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Quanto vale um conselho?

Um experiente produtor sucroenergético encontra-se diante de uma situação difícil: 80% da receita prevista para a safra será destinada para honrar o pagamento de dívidas com bancos, o que simplesmente inviabilizará as atividades da usina. Patrimônio tem, mas está todo alienado. Vender as usinas, que apresentam excelente performance operacional e comercial, seria a solução. Mas cadê comprador?

Depois de décadas contribuindo com o desenvolvimento do país e participando do boom de implantação de usinas acreditando no “etanol é nosso” tão bem propagado pelo ex-Presidente Lula, e amargando prejuízo atrás de prejuízo com os seguidos desmandos do governo Dilma no setor, enfim o desalento total se abate sobre o empresário. Que absurdo, que injustiça! E ninguém faz nada?!

Então uma solução mágica é apresentada: uma medida judicial que dá seis meses de fôlego para as finanças da empresa e força os bancos a “engolir” perdas e prazos no pagamento das dívidas, ainda que exista a possibilidade também da família perder tudo. Mas, perdido por perdido, a medida drástica é tomada!

Ao tomar conhecimento do fato, um amigo próximo decide visitar o empresário e ver se pode, de alguma forma, ajudar a família. Na conversa, o amigo percebe a pressão que estava submetido o produtor ao tomar aquela atitude drástica. Mas também identifica que, apesar de todas as dívidas com bancos, a usina não se enquadrava exatamente no perfil de insolvência que a medida judicial contemplava e, por esta razão, havia uma grande possibilidade do “tiro sair pela culatra”, causando a paralisação das atividades da empresa e impactos terríveis para todo o sistema de crédito do setor.

Difícil era desarraigar o empresário experiente, e de um caráter irretocável, de uma decisão já tomada! Contudo, fruto de uma amizade sincera e de uma coragem espontânea, o amigo ousou enfrentar os argumentos emocionais e desafiar um conceito em desuso de honra improdutiva, a qual aceita perdas inconsequentes apenas por uma palavra empenhada a alguém que não necessariamente assume o mesmo nível de comprometimento.

Também foi fundamental criar uma ponte para a esperança, mostrar que existiam alternativas viáveis e consolidadas no mercado, mas elas apenas não estavam dentro do campo de visão do empresário devido à pressão daquele momento difícil. Caso ele desse  abertura, a medida já tomada poderia servir para abrir um caminho de negociação que poderia garantir a continuidade das atividades da empresa e beneficiar todos os envolvidos. E que ele contaria com pessoas competentes para o êxito desta tarefa.

Esta história ilustra bem o impacto que bons conselhos podem gerar a uma família, a uma empresa, a milhares de colaboradores e a todo um mercado.  Não é à toa que a Bíblia está cheia de passagens que estimulam cercar-se de bons conselheiros, pessoas que são isentas, portanto de confiança; e competentes, porque conseguem transformar conselhos em ações práticas.

Isto me leva a uma reflexão interessante: imagine se a Presidente Dilma contasse em seu círculo próximo com alguns conselheiros isentos e competentes, em vez dos fisiologistas de plantão? Sem dúvida, o setor sucroenergético e o próprio Brasil estariam numa rota de desenvolvimento e prosperidade, bem diferente da profunda crise que assola a nós todos.

Os fatos demonstram o quanto vale um conselho. Um conselho bem dado, no momento certo, pode evitar uma tragédia, seja para uma pessoa, uma empresa, um mercado ou para todo um país.

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