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Recessão desponta no cenário econômico de 2022

Diagnóstico foi apresentado durante Reunião da Canaplan

Sergio Vale

Redução na projeção do PIB, estagflação e risco de recessão. “Gostaria de estar trazendo um cenário espetacular, mas infelizmente não é isso que vamos entregar”, disse o economista da MB Associados, Sergio Vale, durante sua participação na II Semana Canavieira promovida pela Canaplan, que teve como tema Mercado e Finanças.

Segundo o economista de todas as variáveis internacionais, a mais relevante é a taxa de câmbio. “Neste cenário pós-pandemia a economia mundial vem apresentando um crescimento na casa de 6%, que pode ser considerado um crescimento forte, num momento em que a produção apresenta um descompasso entre demanda e oferta, o que explica essa variação grande de preços”, disse.

O economista destacou que no cenário internacional analisando precisamos estar atentos à China (que passa por tensões no mercado imobiliário) e também na instabilidade da política monetária dos EUA.

De acordo com Vale, a economia chinesa vem sofrendo uma leve desaceleração. “Então é preciso observar se tem de fato uma bolha no mercado imobiliário chinês ou não, afinal esse mercado equivale a quase 30% do PIB chinês. Por isso, é uma situação que precisa ser acompanhada em 2022.

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Gareth Forber

No cenário nacional, a MB projeta para 2022 uma redução no PIB dos atuais 4,7 para 0. A projeção anterior era 0,4 mas diante do cenário de mudanças no regime fiscal, corrigimos para zero, ou seja, praticamente estagnada, elevando o risco de a economia brasileira entrar em recessão. “Estamos falando em 2 anos com inflação acumulada de quase 15%. Podemos dizer que estamos passando por um processo de estagflação, com a taxa de juros devendo subir para 10,5%, podendo chegar até 12%”, alerta o economista.

“Semana passada houve uma mudança no regime fiscal brasileiro (a regra do teto). Essa mudança foi muito prejudicial, pois o país perde credibilidade. Como se vai acreditar em novas regras, se elas sempre são burladas.  A mudança de regime fiscal, com essa taxa de cambio, pressiona a inflação, eleva a taxa de juros, a dívida pública que já é elevada, vai subir para 84/85% do PIB. A questão fiscal é o elemento central, que desorganizou a economia brasileira para o próximo ano”, avaliou o economista.

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Tarcilo Rodrigues

O evento também contou com a participação de Gareth Forber, da Consultora LMC – International, que focou sua participação nas perspectivas para o mercado mundial de açúcar, que trouxe um questionamento por quanto tempo o mundo irá depender da Índia para definição dos preços. Os preços globais de açúcar têm como pisos a paridade de exportação da Índia e a paridade com o etanol no Brasil. Já o teto é a paridade de importação da China.

Gareth falou que tanto o Brasil, como a Tailândia, respectivamente os dois maiores exportadores, apresentaram dificuldade na produção deste ano. “Então você tem o maior importador que é a China, que continua comprando uma grande quantidade, com o papel de absorver a produção brasileira. Porém, deixa uma lacuna que está sendo preenchida pela Índia. Se o mercado quiser açúcar indiano, os preços precisam ser negociados em valores que os incentivem”, explicou. No início do ano os preços de açúcar estavam em níveis semelhantes ao preço do etanol, até o final de agosto quando se tornou claro que essa safra seria pior, mudando a paridade para incentivar as exportações”, disse Gareth.

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Andy Duff

Também participou do evento Tarcilo Rodrigues, da BioAgência, que apresentou uma projeção dos preços dos combustíveis no Brasil, que alertou que novos aumentos de combustíveis deverão acontecer. “Quando juntamos o cenário do petróleo com o câmbio, projetamos que a gasolina pode passar de R$ 7,00 em março, o etanol pode chegar a 5,07 no mesmo período.”

Andy Duff, do Rabobank, explicou que houve uma redução do endividamento das empresas do setor sucroenergético de 18%, na safra 20/21 em comparação com a 19/20. “Isto significa que as empresas entraram nessa safra 20/21 com uma saúde financeira boa. Nós olhamos sempre para o retrovisor, e a previsão para 21/22 é muito preliminar. O desempenho em redução de endividamento na safra passada foi impressionante, mas para a próxima safra percebemos pouco espaço para reduzir em 2022”, disse.

 

 

 

 

 

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