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Preço do açúcar no mercado interno é o maior em 13 anos, aponta Esalq

O aposentado Ladir José Carlomusto, de Ribeirão Preto (SP), percebeu no supermercado que o açúcar ficou mais caro nos últimos meses. “Tem que deixar a vida menos doce, fazer um regiminho sem açúcar, para o custo ficar menor”, afirma.

A constatação de consumidores como ele sintetiza a elevação do derivado da cana no decorrer dos últimos 13 anos. Em janeiro, a saca de 50kg atingiu os R$ 82,76, sua maior cotação no mercado interno desde 2003, ano de início da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da USP de Piracicaba (SP).

De acordo com o professor de economia da USP e consultor em agronegócios José Carlos de Lima Júnior, a alta está ligada à elevação dos custos de produção no Brasil, à desvalorização do real diante do dólar e à queda de produtividade das lavouras ligada à baixa de investimentos do setor sucroenergético. “A oferta de açúcar está menor, os canaviais estão menores”, acrescenta.

Alta histórica do açúcar

O açúcar cristal está 60% mais caro em relação a janeiro de 2015 – quando a saca custava R$ 51,53 – e custa quatro vezes mais em relação a períodos como 2004, quando chegou a R$ 17,80, aponta o Cepea.

Lima Júnior explica que o aumento na energia elétrica e nos combustíveis é um dos fatores que mais impulsionaram o preço do açúcar.
A queda de produtividade – medida pela quantidade de Açúcar Total Recuperável (ATR) da cana – e o foco das usinas na produção do etanol, que em 2015 ganhou incremento na demanda, também explicam a alta.

“As usinas praticamente produziram mais etanol nos últimos anos em relação ao açúcar. O etanol estava com uma liquidez maior, então se produziu mais etanol e com isso diminuiu a produção de açúcar, contribuindo com o déficit do mercado internacional. Isso também ajudou a elevar o preço do açúcar”, afirma Antônio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br).

Além disso, a desvalorização da moeda brasileira perante o dólar – atualmente acima dos R$ 4 – fez com que o açúcar atingisse seu maior valor em 13 anos dentro do país, ainda que no mercado internacional a commodity não tenha atingido seu maior preço na cotação da moeda americana.

“Quando você calcula em dólar, o maior preço do açúcar foi em 2013, quando alcançou a faixa dos US$ 24 e, aqui no Brasil, o dólar valia R$ 2,17. Quando se convertia em real não era tão interessante. Hoje o preço da saca está a US$ 20, US$ 4 a menos do que em 2013. Mas o câmbio do real faz com que o preço da saca estoure os R$ 80. Portanto, em reais, o açúcar está no pico histórico”, afirma o consultor em agronegócio.

Segundo ele, recentes problemas climáticos na Índia, um dos principais produtores mundiais de açúcar, estão reduzindo estoques do produto que, desde setembro, têm aos poucos encarecido no cenário internacional.

Se a relação cambial permanecer desfavorável ao Brasil, o açúcar pode sofrer novos reajustes dentro do país, segundo Lima Júnior. “Com a baixa oferta da Índia o preço do açúcar pode aumentar até 20% no mercado internacional.”

Matéria-prima mais cara

A elevação afeta diretamente o custo de alimentos como pães e doces, afirma o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Ribeirão Preto (Sindipão), Joaquim Antônio de Araújo.

Em relação a outubro do ano passado, ele estima que adquirir açúcar ficou 50% mais caro para os estabelecimentos do setor. O que, mais tarde, acabará sendo percebido pelos clientes.

“O açúcar é o segundo item mais usado como matéria-prima da padaria, compõe quase todos os produtos. Isso reflete, obviamente, no preço dos produtos, que tem que ser repassado para o consumidor”, diz.

Por outro lado, o representante do setor sucroenergético acredita que, com a chegada da safra, a tendência é de retração nos preços. As recentes altas não compensam, segundo ele, as perdas sofridas nos últimos anos. “Tivemos cinco anos de uma crise tremenda com baixa no preço de açúcar. O mercado mundial estava com a produção maior do que a demanda e nos últimos cinco anos nós sofremos com preços baixos, tanto é que fecharam 80 usinas em todo o Brasil, perdemos milhares de empregos em toda a cadeia [produtiva]”, afirma Tonielo Filho.

Fonte: G1

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