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Setor cobra política de longo prazo para o etanol

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) espera que o governo dê sinais claros de que investirá no etanol. Medidas pontuais são importantes, mas a preocupação do setor é centrada no longo prazo, afirma Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da entidade.

“Muito mais importante é a definição clara de qual é a participação do etanol na matriz de combustíveis do País. Precisa haver mais segurança e previsibilidade para o empresário no médio e no longo prazos. Para nós, definido isso, as coisas de curto prazo serão factíveis para chegar lá na frente”, argumenta o executivo da Unica.

Hoje, segundo ele, a perspectiva de novas usinas no País é zero. Uma usina de 3 milhões de toneladas de cana representa um endividamento de R$ 1 trilhão. “Como assumir esse investimento sem saber como serão os próximos 15 ou 20 anos?”, questiona o diretor da Unica. “Com essas incertezas todas, não é para ninguém retomar o investimento”, afirma.

O governo fala em um novo regime para a indústria do etanol, que incluiria um conjunto de desonerações tributárias. As usinas, por sua vez, teriam que atender a uma série de metas e compromissos do setor.

Falta de diálogo. “O problema é que o governo não conversa nem com os trabalhadores nem com as usinas”, afirma Sergio Luiz Leite, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar). “Temos tentado, sem sucesso, sentar com o governo, junto com o setor, para discutir medidas capazes de tornar o etanol mais competitivo.”

O sindicalista também defende contrapartidas da indústria do combustível. “A gente sabe que o setor do etanol não é nenhum santo e queremos vincular isso a compromissos de manutenção de postos de trabalho e de qualificação profissional, entre outros”, cita Leite. “Como não temos interlocução, o remédio do governo pode vir tarde para muita gente.”

Por enquanto, o governo decidiu antecipar o aumento da mistura de etanol anidro (com até 1% de água) na gasolina de 20% para 25%, que estava programado para 1.º de junho. A elevação será antecipada para 1.º de maio. Estima-se que o aumento do porcentual na gasolina deverá elevar a demanda pelo etanol anidro no País dos atuais 8 bilhões de litros para 11 bilhões de litros por ano.

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