aumento de commodities alimentícias”, afirma.

E completa: “É preciso substituir ingresso de capital no curto para captar no longo prazo. Uma alternativa seria aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros), que é um imposto regulatório e não arrecadatório”.

De acordo com o vice-presidente da Abimaq, o recebimento de investimentos em cerca de dois a três anos pode no futuro gerar uma demanda de máquinas. “Por isso, essa elevação do grau de classificação pode ser prejudicial ao setor no curtíssimo prazo e benéfico a longo prazo”, analisa Velloso.

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