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SAFRA MAIOR EVITA AUMENTOS EXAGERADOS

Depois da escassez de álcool no início deste ano, a entressafra que vai de janeiro a abril de 2007 promete ser melhor. Na safra de cana-de-açúcar que está sendo encerrada este mês, só na região Centro-Sul — responde por cerca de 60% da produção do país — já foram moídas 365,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 10,19% a mais do que na safra anterior, informou a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). O estoque de álcool também está pelo menos 500 milhões de litros acima do que existia no início de 2006.

— O produtor exagerou na dose, na entressafra de 2006. Aumentou o preço demais e perdeu no volume vendido. Quando o preço começou a não compensar, o consumidor parou de comprar — afirma o diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) Dietmar Schupp.

Carro ‘flex’ atinge 81,4% do total de vendas no país

As vendas de carro flex, que atingiram 81,4% do total em novembro, continuam dando sustentação aos preços do álcool. As exportações do produto também devem atingir 3,3 bilhões de litros em 2007, quase um bilhão de litros a mais do que em 2007, informou Antônio de Pádua Rodrigues, diretor da Unica.

— Acho difícil o preço do álcool na usina, sem impostos e frete, chegar a R$1,20 o litro como na entressafra passada. Acredito que atinja no máximo R$0,85 — prevê Schupp.

Economista do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Município do Rio de Janeiro, Rodrigo Mello acredita que o mercado está mais equilibrado. O mercado futuro de álcool anidro (misturado à gasolina), parâmetro também para o hidratado (vendido nos postos), indica aumentos para o consumidor de até 8,55% em março. Por isso, na opinião de Mello, o início de 2007 não será marcado pelo mesmo “Deus-nos-acuda” de 2006.

Os derivados da cana vão subir mais do que os índices gerais, mas o coordenador de Índices de Preços da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros, não teme pressão sobre a inflação de 2007.

— Um índice de inflação baixo comporta alguns aumentos sazonais elevados. Além disso, o álcool vai subir menos que em 2006 — calcula Quadros.

Outros fatores estão contribuindo para diminuir a pressão de alta do álcool na entressafra. As exportações do produto estão crescendo, mas menos do que o esperado. O açúcar também não está subindo tanto no mercado internacional. Quando isso acontece, os usineiros priorizam a fabricação deste produto em detrimento do álcool, mas não é o caso este ano, diz o diretor das usinas Santa Cruz e Campos dos Goytacazes, Aristóteles Cardoso. (Mariza Louven)

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