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Projeções para o açúcar e o etanol em 2016, segundo a INTL FCStone

João Paulo Botelho e Vitor Andrioli, analistas da consultoria INTL FCStone, avaliam, respectivamente, os mercados do açúcar e do etanol em 2016.

0ço9-(1)Os relatos a seguir integram estudo especial realizado pela consultoria. 

Açúcar: altista e sob impactos

Botelho: mix da safra 16/17 será mais açucareiro
Botelho: mix da safra 16/17 será mais açucareiro

“Os preços internacionais do açúcar mantiveram no quarto trimestre [de 2015] o movimento altista iniciado em novembro, com as cotações voltando para o patamar praticado no final de 2014. O principal motivo para a alta foi a consolidação da expectativa de déficit global na safra 2015/16, que começou em outubro. Estimamos que no total desta temporada a demanda mundial superará a produção em 5,6 milhões de toneladas, reduzindo o nível de estoques do produto, que se encontravam nas máximas históricas.

Entre os motivos para o déficit podemos destacar a falta de investimentos em aumento da capacidade produtiva nos últimos anos e os efeitos do El Niño, fenômeno que tende a afetar a produção nos principais players tanto da América Latina como da Ásia e Oceania. Meteorologistas estimam que a ocorrência atual é a mais intensa já registrada e que seus efeitos devem perdurar durante o primeiro trimestre de 2016.

No Centro-Sul do Brasil, o volume elevado de chuvas em importantes regiões produtoras entre os meses de setembro e novembro dificultou o aproveitamento da safra, ao diminuir os dias aptos para a colheita e a concentração de açúcares na cana. Com isso, a produção de açúcar deve ficar entre 700 mil e 1 milhão de toneladas abaixo do que era esperado, mesmo com muitas usinas pretendendo operar até janeiro ou mesmo ’emendar’ as safras.

Leia mais: 5 impactos – bons e ruins – sobre o mercado de açúcar

O principal fator altista durante o último trimestre foi o anúncio de subsídio para a cana na Índia, que será condicionado ao cumprimento de meta de exportação pelas usinas. O efeito sobre o total vendido, entretanto, deve ser limitado pela quebra na safra local – devido à seca causada pelo El Niño – que deve aumentar os preços domésticos e pode inviabilizar um grande volume de exportações.

O resultado da colheita no país, assim como o plantio da próxima safra, será um dos fatores que o mercado observará com atenção nos primeiros meses de 2016. Além da Índia, os agentes devem acompanhar com interesse os números de produção na Tailândia, China e União Europeia, uma vez que a redução no volume produzido por estes países é essencial para a confirmação do patamar do déficit global.

Quanto ao Brasil, a perspectiva é de que a safra 2016/17 terá um volume de cana superior à atual e será marcada por um mix mais açucareiro, principalmente devido à desvalorização do real, que melhora a remuneração do açúcar em comparação com o etanol. Esta expectativa depende, além dos preços do adoçante e do câmbio, da melhora da situação financeira das usinas e do preço da gasolina, que pode aumentar tanto por decisão da Petrobras, como por uma elevação da Cide.”

Leia mais: Usinas devem aproveitar preços e liquidar parte do estoque

Fatores altistas:

1 – Déficit esperado de 5,6 milhões de toneladas para a safra global 2015/16

2 – Seca na entressafra deve prejudicar a produção de açúcar na Índia. Quebra maior do que é esperado deve minar exportações do país em 2016

Fatores baixistas:

1 – Câmbio deve estimular exportações brasileiras

2 – Obrigatoriedade de exportação para recebimento de subsídio à cana na Índia

3 – Cenário macroeconômico marcado por dólar forte e petróleo em queda

Etanol: entre precipitações e demanda alta

“A safra 2015/16 do Centro-Sul deve se estender pelo primeiro trimestre deste ano devido à ampla disponibilidade de cana bisada. As chuvas, que afetaram de colheita dessa temporada a partir de setembro passado, são previstas acima da média nas regiões produtoras do Paraná e Mato Grosso do Sul e dentro das normais climáticas nos demais estados do cinturão canavieiro.

Andrioli: consumo menor de etanol no primeiro trimestre
Andrioli: consumo menor de etanol no primeiro trimestre

Por se tratar de uma época costumeiramente bastante úmida espera-se, portanto, tempo desfavorável às atividades no campo, continuando a limitar a produção do setor sucroenergético nos próximos meses. Mais precipitação, por outro lado, tem sido favorável à formação do canavial que será colhido a partir de abril. Ainda pelo lado da oferta, a posição dos estoques de etanol até novembro de 2015 apresentava cenário de relativo aperto.

Comparado ao observado em período idêntico das safras mais recentes, o volume armazenado de ambas as variedades do álcool carburante encontra-se reduzido em aproximadamente 25% em relação ao ciclo 2014/15 e praticamente em linha com os estoques de 2013/14. Ao mesmo tempo, a demanda por combustíveis do Ciclo Otto tem caminhado para fechar o ano em valor semelhante ao contabilizado em 2014 e com crescimento de mais de 8% em relação a 2013.

A confluência de estoques e produção menos abundantes e de consumo com propensão à estabilidade aponta para a manutenção de patamar mais elevado dos preços do etanol pagos às usinas no início de 2016.

Após atingirem os menores valores da safra nas semanas finais de agosto, os PVU em São Paulo escalaram de maneira quase ininterrupta até o final de 2015, alcançando e permanecendo em torno de máximas históricas. Melhor remuneração às usinas resultou, todavia, no aumento dos preços nas bombas e na deterioração da paridade com a gasolina, o que contribuiu para a desaceleração da demanda por hidratado a partir de novembro.

Essa tendência, de consumo moderado, deve se expressar ainda no primeiro trimestre em 2016, contrabalançando a menor disponibilidade de etanol. Dentre os principais fatores de mudança em relação ao ano passado está a perspectiva de aumento da demanda externa por etanol em 2016, particularmente dos Estados Unidos. O país retomou o cronograma de divulgação dos objetivos do padrão de combustíveis renováveis, o RFS, e elevou os volumes obrigatórios de uso da categoria em que se enquadra o etanol de cana-de-açúcar.

Sobre o mandato de 2015 para os combustíveis avançados houve um aumento de 44,1% da parte que pode ser atendida pelo biocombustível brasileiro, elevando consideravelmente a expectativa de ampliação das exportações. Ademais, a Califórnia readotou seu programa de combustíveis limpos com termos favoráveis ao maior uso de etanol do Brasil, valorizado por sua intensidade de carbono mais baixa, o que deve reforçar a demanda americana pelo álcool de cana.”

Fatores altistas: 

1 – Previsão de início de ano ainda chuvoso no Centro-Sul brasileiro

2 – Estoques de etanol relativamente apertados no país

3 – Câmbio e preços internacionais mais elevados incentivam safra mais açucareira

Fatores baixistas:

1 – Cenário macroeconômico adverso afeta a demanda por combustíveis

2 – Tendência sazonal de consumo mais fraco no primeiro trimestre do ano

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