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Pontos de encontro

Os encontros de Davos e do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, duas grandes articulações internacionais, ocorreram mais uma vez ao mesmo tempo este ano, mas num contexto bastante peculiar. O grande fantasma presente nesses dois espaços de reflexão internacional foi a ameaça imediata da guerra a partir da atitude belicista norte-americana com relação ao Iraque.

O outro cenário mais profundo foi o da incerteza da economia, pois mais uma vez as previsões são de adiamento da retomada firme do crescimento econômico mundial, a partir da volatilidade da economia americana, da estagnação econômica há tempos vivida pelo Japão, agora também somada ao risco de recessão na Alemanha, com toda a repercussão que isso poderá ter no comércio internacional e, em particular, no continente europeu.

Neste cenário, a boa notícia foi a aproximação relativa de posições sempre tão distintas. Os fóruns, aparentemente paralelos, mostraram preocupação com os aspectos humanos existentes nas relações econômicas entre países. O fórum de Porto Alegre reforçou seu interesse com relação à justiça e às desigualdades sociais, mas foi envolto em um discurso pragmático de equilíbrio, para que qualquer processo de distribuição de renda esteja apoiado numa concepção de desenvolvimento econômico auto-sustentável.

Em Davos, onde se reúne a fina flor do capitalismo mundial, dessa vez ficou patente a preocupação de que não se pode pensar de uma forma duradoura no crescimento econômico se ele não estiver alicerçado na distribuição mais equilibrada das oportunidades entre as camadas sociais. Também surgiu a necessidade de revisão do ritmo e da forma como a globalização tem ocorrido, com a percepção de que tal processo, como foi implementado até agora, aprofundou desigualdades e diferenças.

Por isso, foi muito oportuna para o Brasil a presença do presidente Lula nos dois fóruns, pois ele acabou se caracterizando internacionalmente como uma liderança capaz de diminuir a distância entre essas suas articulações, estabelecendo um diálogo, dando um toque de esperança em um ambiente carregado. Sua proposta de criação de um fundo internacional de combate à fome e à miséria teve boa acolhida entre os países mais ricos e será discutida na próxima reunião do G-7. Isto é importante para o mundo e é particularmente honroso para o nosso país.

Arnaldo Jardim é deputado estadual, [email protected]

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