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Produtores de cana sugerem boicote do etanol à Petrobras

Arnaldo Bortoleto, presidente da Coplacana
Arnaldo Bortoleto, presidente da Coplacana

Insatisfeitos com a situação atual do setor, produtores de cana-de-açúcar de Piracicaba estão propondo à indústria sucroalcooleira um boicote à Petrobras. A medida consistiria na interrupção do fornecimento de etanol anidro à estatal até que haja um posicionamento do governo para correção dos preços dos combustíveis a fim de que os valores praticados superem os custos operacionais.

Hoje, segundo a categoria, para cada tonelada de cana colhida, há um prejuízo de mais de R$ 8. A sugestão do boicote será apresentada oficialmente no dia 21 de julho em reunião com a Consecana (Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool no Estado de São Paulo), órgão que é responsável por apurar os custos de cultivo e moagem de cana para produção de etanol.

Se aprovada, a medida poderá ser posta em prática logo em seguida. “Os produtores sozinhos não têm como realizar um boicote, por isso estamos fazendo essa sugestão aos industriais. O setor passa por muitos problemas e essa é uma medida necessária para que o governo se posicione e acabe com essa crise do etanol”, disse Arnaldo Bortoleto, produtor e presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo).

Segundo ele, há mais de três anos os preços estão estagnados, o que vem provocando inúmeros problemas para o setor. Bortoleto explica que os produtores deveriam receber entre R$ 75 e R$ 80 por tonelada de cana colhida, porém o preço praticado hoje gira em torno de R$ 63, o que prejudica o setor e inviabiliza novos investimentos. Piracicaba conta com cerca de 3 mil produtores de cana-de-açúcar, volume que chega a 5 mil na macrorregião. Com o boicote, todo o fornecimento de etanol anidro, que é um dos componentes adicionados à gasolina, seria interrompido, situação que provocaria uma falta de combustível no mercado.

Além disso, também a distribuição de etanol hidratado (utilizado para abastecer diretamente) seria diminuída, o que obrigaria o Governo a se posicionar e ao menos discutir medidas que possam viabilizar a recuperação do setor sucroalcooleiro. Conforme Bortoleto, mesmo com as seguidas correções do petróleo no mercado internacional, o governo não vem promovendo os reajustes no preço da gasolina para segurar a inflação.

O etanol, no entanto, acaba sofrendo diretamente esses impactos, já que os produtores de cana têm aumento nos custos ano a ano e, mesmo assim, os preços do biocombustível não podem ser corrigidos, pois com a gasolina no patamar atual, o etanol mais caro não seria competitivo.

O presidente destacou ainda que a utilização de um estoque regulador, medida que chegou a ser ventilada pelo Governo anos atrás, poderia ser uma das ferramentas para diminuir as perdas da cadeia sucroalcooleira, já que evitaria quedas abruptas de preços na safra da cana-de-açúcar. “Nós não queremos vender mais caro, nós queremos que o etanol tenha preços justos e seja competitivo no mercado”

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