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Safra pode interromper alta dos preços

Em solenidade no Paraná, ministro da Agricultura presencia o início de corte de lavoura de cana. O preço do álcool, que chegou a R$ 2 o litro na bomba em algumas regiões do Estado, pode começar a dar os primeiros sinais de arrefecimento nas próximas semanas, quando dezenas de usinas começam a moer cana. Desde o início de dezembro, quando se iniciou a entressafra da cana-de-açúcar, as usinas elevaram os preços do etanol em 33,7%, segundo o levantamento semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

A safra começou oficialmente ontem em São Tomé, região de Maringá (PR), em solenidade que contou com a presença do Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. A Destilaria de Álcool Cocamar iniciou o corte da cana em seus 3.100 hectares mecanizáveis. Ao todo, a usina da Cocamar deverá moer a cana produzida em 12 mil hectares, 75% dos quais, colhida manualmente. A produção dessa unidade deverá alcançar 72 milhões de litros de álcool.

Este é o terceiro ano consecutivo que a destilaria da Cocamar dá início à produção de álcool da região Centro-Sul. Condições climáticas e a utilização de tecnologias apropriadas permitem que as indústrias locais antecipem o início do corte da cana em até 60 dias. O início da safra ocorre tradicionalmente em 1 de maio. Segundo o presidente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), Anísio Tormena até o fim deste mês 10 unidades responsáveis por 40% dos 1,3 bilhão de litros que o Paraná produz estarão em operação.

A solenidade em Maringá ocorreu em clima tenso. Desde quando os usineiros elevaram seus preços para níveis acima do fixado em acordo firmado em janeiro, em Brasília. Na ocasião, representantes do setor se comprometeram a não cobrar mais que R$ 1,05 por litro. Após 40 dias, as usinas já haviam rompido o compromisso. O ministro da Agricultura não escondeu sua irritação e impaciência. Disse não dispor de “bola de cristal” para arriscar qualquer previsão sobre a possibilidade de queda no preço. Acrescentou que compraria um carro movido a álcool na situação atual, mas não recomendaria ao proprietário de um veículo bi-combustível que abastecesse o veículo com álcool.

Na esperança de desanuviar o ambiente, o presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Eduardo de Carvalho, divulgou nas novas estiativas de safra. A produção deverá crescer 8% e chegar a 363 milhões de toneladas este ano.

Dentro de uma semana, a Usina do Vale do Ivaí entrará em operação. Dentro de 15 dias, será a vez da Usina Santa Terezinha, também na região noroeste do Paraná. Inúmeras outras usinas do Mato Grosso e São Paulo começam a safra nas próximas semanas. O governo acredita que com a antecipação da produção de 850 milhões de litros até o final de abril, será afastado o risco de desabastecimento de álcool no Paraná.

O Paraná é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do País. Segundo a Alcopar, a produção estadual deverá crescer 15% em relação ao que estava previsto no ciclo anterior, prejudicado em função da seca ocorrida no início de 2005.

O governo espera reverter a tendência de alta do preços do etanol. Desde ontem, a mistura de álcool anidro à gasolina foi reduzida de 25% para 20%, o que deverá liberar 100 milhões de litros ao mês para ser negociado com álcool hidratado. Com isso, o preço do etanol deverá começar a cair, em prejuízo da gasolina, cujos preços devem subir entre R$ 0,03 a R$ 0,10 o litro, segundo o presidente do Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Anísio Mendes Vaz.

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