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Produção industrial cai 3,2%

Pelo segundo mês consecutivo, o Estado teve o pior desempenho da indústria em todo o País, conforme o IBGE

Pelo segundo mês consecutivo, a indústria cearense apontou o pior resultado do País no quesito produção física, mensurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o estudo, o volume produzido na indústria de transformação cearense em janeiro deste ano foi 3,2% menor do que o obtido em dezembro do ano passado. A queda interrompe série de três anos consecutivos em que a produção física registrada pelo setor em janeiro superava a obtida em dezembro do ano anterior.

Comparando janeiro de 2008 com janeiro de 2007, o Ceará foi o único dos 14 locais pesquisados pelo IBGE que teve retração, em 2,3%. Os maiores avanços foram verificados no Paraná (19,7%), Amazonas (17,9%), Pernambuco (12,6%) e São Paulo (12,5%). A média do País foi positiva em 8,5%.

Já no acumulado desde janeiro, todos os locais pesquisados tiveram alta, com o Ceará acusando expansão de apenas 0,5%, próxima ao fechamento de 2007 (0,3%).

Têxteis puxam queda

Fragilizada pelo real supervalorizado, que inibe exportações, e pela concorrência com os chineses, a indústria têxtil está no olho do furacão da diminuição do produção industrial cearense. Conforme o IBGE, 60% dos produtos verificados tivem produção inferior à realizada em janeiro do ano passado, provocando queda de 37,6% no indicativo mensal.

O presidente do Cede (Conselho Estadual do Desenvolvimento Econômico), Ivan Bezerra, frisa que, ´se a indústria está produzindo menos, está faturando mais pela agregação de valor a seus produtos´. Contudo, ele reconhece o enfraquecimento que o setor está enfrentando no mercado externo.

Com efeitos negativos mais suaves sobre o resultado global do Estado figuram: máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-35,6%) e refino de petróleo e produção de álcool (-13,9%).

Por outro lado, as maiores contribuições positivas sobre a média global da produção física industrial do Ceará vieram dos setores de alimentos e bebidas (10,72%) e de calçados e artigos de couro (14,85%), impulsionados em grande parte pelo avanço dos itens castanhas de caju e calçados de plásticos, respectivamente.

MANUFATURAS CEARENSES

Indi vê retração de 11,96% nas vendas

As vendas industriais cearenses também começaram o ano com forte queda: conforme a pesquisa indicadores industriais, elaborada pelo Indi (Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará), ligado à Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), a queda nas vendas totais da indústria manufatureira foram 11,96% menores em janeiro deste ano do que em dezembro do ano passado. Na comparação com janeiro, o cenário foi de leve recuperação, conforme o estudo, apontando tímida alta de 1,25%. ´Embora seja uma pesquisa com metodologia e objetivos diferentes, os dados parecem corroborar os dados do IBGE´, reconhece o coordenador da Unidade de Economia e Estatística, Pedro Jorge Viana.

Dos sete setores pesquisados, apenas os de minerais não-metálicos e o metalúrgico começaram o ano com vendas em alta, de 25,5% e 8,04%, respectivamente. No vestuário, a situação é dramática: janeiro terminou com comercialização 56,79% menor que dezembro. Retroagindo até janeiro de 2007, produtos alimentares (21,68%), têxtil (13,23%) e vestuário (11,38%) tiveram os piores desempenhos.

Conforme o Indi, o número de trabalhadores no setor caiu 0,97% de dezembro para janeiro. Contudo, as horas trabalhadas tiveram decréscimo de 4,7% em comparação a dezembro, mas avançaram 0,82% frente a janeiro de 2007.

A utilização da capacidade instalada nas fábricas cearenses se recuperou de dezembro para janeiro, partindo de 69,87% para 75,68%. Este índice, ainda é menor do que o sentido em janeiro de 2007, que ficou em 78,1%.

DENTRO DO ESPERADO

PIB cresceu entre 4% e 5% em 2007, diz Ipece

O PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma economia, experimentou alta entre 4% e 5% no Ceará no ano passado. A informação é do presidente do Ipece (Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará), Marcos Holanda.

Segundo ele, o ano passado teve um saldo positivo para a indústria, que fechou o acumulado com alta em aproximadamente 4%. ´Desde o segundo trimestre estávamos mantendo as projeções de que o PIB encerraria 2007 neste patamar de alta´, lembra Holanda.

Quanto ao cenário de crise que se desenha no setor no começo deste ano, Holanda avalia que trata-se de um ´problema localizado na indústria têxtil´, destacando que outros setores, como o de alimentos e bebidas e o coureiro-calçadista, estão

Além da conjuntura externa que restringe a competitividade dos fabricantes de fios e tecidos, o presidente do Ipece diz que janeiro tende a ser um mês de produção inferior no setor. ´Geralmente as empresas dão férias coletivas neste período´, lembra Marcos Holanda.

Metodologia distinta

O cálculo do PIB industrial considera setores produtivos deixados de fora da análise do IBGE. Pelas contas que estão sendo feitas pelo Ipece, e serão apresentadas na próxima sexta-feira, é levado em conta da indústria extrativa mineral, da construção civil e da de transformação, única analisada pelo IBGE.

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