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Produtores de cana de PE lutam para receber 100% dos CBIos

Enquanto acordo com usinas não sai, o uso do CAR foi bloqueado

Assembleia foi realizada no começo da semana para tratar do assunto

O setor canavieiro, ligado à Associação dos Fornecedores (AFCP) e ao Sindicato dos Cultivadores (Sindicape), reafirmou nesta semana que somente aceitará receber 100% dos CBios baseado na cana fornecida e não aceitaram a propostas das usinas de pagar apenas 60% do valor dos créditos de descarbonização.

Diante do impasse, o Sindaçúcar deverá apresentar outra proposta para os fornecedores independentes de cana na próxima semana. Mas as usinas foram proibidas pela AFCP e Sindicape de usar os dados ambientais (CAR) dos seus 7 mil canavieiros associados para se cadastrarem no RenovaBio junto à Agência Nacional do Petróleo. Esses produtores fornecem 52% da cana utilizadas pelas 13 usinas em atividade no Estado.

A decisão foi divulgada após assembleia do setor, realizada no começo da semana, e tem como base o Projeto de Lei (3149/20), do deputado federal Efraim Filho (DEM/PB).

“A nota do CBios melhora de acordo com a certificação ambiental da cana usada na fabricação do etanol. E a nota qualifica o valor pago. Tem melhor pontuação a cana classificada como primária, menor uso de fertilizante e de máquina a base de diesel. Dessa forma, a usina poderá ganhar uma nota melhor do CBios quando informa a cana dos agricultores na certificação do RenovaBio”, esclarece Alexandre Andrade Lima, presidente da usina Coaf e da AFCP.

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“Os industriais ficaram de se reunir e apresentar uma contraproposta na próxima semana, mas adiantamos que a única proposta que aceitamos é 100% dos CBios nos quais os fornecedores merecem. Do contrário, as usinas continuarão tendo de perder até 30% na composição da nota do CBios porque estarão impedidas de usar o CAR dos canavieiros”, realça Gerson Carneiro Leão, presidente do Sindicape.

Carneiro, que também é diretor da usina Agrocan, localizada em Joaquim Nabuco, já assumiu o compromisso de certificar a unidade junto à ANP para depois distribuir a totalidade dos CBios com os produtores. O mesmo foi confirmado pela usina CooafSul em Ribeirão, também na Mata Norte.

Essas duas unidades se somarão a Coaf de Timbaúba, primeira usina brasileira que tomou essa atitude desde a última safra e tem ampliado a certificação ambiental da cana do seu fornecedor, em busca da melhor pontuação dos CBios. Foram negociados R$ 810 mil em CBios na unidade com base na produção de etanol na última safra.

 

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