
Os CBIOs (Créditos de Descarbonização do RenovaBio) começaram 2026 operando em patamares muito baixos, com preços recentes na B3 próximos de R$ 30 por crédito, ainda refletindo as mínimas observadas no fim de 2025, quando chegaram à faixa de R$ 25–30 no pior momento do ano.
A queda persistente — e a dificuldade de reação — podem ser explicadas por um conjunto de fatores estruturais do mercado.
Aqui estão os principais:
- Excesso de oferta e estoques elevados. Em 2025, a emissão de CBIOs superou as aposentadorias, gerando um estoque significativo que foi carregado para 2026.
- Metas de aquisição das partes obrigadas de 2026 não são suficientes para elevar os preços. Está definida em 48,09 milhões de CBIOs. Aquém das linhas gerais de metas lá do início do programa.
- Produção de biocombustíveis deverá ser recorde em 2026 (tanto etanol quanto biodiesel), o que deve gerar ainda mais Cbios.
Enquanto se discute a origem dos preços baixos — excesso de oferta, metas pouco ambiciosas e incertezas regulatórias — parte das usinas já revisita o custo‑benefício de manter certificações diante do retorno menor dos créditos.
No início do programa os Cbios agregavam cerca de R$ 0,15/litro ao etanol. Atualmente esse adicional não chega a R$ 0,04/litro.
- Em resumo: para evitar a “inanição” do programa, o setor precisa de metas mais claras e estáveis, maior previsibilidade regulatória e disciplina no cumprimento — condições essenciais para restaurar o equilíbrio entre geração, estoques e demanda de CBIOs.
