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Série mostra como setor foi beneficiado pela revolução cubana

O Jornal do Commércio publicou uma série de reportagem sobre os antecedentes do golpe de 64. Com o auxílio de farta documentação histórica, o JC mostra o impacto, no plano econômico, do avanço dos trabalhadores, que ganhavam força com a sindicalização das ligas camponesas. O material especial também ajudar a clarear a importância da revolução cubana, realizada no final de 1959. Está sendo repassada a limpo ainda, antes disso, a importância que o governo de JK acabou tendo sobre o Nordeste açucareiro. Leia abaixo mais um texto da série. A cada dia o Jornal Cana vai reproduzir um texto da séria do Jornal do Comércio (PE).

NA TRILHA DO GOLPE II

Cuba reforçou vocação colonial do NE

A revolução cubana, no final de 1959, não convulsionou apenas o ambiente político nos idos de 60. Com a revolução, os Estados Unidos deixaram de comprar o açúcar cubano e as cotas foram redistribuídas com países latino-americanos. “Quando Cuba aderiu ao sistema socialista, deixou de colocar suas cotas de produção nos EUA. As cotas foram distribuídas com Brasil, Peru e República Dominicana”, conta o historiador Manoel Correia de Andrade. “Assim, o Nordeste aferra-se à sua vocação colonial”, analisa o economista, cujo plano, desde 1959, era financiar o setor de açúcar em troca da cessão de terras para a produção de alimentos. Naquela época, os norte-americanos seguiam de perto a contenda pelo controle das massas camponesas no Nordeste e apoiaram, em 1962, sem muitos rodeios, o candidato da UDN ao Governo de Pernambuco, João Cleofas, ligado à elite canavieira. “Com o golpe, os usineiros conseguiram perpetuar a lógica patrimonialista. Se os distúrbios do campo proliferassem, os custos das usinas iriam aumentar muito. Assim, a adesão aos militares tinha uma justificativa econômica clara”, conta o economista Alexandre Rands, da UFPE.

Antes disso, o governo de JK também acabou tendo um grande impacto sobre o nordeste açucareiro. Em 1955, JK é eleito e procura estimular o avanço do capitalismo, acelerando o processo de industrialização. O forte crescimento econômico estimulou o aumento da capacidade de produção das usinas e a necessidade de expansão. “Nessa época, desapareceram os sítios de moradores nos engenhos de fogo morto. Os canaviais se expandiram pelas propriedades entregues aos foreiros”, conta o historiador Manoel Correia de Andrade. “Ocorre que o populismo de JK abriu caminho também para que os grupos dominados se organizassem. As notícias de propaganda de rádio de pilha e as facilidades de comunicação levaram aos trabalhadores a consciência da situação de miséria. Os sindicatos se fortaleceram”. Estavam preparadas as condições para a guerra no campo.

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