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Popular será o último com motor para álcool e gasolina

Os automóveis com motor 1.0, que representam mais de 60% do mercado brasileiro, devem ser os últimos a receber a tecnologia que permite ao motorista abastecer o veículo com álcool, gasolina ou ambos, misturados.

Os próximos lançamentos de carros com essa tecnologia, patenteada pela Bosch de “flex fuel”, concentram-se todos em modelos com motores acima de 1.000 cilindradas.

Nessa categoria, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é menor. Enquanto a alíquota do IPI é de 15% para motores a gasolina, nos movidos a álcool e também os “flex fuel” o IPI é de 13%.

A inclusão da categoria “flex fuel” na tabela de IPI dos carros foi feita pelo governo, por pressão das montadoras, na última redução tributária, em setembro do ano passado.

Mas a vantagem de dois pontos percentuais não abrange os carros de 1.000 cilindradas, os chamados populares. Para essa categoria, vale uma única alíquota, de 9%.

A tecnologia que permite abastecimento com álcool, gasolina ou os dois combustíveis misturados já foi desenvolvida também para carros 1.0, segundo o vice-presidente de sistemas de injeção eletrônica Robert Bosch América Latina, Besaliel Botelho.

A Volkswagen lançou um Gol com motor 1.600 com sistema de combustível flexível. A General Motors começou a vender um Corsa 1.800. A Fiat já está prestes a iniciar a venda de um Palio 1.300 e a Ford já demonstrou a intenção de vender o Fiesta 1.600 nessa versão de motor.

O custo do desenvolvimento de motores a álcool ou o sistema flexível é mais elevado, segundo o diretor de veículos leves da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Marco Saltini. “Mas o que vai mandar no desenvolvimento dessa tecnologia é a oferta do álcool e o preço desse combustível”, prevê Saltini.

A tendência, segundo demonstram os executivos das montadoras, é começar a oferecer esse tipo de tecnologia nos motores de maior cilindrada para compensar os custos na vantagem fiscal.

A partir do momento em que houver escala, a oferta de carros com a tecnologia acabará se estendendo também aos chamados populares. Segundo Botelho, o tempo para desenvolvimento da tecnologia em cada família de motores leva, em média, entre seis e 12 meses.

“Independentemente da vantagem no IPI, o que vai ditar esse mercado será o momento em que o consumidor perceber a tranqüilidade de ter um veículo desses”, afirma Botelho. Ou, segundo Saltini, a vantagem de saber “que o carro não vai deixá-lo na mão” pela falta de um ou outro tipo de combustível.

Desenvolvida por brasileiros, a tecnologia proporciona ao consumidor o poder de escolher qual combustível deseja utilizar. A escolha pode ter critérios como a variação de preço ou mesmo o desempenho do automóvel. Segundo a Bosch, o “flex fuel” consiste em novo conceito de injeção e ignição eletrônica no qual um software adapta todas as funções de gerenciamento do motor para qualquer proporção de mistura de álcool e gasolina.

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