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Raquitismo diminui produtividade da cana

A prevenção é o melhor remédio. A receita é antiga, mas continua valendo. E deve ser aplicada também para o crescimento e o desenvolvimento saudável da cana-de-açúcar. A boa saúde dos canaviais depende da escolha de variedades resistentes a doenças e, principalmente, da adoção de cuidados especiais como a seleção e o tratamento de mudas. Apesar da aparente situação de controle nos canaviais, o risco de doenças sempre existe. “É preciso estar atento ao raquitismo-das-soqueiras. Essa doença pode ser a responsável pela baixa produtividade em muitos canaviais”, alerta o engenheiro agrônomo Gustavo Nogueira, responsável pela produção de mudas do viveiro da Copercana/Canaoeste, que fica na Fazenda Santa Rita, em Terra Roxa (SP).

“A produtividade da plantação com raquitismo despenca a partir do terceiro ou quarto corte. A área agrícola de algumas usinas avaliam que essa queda ocorre por causa da variedade ou de outros fatores. Mas, elas se esquecem de realizar o tratamento térmico dos toletes, que é a única maneira de impedir o raquitismo”, ressalta. Segundo Gustavo, esse tratamento, feito em um tanque com água aquecida, pode ser realizado de duas maneiras: com temperatura, controlada e contínua, de 50,5º durante duas horas ou com temperatura de 52º por trinta minutos. “Apresentam a mesma eficiência”, observa.

O raquitismo provoca germinação lenta e sem uniformidade. E o pior: não apresenta sintomas característicos que possibilitem o seu diagnóstico com facilidade. Além disso, é facilmente transmitido pelo agente causal — provavelmente, uma bactéria. A maneira mais comum de transmissão do raquitismo e de outras doenças é por meio do instrumento de corte (podão), que deve ser limpo e desinfetado três ou quatro vezes por dia ou quando houver mudança de variedade durante o trabalho no viveiro. Na Fazenda Santa Rita, a “descontaminação” é feita pelo sistema de flambagem, ou seja, a queima por meio de chamas rápidas. Outro método é a utilização de produtos químicos indicados para esse caso.

“As mudas, que representam entre 48% e 49% do custo plantio, devem ter boa procedência e serem tratadas e cuidadas adequadamente”. enfatiza Gustavo. No viveiro da Copercana/ Canaoeste — que atende 3.000 produtores cooperados do Oeste do Estado de São Paulo —, existe a prática do “roguing”, inspeção feita em rua por rua, a cada trinta dias, em média, para o controle do carvão, escaldadura, ferrugem e outras doenças. “Quando se constata uma muda contaminada, ela é eliminada por meio de uma solução de glifosato e a ocorrência é anotada em uma ficha. No caso do carvão, o chicote — um alongamento da planta formado por conseqüência da doença — é cortado e ensacado, além de receber, juntamente com a touceira, a aplicação de glifosato”, explica.

A Copercana/ Canaoeste, que mantém parcerias com programas de melhoramento do IAC —Instituto Agronômico de Campinas e da UFSCar — Universidade Federal de São Carlos tem a finalidade de fornecer a produtores mudas que apresentem bom “stand” de plantas, resistentes a doenças e que ajudem a aumentar a longevidade dos canaviais. “As nossas mudas devem ser utilizadas para serem multiplicadas e não para o plantio comercial”, orienta o agrônomo.

Risco de contaminação ronda lavouras

“Apesar dos programas de melhoramento estarem desenvolvendo variedades resistentes, algumas delas apresentam, ainda, suscetibilidade a doenças”, observa Leila Dinardo Miranda, pesquisadora do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Cana-de-Açúcar do Instituto Agronômico de Campinas — Centro Apta Cana/ IAC, com sede em Ribeirão Preto. Ela lembra que os prejuízos podem ser significativos, pois não existem tratamentos químicos ou biológicos que contenham o avanço de doenças nos canaviais. “No caso da ocorrência de escaldadura, com infestação intensa, pode haver perda de um corte e necessidade de reforma antes do previsto”, exemplifica. Dependendo do grau da incidência da doença, os produtores ou usinas devem optar, em alguns casos, pela troca de variedades. Além dos cuidados com o viveiro e a procedência das mudas, os especialistas recomendam manter a lavoura sempre limpa e capinada e evitar plantações de milho ou outras gramíneas próximas dos canaviais, por causa da presença do pulgão, que é o maior transmissor do mosaico.

Para Gustavo Nogueira, da Copercana/Canaoeste, a ferrugem é a doença que mais exige atenção, atualmente, depois do raquitismo. Na década de 80, ela atingiu canaviais da região de Capivari (SP), chegando a provocar perdas entre 20% e 30%. O amarelinho, que afetou a variedade SP-6162, nos anos de 1992 e 1993, assustou muitos produtores. “Depois disso, desapareceu. Alguns pesquisadores consideraram o amarelinho uma doença e outros não, pois acreditam que foi um problema especifico de uma variedade”, pondera Gustavo. Entre as doenças que devem ser constantemente “vigiadas” inclui-se o carvão que prejudica o crescimento das plantas, provocando o aparecimento de folhas finas, parecidas com um chicote. É causada por um fungo. Essa doença provoca um verdadeiro definhamento na cana-de-açúcar, afetando os rendimentos agrícola e industrial.

Em condições adversas, como seca ou temperaturas baixas, existem possibilidades do surgimento da doença podridão-abacaxi. que afeta o “stand” (germinação) da planta e em estágios mais avançados causa a deterioração dos toletes antes das gemas brotarem. Durante a infestação, pode haver exalação de odor semelhante ao do abacaxi maduro. A escaldadura, que já teve maior importância econômica, deixa os brotos esbranquiçados e com um filete branco no meio das folhas. Nas plantas já desenvolvidas, ocasiona o surgimento de brotos nas pontas da planta crescida. A escaldadura provoca baixa germinação das mudas, morte dos rebentos ou de toda a touceira e baixo rendimento em sacarose. O mosaico, que está “sumido” dos canaviais mas já fez muitos estragos no passado, é caracterizado por manchas de coloração verde-clara.

Serviço

Instituto Agronômico – Ribeirão Preto (SP) – 16 621-1110

Copercana/ Canaoeste – Sertãozinho (SP) – 16 3946-3300

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