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Santander defende maior atuação dos bancos privados na área rural

Apesar do papel relevante que o crédito rural tem para a política agrícola brasileira, os bancos privados não deveriam resumir sua estratégia para o agronegócio à condição de financiadores complementares do setor rural no país. Essa é a avaliação do presidente do conselho de administração do Santander Brasil, Sergio Rial.

Pouco mais de dois meses à frente do banco estrangeiro de maior participação no Brasil, o executivo quer aproveitar sua experiência em empresas como a americana Cargill e a brasileira Marfrig para ampliar a gama de serviços e instrumentos oferecidos à cadeia de valor do agronegócio, do setor primário à agroindústria.

“O crédito rural é política de Estado, mas não é a estratégia de um banco no agronegócio”, disse Rial, em entrevista ao Valor. De acordo com ele, os bancos privados podem – e devem – ampliar a sua atuação no agronegócio brasileiro com mecanismos diferentes do crédito rural, instrumento em que “não dá para competir” com o Banco do Brasil, que funciona como veículo da política de crédito do país. “Mesmo que desse para competir, não faria muito sentido. Não é um negócio atraente sob o ponto de vista do acionista do Santander”, disse.

Por lei, os bancos são obrigados a destinar 34% dos depósitos à vista para o crédito rural. Como muitas instituições privadas não possuem capilaridade em regiões agrícolas, uma prática comum é repassar a carteira de crédito rural para o Banco do Brasil ou mesmo para banco de cooperativas. No caso do Santander, que tem uma carteira de crédito rural de R$ 6,3 bilhões, a maior parte dos recursos é emprestada diretamente. Uma parte relevante, porém, é repassada para banco de cooperativas.

Mas a estratégia, reforça Rial, precisa ir além do crédito rural. Nesse sentido, o executivo dá pistas de instrumentos que poderiam ser criados, ainda que não haja um prazo para a concretização.

Para Rial, um ponto central da estratégia de um banco para o agronegócio é compreender que trata-se de uma cadeia de valor, e não apenas um setor primário da economia. Justamente por isso, não faria sentido ter uma vice-presidência de agronegócios. “Não acreditamos na criação de uma área independente. Você incorreria no mesmo erro”, diz ele.

Com a compreensão de cadeia, Rial elenca exemplos do que poderia ser feito, atuando como elo entre indústria e varejo. Segundo ele, há oportunidade para oferecer um instrumento casado entre as duas pontas, antecipando a receita a ser recebida pela indústria – melhorando a gestão de capital de giro e reduzindo o risco – e prazo para o varejo. “Cabe ao banco pensar em algum tipo de cartão específico que dá aquele comerciante algum prazo, contra um custo que seja aceitável”, explica o executivo.

Outra possibilidade, sugere, seria utilizar tecnologia para eliminar o uso de pagamentos em dinheiro no pequeno varejo, em um modelo que poderia se inspirar no que a GetNet, empresa de cartões do Santander, fez com a rede varejista Ponto Frio, viabilizando o pagamento por meio de iPads. “Imagina o efeito que poderia ter na entrega dos produtos da BRF nas 2,4 mil padarias de São Paulo”, diz.

“São exemplos. Há muitos serviços e produtos bancários que não são devidamente explorados. O banco pode ser alavanca para o agronegócio”, aposta ele.

(Fonte: Valor Econômico)

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