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Rodrigues quer estratégia para produção do etanol

RIO – O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, atual coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), defende a criação de um órgão vinculado à Presidência da República para definir uma estratégia para os biocombustíveis, especialmente o etanol. Segundo ele, o futuro do produto tem sido discutido de forma fragmentada em oito ministérios e é preciso um projeto articulado para que o Brasil possa liderar a produção de álcool no mundo.

Rodrigues fez a proposta em seminário sobre agroenergia no Banco Nacional Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A carteira do banco na área de biocombustíveis (desde o enquadramento dos projetos até o acompanhamento dos financiamentos) no início de 2007 somava 62 projetos, no valor total de R$ 12,2 bilhões. Desse total, dos quais quase a totalidade é de etanol, R$ 7,2 bilhões serão financiados pelo BNDES.

No seminário, o especialista Luiz Cortez apresentou um estudo da Universidade de Campinas (Unicamp) no qual também chama a atenção para a necessidade de um projeto estratégico para o etanol. O estudo mostra que, pelas projeções do National Energy Information Center (NEIC), em 2025 serão consumidos 1,7 trilhão de litros de gasolina ao ano no mundo.

Caso 5% desse total sejam substituídos por etanol, serão 102 bilhões de litros por ano e, caso o Brasil queira atender a essa demanda, terá de investir US$ 5 bilhões a cada ano, em 20 anos, para instalação de 615 novas usinas. Cortez, assim como Rodrigues, também avalia que o mercado internacional apresenta uma grande oportunidade para o etanol brasileiro, mas, para aproveitá-la, é preciso definir uma estratégia para aumentar a participação nesse mercado nos próximos anos.

Para Rodrigues, é preciso criar regras para o desenvolvimento do etanol, como, por exemplo, de zoneamento agrícola para a plantação da cana. Além disso, segundo ele, é preciso definir “para quem queremos vender e quanto vamos produzir”. Ele defendeu a realização de pesquisas e disse que os Estados Unidos estão investindo muito mais nas pesquisas relativas ao etanol que o Brasil.

O ex-ministro prevê que os biocombustíveis vão transformar totalmente a economia agrícola do mundo e sugere até que a Organização Mundial do Comércio (OMC) “segure a Rodada Doha, enquanto prossegue nas negociações, para definir uma cláusula específica para biocombustíveis. Ele refutou os temores de que a agroenergia vai reduzir a produção de alimentos no mundo.

NÚMEROS

R$ 12,2 bilhões

é o valor de 62 projetos de produção de biocombustíveis na carteira do BNDES, dos quais quase tudo refere-se ao etanol

R$ 7,2 bilhões

é a parte que o BNDES financia

R$ 10 bilhões

por ano é quanto o Brasil precisa investir na produção do etanol

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