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Safra no Mato Grosso do Sul termina em dezembro e começa em março, diz presidente da Biosul

Hollanda Filho, da Biosul: o setor sucroenergético volta à agenda do governo
Hollanda Filho, da Biosul: o setor sucroenergético volta à agenda do governo

A moagem da safra 2015/16 de cana-de-açúcar deverá terminar em dezembro próximo em usinas do Mato Grosso do Sul e a 16/17 está prevista para começar em março do próximo ano.

A curta entressafra, que vai na contramão da longa parada no estado de São Paulo, é explicada pela oferta de matéria-prima.

Confira avaliações do executivo Roberto Hollanda Filho, presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul (Biosul), na entrevista a seguir ao Portal JornalCana. 

Como está a safra 2016/17 no Mato Grosso do Sul?

Roberto Hollanda Filho – A safra novamente está sendo marcada por fenômenos climáticos.

Tivemos excesso de chuvas no fim de abril, assim como em maio e em agosto.

Como isso prejudica a colheita da cana-de-açúcar?

Hollanda – Prejudica porque o Mato Grosso do Sul é o estado mais mecanizado do Brasil. Estamos com 98% com colheita de cana mecanizada.

Como estão os números da safra?

Hollanda – [Até 05/10] Colhemos até agora um pouco mais de 30 milhões de toneladas de cana da projeção de 52 milhões de toneladas para a safra 16/17 no estado.

Essa projeção de moagem é mantida?

Hollanda – Sim, estou mantendo. Empatamos com a safra passada [15/16].  Na verdade, Estamos 200 mil toneladas atrás da safra anterior, nesse começo de outubro, e eu queria crescer 7% [na moagem total]. Diria que estamos uma quinzena atrás. Mas as usinas do Mato Grosso do Sul já pegaram o know-how de moer até dezembro e começar em março. Isso fora as usinas que tocam direto. Se deu ‘brecha’ em dezembro, janeiro e fevereiro, o pessoal mói.

Isso deverá se repetir?

Hollanda – Há muita cana não recolhida por falta de tempo. Considero a moagem de 52 milhões de toneladas com esse quadro. Claro que toda unidade tem de fazer seu apontamento [parar para manutenção]. Mas ao longo da safra passada, por exemplo, em toda quinzena do ano havia pelo menos cinco usinas moendo. Não sei se isso ocorrerá de novo, mas ir até fim de dezembro e começar em março já é comum.

Isso por conta da cana que sobrar?

Hollanda – Isso. Você perde um pouco de produtividade na cana, mas compensa num preço melhor.

E como está a produção da safra em andamento?

Hollanda – Fizemos até agora quase 1 milhão de toneladas de açúcar e 1,7 bilhão de litros de etanol. O ATR está em 130 quilos por tonelada, quase igual ao da 15/16, e ainda está em recuperação. E o mix da gente é bem alcooleiro, de 73% para o etanol.

Já havia essa previsão do mix?

Hollanda – Eu até esperava que fosse menos. Ainda espero que o açúcar recupere, mas é importante entender que estamos em uma onda muito açucareira. Só que a produção de açúcar no Mato Grosso do Sul vinha sendo muito prejudicada por conta das chuvas em 2015, e da geada, em 2014. Assim, as usinas com produção de açúcar não conseguiram performar. Então, o nosso mix, que tradicionalmente era de 70%, para etanol, e 30%, e o perfil do estado indica até 65%, mas não estamos nisso, não. Estamos nos 73%.

O etanol produzido pelas usinas do Mato Grosso do Sul é escoado regionalmente?

Hollanda – Sim. A grande maioria da produção de etanol vai para o estados vizinhos. Até porque o mercado do Mato Grosso do Sul é muito pequeno: produzimos oito, nove vezes o consumo do estado.

Quantas unidades operam na 16/17?

Hollanda – 20 estão operando.

E para a safra 17/18?

Hollanda – Iremos repetir 20 unidades. Temos que ser conservadores com novidades, porque há muita especulação.

“Existe uma interlocução positiva. Essa mudança de governo trouxe um ambiente que a gente não estava tendo”

Como o sr. avalia o cenário do setor para os próximos anos, em que há projeção de mais produção de etanol por conta da COP 21? O setor deverá investir mais?

Hollanda – Estamos em um momento de oportunidade muito grande. Existe uma interlocução positiva. Há isso no Ministério de Minas e Energia, no Ministério da Agricultura. Em primeiro ponto, temos fundamentos positivos. Há a COP 21, a produção de gasolina que está no limite, e há capacidade de expansão. Por outro lado, vem a interlocução positiva.

Como assim?

Hollanda – Essa mudança de governo trouxe um ambiente que a gente não estava tendo. Independente de questões partidárias, o governo passado atrapalhou muito o setor. Isso é notório e não é preciso elaborar. Falemos sobre o governo atual: há um bom ambiente, tem tido espaço e temos visto ambiente propício nos ministérios. E vemos ciência, por parte do governo, de que existe um problema a ser solucionado. O setor sucroenergético volta à agenda do governo, e isso é muito importante.

E o setor diante isso?

Hollanda – Evidentemente temos um dever de casa. E o setor está aprendendo a trabalhar mais unido, ou seja, se dá uma musculatura política muito importante por meio do Fórum Nacional Sucroenergético, uma entidade que cada vez mais gera musculatura. Assim, pelas mãos do Fórum, e com o bom ambiente governo, digo que tenho confiança de que iremos virar o jogo do etanol e da bioeletricidade.

 

 

 

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