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Produtores garantem que preço cai em junho

O motorista converte o combustível do carro de gasolina para álcool, na mesma proporção que os usineiros convertem suas máquinas de produção de álcool para açúcar, conforme o mercado favoreça. O governo, que deveria ter sido o árbitro dessa disputa, deixou o jogo correr frouxo especialmente de agosto a novembro do ano passado. Os usineiros suspeitam até de má-fé e classificam como “farra do álcool” a decisão do governo de lançar no mercado grande parte de seus estoques reguladores, em plena safra da cana no ano passado. Quase de graça antes das eleições, e agora, 100% mais caro em alguns postos e correndo o risco de provocar filas por falta de estoque. Essa é a situação do álcool combustível no Brasil.

O presidente da União das Destilarias do Oeste Paulista, Luiz Zancaner, entidade que reúne 23 usinas produtoras de álcool e açúcar, com participação em torno de 10% da safra nacional, explica que a responsabilidade de manter viáveis os preços do álcool para o consumidor não é só do governo, mas especialmente dos produtores. Ele garante que o preço do álcool vai baixar. Mas só a partir de junho. Zancaner, líder regional dos empresários, também é sócio proprietário da Usina Unialco, de Guararapes (SP), na região de Araçatuba.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

Diário da Região – Os usineiros anunciam que a safra deste ano será antecipada. Qual o motivo?

Luiz Zancaner – Há um compromisso de todas as indústrias do Noroeste Paulista em antecipar em uma ou duas semanas a safra de 2003, para dar um suporte melhor ao abastecimento de álcool. Algumas devem começar a moer no fim de março. Nós vamos perder um pouco da sacarose porque as lavouras ainda não estarão no ponto ideal de maturação, mas a oferta está muito apertada e é preciso regular o mercado.

Diário – Teremos mais produção álcool pela redução de açúcar ou aumento da área plantada?

Zancaner – Os dois. Mas a gente deve priorizar os estoques de álcool e deve reduzir um pouco a produção de açúcar. A proposta é produzir em torno de 10% mais que a quantidade de álcool do ano passado. Os estoques de hoje, embora não saiba quantificar comparativamente, são os mais baixos dos últimos anos.

Diário – As conversões irregulares e as facilidades dos novos motores aceitarem o coquetel com a gasolina alteraram todas as previsões?

Zancaner – Sem dúvida descontrolou. Aquele volume de produção que os usineiros se dispuseram a fabricar foi colocado no mercado. Isso foi estimado e discutido com o governo. Mas como o governo não fez o estoque regulador, quando os preços baixos chegaram em agosto a R$ 0,30 e R$ 0,40 o litro ao nível do produtor, isso representou uma explosão no consumo, já que os preços despencaram também nas bombas de abastecimento no varejo. O governo não tinha detectado isso nem estava preparado, apesar do setor reiteradamente ter pedido para que o governo fizesse o estoque regulador, que comprasse álcool na safra para suprir na entresafra, ou que arrumasse linhas de crédito que foram aprovadas e não houve verba. O próprio ministro Pratini de Moraes, da Agricultura e Pecuária pediu na época que o governo adotasse essa solução, mas a providência não foi tomada e os estoques não foram feitos.

Diário – Além da antecipação da safra quais outras soluções?

Zancaner – Quem está resolvendo o problema são os produtores. Nós é que pedimos a redução na mistura. Talvez a gente traga um pouco de álcool do Nordeste para poder deixar o mercado paulista abastecido. Isso seria uma obrigação parcial do governo. Nós estamos fazendo o possível para normalizar o abastecimento até o início da safra que será a partir abril e maio, por entendermos que o setor tem responsabilidade na manutenção de preços razoáveis no mercado.

Diário – Há possibilidades de queda de preço ainda nesse semestre?

Zancaner – Com certeza, a partir de junho o preço do álcool vai regredir. Não nos níveis do ano passado, mas em torno de 60% a 70% do valor da gasolina.

Diário – A produção de açúcar é arma dos usineiros para aumentar o preço do álcool?

Zancaner – Não. Porque se o usineiro não tiver o bom senso e a clara consciência de que metade da cana produzida no Brasil vai para o álcool, se ele desprezar esse mercado interno para fabricar o açúcar, estará dando um tiro no pé. Nós temos que priorizar o abastecimento interno de álcool.

Diário – Mas o açúcar serve como um refúgio de segurança.

Zancaner – Serve, claro. Mas acho que é preciso ter uma remuneração justa para o álcool. O governo que terminou, e já foi tarde, detonou o setor. No ano passado em plena safra ele jogou parte do estoque que tinha no mercado, em torno 200 milhões de litros que, agora fazem falta. Ao invés de utilizar o estoque na entressafra, o governo, ou seja a Petrobras despejou as reservas quando as usinas também ofereciam o produto da safra ao mercado. Foi uma barbaridade, suspeita de ma-fé. Esse governo que está assumindo demonstra bom senso e interesse que o problema seja resolvido e isso é muito importante.

Diário – O mercado externo pode pressionar que os usineiros convertam suas máquinas de álcool para açúcar?

Zancaner – Não. Os preços do açúcar lá fora estão bons, mas nada de excepcional. Com essa recuperação do álcool em nível de mercado interno é melhor fazer álcool do que fabricar açúcar.

Diário – Carro a álcool ou carro a gasolina?

Zancaner – De preferência os dois. No primeiro semestre desse ano deve ser lançado pela GM um carro de consumo duplo. Acho que essa deve ser a solução. O consumidor mesmo é quem vai controlar os preços. Se o álcool estiver mais caro, ele usa gasolina e vice-versa. Basta apertar um botão no painel. (Diarioweb)

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