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Setor explica variação do valor do litro do álcool

Uma pesquisa semanal realizada pelo Procon de Ribeirão Preto revela que o preço do litro do álcool teve uma alta de 22,83% na primeira semana de novembro. Os preços foram verificados em 30 postos e comparados com a tomada de preços anterior, ocorrida no dia 30 de outubro. A variação positiva foi registrada em praticamente todo o País e confirmada pela União da Agroindústria Canavieira de São Paulo — Unica.

O preço médio do álcool passou a R$ 1,205 o litro. O aumento acumulado desde o dia 3 de setembro já é de 58,97%. Já a gasolina apresentou variação de 12,54% em uma semana, custando em média R$ 1,965 o litro.

Segundo o Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, as empresas do setor compraram o álcool nas usinas reajustado de 25% a 30% nos últimos 30 dias. A Unica informa que o preço do álcool é livre e determinado pelo mercado e que o reajuste de 27% foi para compensar os preços de julho, que estavam defasados em 30% no auge da safra na região Centro-Sul. A entidade também afirma que o preço de bomba é formado por crescentes margens de distribuição, revenda e impostos.

A Unica explica que houve, na verdade, apenas uma atualização dos valores em função da oferta do produto no mercado. Segundo Cláudio Manesco, assessor de imprensa da entidade, nos primeiros três primeiros meses da safra, que agora está chegando ao fim, a maioria das usinas foi obrigada a priorizar a produção de álcool, colocando todo estoque no mercado para fazer caixa e cobrir as despesas do começo da safra.

Esse comportamento do mercado fez com que as distribuidoras pagassem aos produtores até R$ 0,32 pelo litro de álcool. Atualmente, com o mercado estabilizado, esse mesmo litro de álcool está recebendo uma remuneração próxima a R$ 0,56. “Temos que considerar que o preço na bomba agrega impostos e a margem de lucro do revendedor e do distribuidor”, adverte o assessor da Unica. Ele acrescenta que os donos de postos que recebiam R$ 0,17 por litro de álcool hoje têm uma margem de lucro de R$ 0,24.

Vendas de carro a álcool continuam em alta

Apesar da variação positiva do preço dos combustíveis no mês de outubro, o mercado automotivo continua registrando melhor desempenho do carro a álcool no mercado. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que confirma a tendência em todo o País. A entidade confirma em outubro 130.801 unidades de veículos novos. Desse total, 8.633 carros a álcool, pouco mais de 6% do total.

O bom desempenho e a retomada do álcool na condição de combustível alternativo pode ser confirmada ao se verificar os números de outubro do ano passado. Na ocasião registrou-se 118.778 veículos vendidos. Desse total apenas 2.138 veículos movido a álcool (quase 2%).

Unica não acredita em retração do mercado

O assessor da Unica, Cláudio Manesco, não acredita na hipótese de retração na opção pelo carro a álcool. Informa que o litro de álcool era para ser praticamente o mesmo da gasolina se tivesse havido a correção pelos índices da Fundação Getúlio Vargas (FGV) desde 1998, quando houve a desregulamentação do setor e o governo deixou de intervir no setor. “Desde então, a correção do preço do álcool pago ao produtor tem ficado abaixo dos índices que ajudam a FGV a determinar a onda inflacionária”.

Aposta no álcool

Manesco afirma ainda ser importante notar que as margens de revenda cresceram 10% entre as semanas de 29 de setembro a 27 de outubro, o que em sua opinião desmente as alegações de que houve um mero repasse de preços. “A verdade é que os preços do álcool continuam e continuarão inferiores aos da gasolina, numa relação com tendência a se situar abaixo dos 70%, o que permite apostar no combustível, uma vez que a relação de indiferença entre consumir álcool e gasolina é encontrada quando o álcool custa 80% do preço da gasolina”.

Para Vera Longuini, assessora do Instituto Nacional de Eficiência Energética, o comportamento dos preços pode colocar em risco a tendência de retomada da opção pelo carro a álcool por parte dos consumidores.

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