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Sensoriamento remoto avalia estado hídrico da cana

Resultado pode indicar se a área precisa ser irrigada

O sensoriamento remoto realizado por VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados), equipados com câmeras termográfica e multiespectral, vem sendo usado pelo Instituto Agronômico (IAC) para avaliar se as plantas estão em estresse hídrico.

Estudo feito no segundo semestre de 2020, com o objetivo de avaliar alternativas para monitoramento do estado hídrico da cana-de-açúcar, por meio de dados gerados por essas câmeras e avaliação do estado hídrico das plantas.

Os resultados mostraram que a temperatura foi menor na área irrigada, variando na faixa de 22°C até 37°C, e na área não irrigada as temperaturas foram superiores a 37°C.

Os experimentos foram feitos em Ribeirão Preto, interior paulista. Nos ensaios foi adotada a cultivar IACSP95-5094. O estudo recebeu o Prêmio de melhor artigo no Inovagri Meeting Virtual, XXIX Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem e IV Simpósio Brasileiro de Salinidade, em dezembro de 2020.

Por meio das imagens, os cientistas interpretam o estado hídrico da planta. Segundo a pesquisadora do IAC, Regina Célia de Matos Pires, as avaliações permitiram registrar diferenças entre os tratamentos irrigados quando comparados ao manejo sem irrigação nas duas câmeras utilizadas.

“As imagens termográficas têm potencial para avaliação do estado hídrico de plantas de cana-de-açúcar de modo rápido, não destrutivo e eficiente”, considera.

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O fornecimento de água às plantas contribui para elevar a produtividade e a qualidade da produção. Para obter tais resultados, é fundamental conhecer os diferentes manejos de irrigação que podem ser aplicados em áreas extensas. Para o experimento, foram trabalhados dois grupos de plantas: um com irrigação e outro sem. Na área irrigada, a água foi aplicada por gotejamento superficial, com uma linha de tubogotejadores, por linha de plantio.

“O manejo da água foi realizado com aplicação de 50% da evapotranspiração da cultura, caracterizada como uma irrigação deficitária”, comenta Regina. Neste tipo de irrigação, é disponibilizado um volume de água inferior à demanda da planta, naquele momento.

A pesquisadora afirma que há diversas formas para avaliar o estado hídrico da planta, mas para isso é preciso ir com determinado equipamento na área e fazer algumas amostragens; ou opção é instalar equipamento na área para monitoramento em tempo real.

As tecnologias de sensoriamento remoto aplicadas na agricultura têm permitido o monitoramento e o gerenciamento da variabilidade espacial e temporal das lavouras em tempo real. No Brasil, a área cultivada de cana-de-açúcar é de cerca de 10 milhões de hectares.

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A produtividade média é de 76,1 toneladas, por hectare, e os esforços são direcionados aos três dígitos, isto é, ao menos 100 toneladas, por hectare. “O estado de São Paulo é responsável por 51% da produção brasileira. Com áreas tão extensas e números tão representativos para a economia, é fundamental recorrer a tecnologias que permitam análises abrangentes”, explica Regina.

Com relação à qualidade da cana, a irrigação é suspensa em determinado período, anterior à colheita, para favorecer a concentração de sacarose. “O aumento da biomassa depende de todo o manejo adotado, só a água não fará milagre”, destaca Regina. Ela recomenda, além da irrigação, a adoção de cultivar responsiva à água e a nutrição adequada para obter elevadas produtividades.

De acordo com o pesquisador e líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, dentre as cultivares de cana, há grande variabilidade de resposta à água.

“A cultivar pode determinar a viabilidade ou a inviabilidade de um projeto de irrigação e tem que render alta produtividade para valer o investimento na irrigação“, orienta.

Entre elas, cita a cultivar IAC911099 que apresenta resposta boa com irrigação deficitária na área da usina Jalles Machado, em Goiás.

“A IACSP-955000 vai bem com irrigação plena, quando é oferecida mais água, atendendo mais à demanda dela, torna-se muito competitiva. É o que temos observado no estado de São Paulo. Ela é uma grande opção para essa condição”, diz Landell.

A cultivar IACSP-955094 atende muito bem aos dois tipos de irrigação: deficitária e plena, assim como a IAC911099. Landell comenta que há novos materiais que estão chegando com performances muito boas também em condição irrigada.

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O clima do ano e do ciclo da cultura também é determinante para o aumento da biomassa. “Em anos com maior déficit hídrico, a resposta à irrigação (comparado à condição de sequeiro) vai ser muito maior que em um ano que tenha déficits por menor tempo ou com menor intensidade”, atesta Regina.

Por isso, esse percentual de aumento depende de todo o contexto, incluindo a região ambiental a disponibilidade hídrica e a condição de solo.

 

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