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Preço do álcool caiu até 40% para o consumidor em março

Bastou a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, anunciar o monitoramento do preço do álcool em toda a cadeia produtiva para que os postos de combustíveis de Araçatuba reduzissem os preços do produto na bomba. Em Araçatuba, o litro do álcool chegou a ser comercializado a R$ 0,99 no início de março, mas sofreu três quedas consecutivas no mês, e hoje, é vendido por até R$ 0,59, uma redução de 40%.

A ministra anunciou o monitoramento dos preços do álcool durante a Feicana (Feira de Negócios da Agroindústria Sucroalcooleira), realizada entre os dias 9 e 11 de março, em Araçatuba. A medida visava descobrir por que a redução dos preços do álcool hidratado e anidro praticada pelas usinas não chegava ao consumidor final.

Na região de Araçatuba, o preço do álcool hidratado chegou a cair 39% nas usinas, passando dos R$ 0,61 para os R$ 0,37 durante o mês de fevereiro, de acordo com o indicador sucroalcooleiro da UDOP (Usinas e Destilarias do Oeste Paulista).

Apesar disso, o consumidor só teve acesso à redução a partir da segunda semana de março, queda que foi intensificada no decorrer do mês. Mesmo assim, na bomba, a diminuição não foi repassada integralmente. Enquanto nas usinas o preço caiu 39%, nos postos, a média é de uma retração de 25%.

No posto Aviação, de bandeira Petrobras, o litro do álcool era vendido a R$ 0,979 no início de março, mas sofreu três reduções nas duas últimas semanas, passando a custar R$ 0,89, depois R$ 0,84 e hoje é comercializado a R$ 0,69, queda de 29,5%. O mesmo ocorreu no posto Santa Rita, que vendia o litro do álcool a R$ 0,79, baixou para R$ 0,68 e hoje vende a R$ 0,59, diminuição de 25%. Hoje, o preço do álcool em Araçatuba oscila de R$ 0,59 a R$ 0,70, variação de 16%.

O presidente do Sincopetro (Sindicato dos Revendedores de Derivados de Petróleo de Araçatuba e Região), Ulisses Laluce Júnior, atribui às distribuidoras a demora na redução de preços ao consumidor. “A queda demorou para chegar às bombas porque as distribuidoras demoraram para repassar a redução aos postos”.

O gerente comercial da Real Distribuidora de Combustíveis, José Carlos Lorenzetti, de Dracena, considera natural a demora no repasse da redução por causa dos estoques antigos tanto das distribuidoras quanto dos postos e também devido à oscilação freqüente dos preços. “Temos de nos certificar que o mercado se estabilizou, caso contrário, corremos o risco de repassar uma queda e depois levar prejuízo com uma possível alta posterior”.

Lorenzetti disse que a entressafra da cana-de-açúcar foi atípica este ano, o que causou mais confusão no mercado. “Ninguém esperava que o preço do álcool fosse cair em plena entressafra.

Ao contrário deste ano, em 2003, o governo firmou acordo com os usineiros para manter os preços do álcool, que estava em alta devido à escassez na oferta. Para garantir o abastecimento do produto no mercado, a safra 2003/2004 foi antecipada em um mês.

Alternativa – Embora acredite que os preços do álcool da bomba tenham caído mais do que deveria, o diretor da UDOP (Usinas e Destilarias do Oeste Paulista), Fernando Perri, considera que a queda foi positiva para o produtor. “Foi bom porque solidificou o álcool como alternativa de combustível”, afirmou, citando o aumento nas vendas dos veículos bicombustíveis, movidos a gasolina e a álcool em qualquer proporção.

Os preços em baixa nos postos também ajudaram a desovar os estoques do produto, observou o executivo, que é diretor comercial do Grupo José Pessoa. A estimativa era de um estoque de passagem (quantidade de álcool em estoque no início da safra, previsto para 1º de maio) de 1,5 bilhão de litros. Com o aumento no consumo em decorrência da queda dos preços, a expectativa é que esse número seja menor. Para Perri, porém, o álcool deveria ser vendido entre R$ 0,70 e R$ 0,80 na bomba.

O presidente do Sincopetro, entretanto, acredita em estabilidade nos preços na bomba. “Mesmo porque com o início da safra, em maio, a oferta do produto vai aumentar, o que não justifica aumento de preço”.

Gasolina – Ao contrário do álcool, o preço da gasolina praticamente não sofreu alteração, apesar de possuir 25% de álcool anidro em sua composição. O anidro, assim como o hidratado, também teve o preço reduzido. A gasolina é comercializada entre R$ 1,92 e R$ 1,95 o litro. Antes, o combustível era vendido entre R$ 1,95 e R$ 1,99, o que significa que a queda de preço oscilou entre R$ 0,03 e R$ 0,04.

Segundo Laluce Júnior, a participação do álcool anidro na formação do preço da gasolina é de 6,05%. O restante corresponde a impostos (60,20%) e à gasolina pura, sem mistura (33,75%). Para ele, a queda no preço da gasolina deveria ter sido de pelo menos R$ 0,08. “As distribuidoras não repassaram integralmente a redução do valor do álcool anidro”.

O sócio-proprietário do posto Aviação deu a mesma justificativa. Ele vendia o litro da gasolina a R$ 1,99 e hoje vende a R$ 1,95. “Não tem como baixar o preço se a distribuidora também não reduz”.

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