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Risco Brasil atinge o maior patamar desde novembro

O mercado financeiro voltou a viver um dia de pessimismo. Os principais indicadores pioraram nesta quinta-feira. Segundo analistas, especuladores se aproveitaram dos ruídos de comunicação envolvendo os principais membros da equipe econômica do governo Lula para espalhar boatos e intensificar as turbulências.

O risco Brasil fechou em alta de 3,66%, aos 538 pontos, o maior nível desde o último 26 de novembro (539 pontos). No ano, esse indicador já subiu 15%. O C-Bond, principal título da dívida externa do país, caiu 0,90%, cotado a 96,25% do valor de face, menor patamar desde 21 de novembro passado (96,12%).

Já o Ibovespa encerrou em baixa de 2,73%, aos 21.091 pontos, menor pontuação desde 16 de dezembro (20.759 pontos). O dólar avançou 0,41%, vendido a R$ 2,932. Os juros futuros subiram na BM&F. O contrato DI para janeiro de 2005, o mais negociado, projetou taxa anual de 15,56%, acima dos 15,54% de ontem.

Desde ontem, os boatos sobre a saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central ganharam força, interrompendo o ensaio de recuperação dos preços dos ativos brasileiros no período da manhã.

“Infelizmente, o mercado vive de boatos e especulações”, afirmou o consultor da corretora Vision, Sergio Paiva.

Futuro de Meirelles

Apesar dos desmentidos do BC, o futuro de Meirelles continua sendo alvo de comentários entre os profissionais do mercado financeiro.

“Comenta-se que Meirelles vai se candidatar a governador de Goiás em 2006. Mas ainda está muito cedo para se falar nisso”, disse Paiva, em referência a uma nota publicada em uma revista de economia na semana passada.

Já o analista da corretora Ágora Senior, Álvaro Bandeira, cobrou “consistência” do discurso do governo.

“O governo Lula começa a demonstrar certa incoerência no trato de algumas questões importantes como o ajuste fiscal, manutenção de contratos, estímulos ao crescimento”, afirmou.

Mas o analista da Ágora ponderou citando o quadro positivo para a economia neste ano.

“Todos ainda acreditam que o ano de 2004 será positivo para o país, e que o governo tem competência para iniciar movimento sustentável de crescimento.”

Copom e Fed

As turbulências no mercado começaram na semana passada, após a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e a decisão do Fed (Federal Reserve, o BC americano) de manter o juro, sinalizando, no entanto, uma alta em breve.

Para analistas, uma eventual alta do juro americano ainda neste semestre pode provocar uma fuga de capitais dos países emergentes, como o Brasil.

Já as preocupações do Copom com a pressão dos empresários por reajustes de preços fortaleceram apostas na demora da retomada dos cortes de juros. Nos próximos dias 17 e 18, o Copom volta a se reunir. A taxa Selic está em 16,5% ao ano. Boa parte dos analistas espera uma nova manutenção do juro.

Saiba mais sobre o risco

O risco Brasil, medido pelo banco americano JP Morgan, reflete a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de um país honrar sua dívida externa.

Uma taxa elevada encarece a captação externa de recursos por empresas e bancos. O indicador baliza o custo dessas operações.

Um risco em torno de 540 pontos significa que os títulos do país pagam ao investidor, em média, um prêmio extra de 5,4%, na comparação a um título dos EUA, considerado de risco zero.

O menor risco brasileiro é de 337 pontos, registrado em 22 de outubro de 1997. O maior é de 2.443 pontos, em 27 de setembro de 2002, período das turbulências eleitorais.

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