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Preços de energia devem ter “algum reajuste a maior”, admite Mantega

2009-07-14 Subestacçao Energia Eletrica  Cerradinho Potirendaba Bioeletricidade

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que é uma “questão de honra” para o governo manter a inflação baixa e informou que haverá reajuste na tarifa de energia elétrica por causa do aumento do custo de geração pelo uso das térmicas. Em entrevista ao programa “Bom Dia Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o ministro estimou crescimento econômico entre 2% e 2,5% em 2014 e assegurou que o governo “não teme qualquer investigação contra a Petrobras”.

Mantega falou, também, que o governo trabalhará pelo adiamento de projetos que possam comprometer a realização da meta de superávit primário de 1,9% do PIB neste ano e por aqueles que lancem dúvidas sobre a credibilidade fiscal do governo. Entre esses projetos está o que altera retroativamente o indexador da dívida de Estados e municípios, que o Senado promete votar dia 9, quarta-feira, em sessão conjunta de duas comissões. Para ele, o país enfrenta uma “espécie de ataque especulativo” decorrente da suposição de que o governo não vai cumprir a meta fiscal adequadamente e a discussão sobre a mudança do indexador poderia inflar esse “ataque”.

Segundo o ministro, os preços da energia devem ter “algum reajuste a maior” e que um pouco do aumento do custo de geração de energia das termelétricas será repassado ao consumidor, mas não informou quando isso ocorrerá. Ele explicou apenas que o reajuste da tarifa para o consumidor, quando for feito, “não vai incorporar todo aumento que seria devido”. Lembrou, ainda, que há regras para o reajuste da energia elétrica “por empresa”, que obedece aos custos apurados e que é a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que estabelece os parâmetros.

Para o ministro, o crescimento econômico este ano será semelhante aos 2,3% de 2013. “Embora a economia esteja sólida, teremos dificuldade para exportar para vizinhos da América Latina”, disse, ao justificar o ritmo moderado da atividade no país pelo quarto ano consecutivo. Citou a Argentina e a Venezuela como países que, por estarem em crise, não vão manter o nível das importações do Brasil, além da recuperação ainda lenta dos Estados Unidos e União Europeia.

“Precisamos da recuperação da economia internacional para utilizar todo nosso potencial produtivo. Enquanto isso não acontece, estaremos crescendo a taxas menores que nosso potencial, a 2% ou 2,5%”, estimou. Quando esses mercados se recuperarem, “o Brasil vai crescer entre 3% e 4% com facilidade”, acrescentou Mantega.

O governo, na sua avaliação, é cuidadoso com a inflação, mas essa tem sido alvo de choques localizados, como é o caso dos preços dos alimentos. ” É questão de honra para nós que permaneça baixa”, disse, citando que “nos últimos onze anos a inflação nunca passou do limite de 6,5%”.

O ministro disse que foi “nula” a repercussão do rebaixamento da nota de risco do Brasil pela agência Standard & Poor´s. “O efeito do rebaixamento pela S&P foi nenhum. Foi totalmente descartado pelos mercados. Não vi nada, nenhuma repercussão”, afirmou. O Brasil continua a receber investimento estrangeiro direto (IED), segundo ele, porque é um país atraente.

Sobre o caso da Petrobras e da eventual CPI para investigar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, por um preço superior ao que valeria a empresa, o ministro assegurou que o governo “não teme qualquer investigação contra a Petrobras”.

Ele acredita que uma investigação mostrará que a empresa “trabalha na mais alta regularidade” e que é fiscalizada permanentemente pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e por auditorias internas. Atual presidente do Conselho de Administração da estatal, o ministro não estava na companhia quando ela realizou o negócio, mas disse ter certeza de que o conselho agiu corretamente na ocasião e que analisou o negócio “com toda discriminação e profundidade necessárias”. Essa declaração, porém, não condiz com a nota da presidente da República, Dilma Rousseff, que alegou ter votado pela compra da refinaria, quando era presidente do conselho da empresa, “com base em informações incompletas”.

Fonte: Valor Econômico

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