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Se Brasília não vem ao produtor, o produtor vai a Brasília!

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A insistência do governo em conter politicamente os preços da gasolina para inibir o índice de inflação revela-se um preço muito alto a ser pago pelo país, através de dois personagens que nada têm com isso: a Petrobras e o setor sucroenergético. As perdas da Petrobras ultrapassam bilhões e crescem ainda mais com a valorização do dólar. E o setor perde tanto no etanol anidro quanto no hidratado.

Há muito que a maioria das usinas trabalha no prejuízo, cerca de quarenta estão em recuperação judicial e trinta foram desativadas, e até mesmo as mais competitivas operam no limite, sem margem. Sem falar da situação dos plantadores de cana, que têm que enfrentar o crescente aumento nos custos e nas exigências legais, e das empresas fornecedoras de equipamentos e insumos, especialmente para a área industrial, que se deparam com a completa falta de novos pedidos e com altos índices de inadimplência. Toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar sofre com esta política do Governo Dilma.

O problema está exposto, e a revolta começa a transparecer. Em 2 de agosto último teve início em Piracicaba, SP, a primeira de uma série de manifestações dos produtores de cana-de-açúcar voltadas a exigir soluções efetivas do governo. O setor já não suporta medidas paliativas. Quer definições, quer receber tratamento de segmento estratégico como de fato é. Quer respeito. E exige ações.

A principal reivindicação hoje é a volta da alíquota da Cide – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre a gasolina. Originalmente criada em 2001 para construir e manter as rodovias e garantir os diferenciais socioambientais positivos na remuneração do etanol, a Cide deve voltar para acabar com a crise do setor e devolver a confiança do mercado, fundamental para a retomada dos investimentos na produção.

Líderes do segmento e economistas concordam que já não há mais como utilizar o congelamento nos preços da gasolina como artifício na luta contra a inflação – ou pelo menos na tentativa de mantê-la sob controle até a próxima eleição.

A incidência original da Cide sobre a gasolina precisa voltar. O setor decidiu que ir às ruas é o caminho, afinal esta é a única linguagem que o Governo Dilma entende. Se por motivos políticos, o Governo é capaz de manter artificialmente baixo o preço da gasolina, sem se preocupar com o sucateamento da Petrobras e de todo um importante setor produtivo, também por motivos políticos deverá rever suas medidas.

Diversas entidades e lideranças políticas do setor, como o deputado Arnaldo Jardim, estão articulando uma grande onda de manifestações que culminará com a ida de todos os elos da cadeia canavieira a Brasília, no final de setembro.

Nós do JornalCana apoiamos e incentivamos esta iniciativa, pois percebemos, ainda que tardiamente, que somente a manifestação pública será capaz de mudar a percepção e o tratamento que vem sendo dispensado ao agronegócio sucroenergético.

Vamos juntos a Brasília!

Editorial do JornalCana Edição 236.

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