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Queda no consumo eleva projeção de excedente de açúcar para a safra atual

Afirmação é da Archer Consulting

Foto: Arquivo/JornalCana

A variação semanal do açúcar foi positiva em NY, valorizando na semana de 9 a 13 dólares por tonelada e mesmo com o real se apreciando frente à moeda americana fechando próximo à mínima de R$ 5,5341, notícias acerca da enorme retração do consumo vindo de várias direções poderão afetar ainda mais os preços e os humores do mercado nas próximas semanas, afirma a Archer Consulting.

Segundo a consultoria, o consumo mundial de açúcar também pode sofrer uma queda maior do que aquela esperada pelo mercado. Estima-se, por exemplo, que na Índia a pandemia vai reduzir o consumo daquele país em 2 milhões de toneladas do adoçante. “O mês de maio normalmente é profícuo para o consumo de açúcar na Índia tendo em vista as festividades (muitos casamentos ocorrem durante este mês) e, desta vez, aditivamente, pela celebração do Ramadã. Num país que possui 150 milhões de muçulmanos, as festividades do Ramadã se encerram neste sábado após 30 dias e a pandemia afetou o consumo”, constata relatório da Archer Consulting.

Devido ao atual cenário, as projeções para a produção do adoçante começam a ser revistas e sinalizam volumes acima de 37 milhões de toneladas. Mas quanto às exportações, que foram de 19.4 milhões de toneladas acumuladas nos últimos doze meses, há dúvidas de que o açúcar excedente a ser produzido este ano, de cerca de 9 milhões de toneladas, encontre guarida no mercado internacional.

“O Brasil vai suprir, sem dúvidas, boa parte do vácuo deixado por Índia e Tailândia, mas não vai conseguir terminar a safra exportando 28 milhões de toneladas de açúcar. A média de exportação brasileira acumulada em doze meses, nos últimos dez anos, foi de 25 milhões de toneladas de açúcar. Nosso número está próximo de 23.5 milhões de toneladas”, afirma a consultoria.

A COVID-19 vem derretendo a economia mundial, e por consequência o consumo. Segundo estimativas da Unidade de Inteligência do periódico inglês The Economist, a economia na zona do Euro deve encolher 6.9% neste ano. No Reino Unido, espera-se uma queda de 8.7%. Os Estados Unidos, cujo número de desempregados em nove semanas escalou para mais de 38 milhões de pessoas, deve contrair 3.8%, enquanto o Brasil deve amargar 5.5% de redução na atividade econômica.

Com a previsão de redução de 40% na venda de veículos novos, de acordo com a divulgação da indústria automobilística no Brasil, estima se que a frota brasileira de veículos leves que deveria encerrar o ano de 2020 com 38.7 milhões de veículos, deve chegar nos 38 milhões, reduzindo o consumo no Ciclo Otto em mais de 800 milhões de litros de combustíveis, prevê a Archer Consulting.

Com a redução drástica do consumo esperado de combustíveis para este ano no País, além do encolhimento na demanda interna de açúcar devido à queda na renda das famílias, é natural que haja um excedente de açúcar no final desta safra, afirma Arnaldo Luiz Corrêa. “Um estoque de passagem que se prevê alto e que pode pressionar imensamente os preços no último trimestre do ano, em especial se se confirmarem as previsões de respeitados economistas de que o pior ainda está por vir e, também, se houver um agravamento na saúde das empresas”, conclui.

 

 

 

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